Hospedagem da Cordillera Traveller

Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa – Hospedagem no meio do deserto

Um dos grandes dramas dos passeios em lugares exóticos é a questão da estrutura oferecida ao turista. Em San Pedro de Atacama ou Uyuni, há boas opções de hospedagem e alimentação, mas o que acontece quando você parte para uma jornada de três ou quatro dias para atravessar o deserto? A comunicação é limitada, já que não há sinal de celular; você pode se perder pelo caminho e nunca mais ver uma alma viva; o clima é extremo, com temperaturas muito abaixo de zero durante a noite; não se encontra facilmente lugares para comprar comida ou água; hospitais e outros recursos existem em um plano imaginário, enfim. Algumas pessoas fazem esse passeio por conta própria mas, na minha opinião, contar com a experiência de uma agência de turismo faz toda a diferença. Dito isso, vamos à primeira noite passada no deserto.

Quarto da hospedagem no deserto
Quarto da hospedagem no deserto

A Cordillera Traveller tem uma hospedagem própria para essa primeira noite, então éramos o único grupo no local. O albergue fica bem próximo à Laguna Colorada e bem isolado do mundo, então continua aquela sensação de que estamos no meio do deserto. Ao chegar, esperamos os guias retirarem as malas dos carros e fomos divididos nos quartos.

Os integrantes de cada carro dividem o quarto, que é extremamente simples – basicamente um cômodo com camas, sem outros móveis. A não ser que faça parte de um grupo grande, você provavelmente irá dormir com pessoas desconhecidas. Uma das coisas recomendadas para esse passeio é trazer um saco de dormir, já que a temperatura cai bastante durante a noite, principalmente nos meses de inverno (junho, julho, agosto e setembro). Eu fui em maio e estava fazendo bastante frio, mas dormi de casaco e havia vários cobertores, então, mesmo sem saco de dormir, ninguém teve problemas com a temperatura.

Bateria portátil
Bateria portátil

O mesmo não pode ser dito quanto à falta de tomadas. O albergue até possui energia elétrica, mas ela é usada apenas para a iluminação e os hóspedes não têm meios de carregar seus celulares e câmeras fotográficas, o que é importante em uma viagem que dura três ou quatro dias. Com isso, algumas pessoas não puderam tirar fotos de todo o passeio. Como eu já sabia dessa limitação, levei um power bank com carga suficiente para carregar o celular quatro vezes. Além disso, como não tinha mesmo sinal de internet, usava o aparelho sempre no modo avião, o que economiza muito da bateria.

salar-de-uyuni-bolivia-hospedagem-cordillera-traveller-banheiro

Já com relação ao banheiro a coisa era mais tensa. Até tinha um chuveiro, mas ele ficava na parte onde ficam os funcionários, então fica subentendido que os hóspedes não têm acesso. Além disso, quem vai querer tomar um banho gelado quando a temperatura está próxima ou abaixo de zero? Ninguém se aventurou. A solução depois de passar o dia inteiro viajando pelo empoeirado deserto é, portanto, dizer três vezes seguidas “eu nem suei”. Brincadeira. O que eu fiz foi levar um pacote de lencinhos umedecidos, desses de passar em bundinha de neném. Além de limpar, eles são fresquinhos e possuem um cheirinho gostoso que dão aquela sensação de que você acabou de tomar banho. Quem não tem cão, caça com gato.

O banheiro dos hospedes é composto por umas quatro cabines com privada e algumas pias, tudo muito simples. É um só para os homens e mulheres, que também dividem os quartos misturados. Para trocar de roupa e tomar seu banho de gato, você usa uma das cabines mesmo, onde não há onde pendurar suas coisas, o que exige um certo malabarismo para não cair nada no chão sujo. Ou seja, é desapego atrás de desapego – tudo isso faz parte de um engrandecimento pessoal e espiritual. A água da pia é geladíssima, como era de se esperar.

Almoço (ou jantar)
Almoço (ou jantar)

O almoço tardio ou jantar precoce é preparado e servido pelos próprios guias no refeitório do albergue. Apesar de ser bem servido, eu recomendo que você preste atenção ao movimento das pessoas e vá logo para a mesa, pois pode ser que algumas coisas acabem antes que as outras.

Salada do jantar
Salada do jantar

A refeição é bem simples, mesmo porque não haveria estrutura para preparar nada muito elaborado – a comida de todo o passeio é transportada dentro dos carros. Tivemos salsichas, purê de batatas, tomate, pepino e macarrão com molho de tomate e queijo. Uma das meninas da excursão não quis comer – ela explicou que tinha uma síndrome do intestino irritável, então preferiu não se arriscar. De qualquer maneira, é bom levar alguns petiscos próprios para garantir que você não vai sentir fome nesse ou em outros momentos, já que não passamos por lojas de conveniência ou qualquer coisa do tipo.

Macarrão com molho de tomate e queijo
Macarrão com molho de tomate e queijo

Eu comi tudo de boa, mas algumas pessoas estavam preocupadas com a reputação da comida e da água na Bolívia, chegando ao ponto de só escovar os dentes com água mineral. Bom, o que posso dizer é que ninguém passou mal e tudo parecia bem limpinho.

Na verdade, teve gente que passou mal, mas não por causa da comida. As variações de altitude e temperatura fizeram com que algumas pessoas não dormissem bem, principalmente por causa de dor de cabeça. Como eu já estava há vários dias em San Pedro de Atacama, não tive nenhum problema.

Não há muito o que se fazer por lá além de ficar batendo papo com o pessoal da viagem, então acaba que a maioria das pessoas foi dormir pouco depois de escurecer, já que seria preciso acordar cedo no dia seguinte.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s