4x4 cruzando o deserto

Salar de Uyuni – Passeio de San Pedro de Atacama a Uyuni

Para ir de San Pedro de Atacama, no Chile, até a cidade de Uyuni, na Bolívia, passando por regiões de deserto e salares, é recomendada a contratação de uma agência de turismo, visto que são três (se ficar em Uyuni) ou quatro (se voltar à cidade de origem) dias de viagem por lugares inóspitos, onde se percorre vários quilômetros sem ver viva alma. Eu fui com a Cordillera Traveller, que tem base em San Pedro de Atacama.


1° Dia

Fila para entrada na Bolívia
Imigração da Bolívia

O tour começa quando o ônibus busca cada um dos turistas em sua hospedagem. É preciso passar pela imigração chilena, para sair do país, e pela imigração boliviana, para entrar. O processo aqui é bem mais informal do que o realizado no aeroporto. Não houve nenhuma fiscalização das malas, por exemplo. Nesse momento, também é feita a divisão em grupos menores, de até seis pessoas, já que todo o trajeto é feito em Jeeps 4×4.

Laguna Blanca
Laguna Blanca

Depois de passar pelo posto de controle para entrada na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, onde serão visitados vários pontos durante o primeiro dia de viagem, chegamos à Laguna Blanca. Essa lagoa está a mais de 4.000 metros de altitude do nível do mar e tem a água esbranquiçada pela presença de minerais na água, principalmente o bórax. Para complementar o visual, uma fina camada de gelo cobria a superfície do lago, pois o inverno já estava próximo.

Laguna Verde e Vulcán Licancabur
Laguna Verde e Vulcán Licancabur

A Laguna Blanca é separada por uma faixa de terra da Laguna Verde, que tem uma coloração que varia do turquesa ao esmeralda de acordo com a movimentação dos sedimentos causada pelos ventos. Outra particularidade é que suas águas não congelam devido à composição de arsênico, chumbo, cobre e outros minerais. Ao fundo, o Vulcão Licancabur, que se encontra na divisa entre a Bolívia e o Chile e ultrapassa os 3.800 metros de altitude do nível do mar.

Salar de Uyuni, Desierto Dalí

O Desierto Dalí recebeu esse nome por causa de suas cores, que lembram as obras surrealistas de Salvador Dalí. Pelo menos foi isso que disseram os guias, embora eu não tenha enxergado tanto essa referência. Mas a paisagem estava bem bonita, principalmente por causa da presença da neve em vários pontos da estrada e nas montanhas.

Piscina do Termas de Polques
Piscina do Termas de Polques

A próxima parada é no Termas de Polques, onde construíram uma piscina que recebe as águas quentes que brotam do chão. É necessário pagar uma taxa para tomar banho e usar o vestiário e o banheiro do local. Eles poderiam dar uma melhorada na estrutura do local, mas a água estava realmente muito relaxante e a vontade era ficar ali o dia inteiro.

Água e vapores nos gêiseres Sol de Mañana
Água e vapores nos gêiseres Sol de Mañana

Também passamos pelos Géiseres Sol de Mañana. Esse campo geotermal tem água fumegante e vapores de água sendo expelidos de fendas na terra, além de várias poças com uma lama vulcânica fumegante. Dá um medinho de andar por ali porque, vamos falar a verdade, não dá para confiar de pisar em um chão onde estão acontecendo tantas coisas estranhas. Não há demarcações de onde você pode ou não ir, mas tome cuidado porque cair em um desses buracos é morte.

Laguna Colorada
Laguna Colorada

O último destino do dia é a Laguna Colorada, que possui águas avermelhadas em contraste com pequenas elevações brancas formadas por bórax. A cor da água muda durante o dia, ficando mais intensa com o calor, então deve ser visitada durante a tarde. A lagoa também é famosa pela presença de flamingos e alpacas, que ficam se alimentando por ali.

Hospedagem da Cordillera Traveller
Hospedagem da Cordillera Traveller

A hospedagem é bem simples, assim como o almoço/jantar que é preparado pelos guias. Não há chuveiros para os hospedes, mas eu já estava ciente disso quando pesquisei sobre o passeio e a solução foi apelar para os lencinhos umedecidos com cheiro de bundinha de neném. De positivo, posso dizer que não faz tanto frio quanto eu esperava durante a noite, mas algumas pessoas se tiveram dor de cabeça e enjoo, sintomas relacionados ao mal de altitude.


2° Dia

Árbol de Piedra
Árbol de Piedra

O segundo dia começa cedo com o café da manhã na hospedagem. É preciso pegar todos os seus pertences para colocar no carro, já que não voltaríamos para o mesmo local. Seguimos viagem pelo Desierto de Siloli, onde há formações de rocha vulcânica esculpidas pelo vento. A mais interessante é a Árbol de Piedra, que lembra uma árvore.

Laguna Honda
Laguna Honda

Continuando em direção ao norte, fizemos uma rápida parada na Laguna Honda, com sua água bem clarinha. É engraçado pensar que existem tantas lagoas em um dos lugares mais áridos do mundo.

Flamingos na Laguna Hedionda
Flamingos na Laguna Hedionda

A maior parte do tempo nesse dia foi dedicado à Laguna Hedionda, onde vários flamingos ficam comendo como se não houvesse amanhã. Até parecem uma pessoa que eu conheço (no caso eu mesmo). A lagoa tem esse nome por causa do cheiro ruim de enxofre que exala. Graças a deus, mesmo sem tomar banho no dia anterior, nada parecido comigo. Aproveitamos a parada para comer o almoço preparado pelos guias na estrutura do Los Flamencos Eco Hotel, ali, no meio do nada.

