Antes do pôr-do-sol

Antes do pôr-do-sol ★★★★★

Ano: 2004
Direção: Richard Linklater
Elenco: Ethan Hawke e Julie Delpy.

Antes do amanhecer, primeiro filme da trilogia, deixa um final em aberto que permite que os espectadores mais otimistas prevejam um belo futuro para o casal, enquanto os pessimistas pensem que tudo acabou após a única noite passada juntos. A questão só foi respondida de forma definitiva com o lançamento da sequência, nove anos depois do original. Dessa vez, somos levados a Paris, cidade considerada por muitos como uma das mais românticas do mundo.

Os locais visitados pelos personagens, bem como as demais atrações que conheci na cidade, podem ser vistos no mapa interativo acima, o que deve ajudar a traçar seu próprio roteiro de passeio. Digo isso porque o filme passa a impressão de uma continuidade e curta duração de trajetos que não condiz com a realidade, então serão necessários mais planejamento e tempo para refazer o caminho apresentado.

Shakespeare and Company
Shakespeare and Company

Embora esteja localizada no coração da capital francesa, a Shakespeare & Company é uma livraria inglesa. Usada como ponto de encontro por escritores e leitores, ela foi inaugurada em 1951, à época chamada Le Mistral. O prédio foi construído no começo do século XVII às margens do Rio Sena, no lado oposto da famosa Catedral de Notre-Dame, e funcionou antes como um monastério. O nome foi mudado para o atual em 1964, ano de comemoração de quatrocentos anos do nascimento do escritor e em homenagem a Sylvia Beach, que comandou a Shakespeare and Company original entre 1919 e 1942.

Livraria recebe escritores, artistas e intelectuais
Livraria recebe escritores, artistas e intelectuais

Além dos negócios cotidianos, a loja tem uma particularidade interessante. Desde seu primeiro dia de funcionamento, o dono convidava escritores, artistas e intelectuais a dormir em pequenas camas que serviam de banco durante o dia. Estima-se que cerca de 30.000 pessoas passaram a noite entre as prateleiras e pilhas de livros, incluindo então anônimos que se tornaram famosos posteriormente. Como contrapartida, era pedido que eles lessem livros diariamente, ajudassem com o trabalho por algumas horas do dia e produzissem uma autobiografia de uma página. Os milhares de textos formam, hoje, um arquivo impressionante, capturando as ideias de gerações de escritores, viajantes e sonhadores.

Rue Saint-Julien-le-Pauvre
Rue Saint-Julien-le-Pauvre

Ao lado da livraria fica uma rua que leva o nome da Église Saint-Julien-le-Pauvre, uma das mais antigas construções religiosas da cidade. Erguida em estilo romanesco a partir do século XII, ela teve seu desenho modificado diversas vezes, resultando em uma igreja bem menor do que o planejado inicialmente. Ao contrário do filme anterior, que tem saltos de tempo para mostrar um total de doze horas na vida dos personagens, esse roteiro passa a ideia de que os acontecimentos se desenrolam em tempo real. Mas, assim como ele, também se cria uma ilusão de proximidade de diferentes lugares.

Paroisse Saint-Paul Saint-Louis
Paroisse Saint-Paul Saint-Louis

É o que acontece ao virar uma esquina, quando os atores são teletransportados, sem que o público perceba, para o outro lado do rio. O local é facilmente identificável por ter a Paroisse Saint-Paul Saint-Louis ao fundo. A primeira igreja a ocupar o local foi em cerca de 1125, mas o edifício atual foi construído entre 1627 e 1641 e possui tanto elementos tradicionais franceses quanto outros inspirados em templos italianos. Também são mostradas a Rue Chalemagne e a Rue Eginhard, ambos pequenos caminhos de pedestres que lembram mais charmosos becos.

Le Pure Café
Le Pure Café

Em uma nova transição feita com o jogo de câmera, chega-se ao Le Pure Café, a quase 2 km de distância dali. Embora já sugerido pela fachada vintage, o interior surpreende com um típico ambiente parisiense de cerca de 1905, com mobiliário de madeira e cores intensas. O que nome não revela aos turistas é tratar de um bistrô que serve pratos da culinária internacional com opções diversas para almoço e jantar, além de brunch aos finais de semana. Fora dos horários de refeições, o local fica mais tranquilo e ideal para tomar um bom café, ler as notícias do dia e trabalhar no seu próprio computador, mas também há a possibilidade de pedir drinks no bar.

Coulée Verte René-Dumont
Coulée Verte René-Dumont

Menos abarrotado de turistas do que as atrações mais famosas da cidade, o Coulée Verte René-Dumont é um longo parque linear criado no final da década de 1980 como readequação do espaço anteriormente usado por uma linha de trem. O caminho, que se estende por cerca de 3 km, fica acima do nível da rua e tem como particularidades os belos jardins, a vista da cidade e alguns trechos inusitados, como quando ‘corta’ um prédio ao meio. Eu fiz o trajeto completo e achei uma delícia, mas é um programa que exige mais tempo livre.

Batobus ancorado perto da Notre-Dame
Batobus ancorado perto da Notre-Dame

Eu andei bastante nos calçadões à beira do rio e tive a oportunidade de ver de perto alguns dos atrativos mostrados no filme como a Cathédrale de Notre-Dame, a Pont de l’Archevêché e outras pontes ao longo do curso d’água. Mas ainda não fiz um dos passeios mais clássicos da cidade que possui opções como o barco com almoço, o romântico cruzeiro com jantar gourmet, a volta partindo da Torre Eiffel com duração de uma hora ou o prático Batobus.

Reserva de passeio ou atração

O legal do Batobus é que ele pode ser usado como meio de transporte, já que permite subir e descer quantas vezes quiser, funcionando como um ônibus aquático. Uma boa opção é fazer a rota completa, que dura cerca de duas horas, e depois parar nos pontos que achar interessantes, incluindo a Avenue des Champs-Élysees, a Torre Eiffel, o Museu d’Orsay, a Cathédrale de Notre-Dame e o Musée du Louvre, entre outros. O bilhete pode ter duração de 24 ou 48 horas contados a partir do momento do primeiro uso.

Cour de l’Etoile d’Or
Cour de l’Etoile d’Or

Por fim, o filme nos leva ao Cour de l’Etoile d’Or, um dos charmosos condomínios que são acessados por arcos seguidos de um longo corredor. Nesse caso, o acesso se dá pela Rue du Fabourg Saint-Antoine. Lá dentro é bem diferente do que a modesta entrada sugere, já que há um pátio rodeado de moradias de arquitetura típica, janelas coloridas e jardins floridos. Confesso que dá bastante vontade de morar em um lugar assim. Se visitar Paris já é uma delícia, imagina viver num cantinho desses. Fica aqui o sonho.

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