Árvore às margens da Laguna Cañapa
Árvore às margens da Laguna Cañapa

Como se não bastasse de flamingos, ainda vimos vários desses bichos na Laguna Cañapa. A gente sai de lá achando que são os animais mais abundantes do planeta. Me chamou a atenção essa árvore toda retorcida, que eu nem sei bem se é uma árvore ou um arbusto que ousou subir na vida. Parece que ela foi crescendo moldada por um redemoinho de vento.

Volcán Ollagüe
Volcán Ollagüe

Na estrada, paramos em um mirante de onde se pode observar o ainda ativo Vulcão Ollagüe, que fica na fronteira entre a Bolívia e o Chile. Dá para ver o vapor de água saindo da cratera de 1.250 metros de diâmetro, mas não se tem ideia de quando foi sua última erupção. A montanha se destaca na paisagem, já que chega ultrapassa os 5.800 metros de altitude do nível do mar.

Ferrovia no Salar de Chiguana
Ferrovia no Salar de Chiguana

O Salar de Chiguana não é tão conhecido quanto o Salar de Uyuni, talvez por não ter a mesma pureza do branco – o sal fica meio misturado com a terra e fica esse aspeto de neve suja. A linha de ferro passando pelo meio do deserto dá um visual muito interessante ao local e rendeu ótimas fotos. Infelizmente não pegamos a passagem de nenhum trem.

Hostal de Sal
Hostal de Sal

A hospedagem da segunda noite também é uma atração à parte, já que o Hostal de Sal é, bem, todo feito de sal. As paredes e os móveis são de tijolos de sal, o chão é de sal, bem interessante e bonito. Fiquei imaginando se eles pegam uma pitadinha do chão na hora de preparar a comida… Bom, o mais importante é que tem chuveiro com água quente, então todo mundo pôde dar aquela merecida (embora apressada) renovada no corpo.


3° Dia

Vendo o nascer do sol no Salar de Uyuni
Nascer do sol no Salar de Uyuni

Como decidido em comum acordo entre os componentes do grupo, acordamos de madrugada e começamos a viagem no escuro para pegar o nascer do sol no Salar de Uyuni. Se você fizer esse passeio de travessia do deserto e perder esse espetáculo porque quer dormir duas horinhas a mais, você não merece o meu respeito.

Vista paronâmica do Salar de Uyuni
Isla Incahuasi

Quem diria que teria uma ilha no meio do deserto de sal? Pois a Isla Incahuasi é uma lembrança de que o local foi, há muitas eras, um enorme lago que secou. Essa porção de terra é o cume de um vulcão pré-histórico e hoje está coberto de cactos gigantes. A subida até sua parte mais alta proporciona uma vista espetacular do Salar de Uyuni.

Salar de Uyuni
Salar de Uyuni

Continuamos no nosso 4×4 desbravando o Salar de Uyuni, que tem proporções realmente impressionantes. São 10.582 km2 de terreno branquinho, coberto de sal para perder de vista, com a Cordilheira dos Andes ao fundo.

Carregando os migue na mochila
Carregando os migue na mochila

Como eu fui em maio, o salar já estava seco e não tinha aquela camada de água que dá o reflexo do céu na terra. Eu já sabia disso – não quis ir na época de chuva, que é no verão, por causa da temperatura e da possibilidade de ter que fazer desvios em algumas partes do passeio. Mas valeu a pena, pois tiramos as fotos mais engraçadas da viagem, brincando com as proporções para deixar os objetos gigantes e as pessoas pequenininhas, como um efeito especial de filme ou montagem de Photoshop em tempo real. Se permita.

Bandeiras de vários países
Bandeiras de vários países

Também passamos pelo Hotel de Sal Playa Blanca, que estava desativado por falta de autorização de funcionamento. Como nós havíamos nos hospedado em um lugar desse tipo, não foi tão interessante. Mas aproveitamos a parada para ir no banheiro, comprar chocolates e tirar fotos com as bandeiras de diversos países deixadas por turistas estrangeiros. Também tinha ali um monumento do Rally Dakar, que passou por essas bandas em janeiro de 2016.

Povoado de Colchani
Povoado de Colchani

Já perto do fim da viagem, passamos por um povoado chamado Colchani, onde os moradores produzem e comercializam produtos como vestuário e pequenas esculturas de sal visando o turismo local.

Carcaça de trem
Carcaça de trem

A última parada foi no Cementerio de Trenes, que possui vários trens e outros maquinários abandonados. É uma lembrança da ferrovia que surgiu no país no final do século XIX para transporte do salitre, estanho, prata e ouro, mas que caiu em desuso depois da guerra que tirou da Bolívia o acesso ao mar.

Dali seguimos para o centro de Uyuni, a pouco mais de um quilômetro, onde fizemos a última refeição do tour e nos despedimos dos companheiros de viagem. Alguns ainda teriam mais uma noite no deserto na volta para San Pedro de Atacama, outros pegariam o ônibus em direção a La Paz, uma viagem de cerca de 10 horas, ou algum outro destino na Bolívia.

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4 comments

  1. Você recomendaria fazer o tour depois de alguns dias em San Pedro ou pode ir direto pro uyuni? Irei no de 4 dias que volta p San pedro. Obrigado amigão.

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