Vista lateral da Cathédrale Notre-Dame de Paris

Paris – Cathédrale Notre-Dame

A Catedral de Notre-Dame, localizada no 4° Arrondissement de Paris, é considerada por muitos o melhor exemplo da arquitetura gótica francesa. Em 1160, logo que assumiu o cargo de Bispo de Paris, Maurice de Sully (a senhora é destruidora mesmo) teria ordenado que a Catedral de Saint-Étienne, construída no século IV, fosse demolida por não a considerar digna do seu papel. Além disso, o bispo comandou a derrubada de várias casas e a abertura de uma rua para transportar o material da demolição. A construção da Notre-Dame começou em 1163, durante o reinado de Louis VII. Devido ao longo período de construção, vários arquitetos trabalharam no projeto, o que é evidenciado pelos diferentes estilos e alturas das fachadas e torres. A linha do tempo é mais ou menos assim:

• 1160 – Maurice de Sully (Bispo de Paris) ordena a demolição da catedral original.
• 1163 – Pedra fundamental é colocada e começa a construção da Notre-Dame.
• 1182 – Abside e coro são concluídos.
• 1196 – Bispo Maurice de Sully morre.
• 1200 – Começam os trabalhos na fachada ocidental.
• 1208 – Bispo Eudes de Sully morre. Abóbadas da nave quase completas.
• 1225 – A fachada ocidental é concluída.
• 1250 – Torres ocidentais e vitral norte ficam prontos.
• 1245-1260 – Transeptos remodelados.
• 1250-1345 – Demais elementos concluídos.

Fachada da Cathédrale Notre-Dame de Paris
Fachada da Cathédrale Notre-Dame de Paris

Depois de 185 anos, a construção foi totalmente concluída. Mas, com o passar do tempo, outras alterações foram feitas – tanto devido a danos causados por vandalismo, como por reformas e renovações. Em 1548, protestantes Huguenots danificaram vários elementos da catedral por os considerarem idólatras. Durante os reinos de Louis XIV e Louis XV, um período de readequação das catedrais pela Europa, muitas alterações foram feitas no sentido de modernizar o espaço. Em 1786, uma grande estátua de Saint Christopher, datada de 1413, foi destruída. Em 1793, durante a Revolução Francesa, muitos dos tesouros foram destruídos ou saqueados, com algumas das estátuas sendo decapitadas (as cabeças, encontradas posteriormente, estão expostas no Musée de Cluny) e a catedral chegou a ser usada como armazém de alimentos. Em 1845, um controverso programa de restauração que durou 25 anos foi iniciado sob o comando dos arquitetos Jean-Baptiste-Antoine e Eugène Viollet-le-Duc. Além disso, vários vitrais foram quebrados durante a Segunda Guerra Mundial e apresentam atualmente, no lugar das cenas bíblicas, padrões geométricos modernos. A partir da década de 1990, um programa de restauração e manutenção foi iniciado. Mais recentemente, em 2014, toda a iluminação foi substituída por lâmpadas de LED.

Cathédrale Notre-Dame de Paris
Cathédrale Notre-Dame de Paris

Chegar na Notre-Dame é muito fácil porque tem muitas estações de metrô próximas: Cité ou Saint-Michel, da linha 4; Hôtel de Ville, das linhas 1 e 11; Maubert-Mutualité ou Cluny-La Sorbonne, da linha 10; e Châtelet, das linhas 7, 11 e 14. Entrar é mais fácil ainda: a catedral abre todos os dias e não é preciso pagar. A não ser que você queira visitar a parte do tesouro, com exibição de objetos dos séculos XVII, XVIII e XIX; as torres, que dão uma visão da cidade, de detalhes do teto e dos sinos; ou a cripta, com ruínas descobertas por escavações; daí é preciso pagar valores à parte, mas nada muito caro.

Além do passeio por conta própria, também é possível fazer um tour guiado. Com duração de cerca de uma hora, essa visita (também gratuita) foca no aspecto artístico e histórico da Notre-Dame, especialmente na arquitetura, esculturas, pinturas e vitrais. Já para o audioguide, que dura cerca de 35 minutos e já inclui a visita ao tesouro, é cobrada uma taxa. Obviamente que, pela função do local, se pede silêncio e roupas adequadas.

Qualquer pessoa pode, também, assistir a uma das missas celebradas no local. Na página oficial, é possível pesquisar tanto os horários das missas quanto da abertura da catedral. Em domingos ou feriados, é importante ir um pouco mais cedo, cerca de 10 a 15 minutos antes do horário marcado, uma vez que esses dias são mais movimentados e não é possível fazer reservas.

Notre-Dame vista da Pont de l'Archevêché
Notre-Dame vista da Pont de l’Archevêché

Seja qual for a sua opção de visita – por conta própria, guiada, com áudio, gratuita, tesouro, torres, cripta, enfim – não deixe de dar uma volta pelo lado de fora para ver a catedral de vários ângulos, principalmente a parte de trás, que é realmente impressionante e pode contemplada em uma caminhada agradável à margem do rio Sena. Uma boa opção é passar pela Pont de l’Archevêché, a mais estreita das pontes de automóveis de Paris. Construída em 1828 pelo engenheiro Plouard, a ponte tem 68 metros de extensão e é composta por três arcos de pedra – dois com 15 e um com 17 metros de altura.

Cadeados na Pont de l'Archevêché
Cadeados na Pont de l’Archevêché

Muitos casais apaixonados colocam cadeado nessa e em outras diversas pontes da cidade. O costume parece ter surgido depois da Primeira Guerra Mundial, segundo um conto sérvio. Uma professora local chamada Nada, da cidade de Vrnjačka Banja, teria se apaixonado pelo oficial Relja que, enviado para a guerra na Grécia, se apaixonou por uma outra mulher. Com isso, Nada e Relja terminaram o noivado, o que a deixou devastada e a levou à morte. Como as mulheres jovens de Vrnjačka Banja queriam proteger seus próprios amores, elas começaram a escrever os nomes em cadeados e trancá-los na ponte onde Nada e Relja costumavam se encontrar. No resto da Europa, os cadeados começaram a ser usados a partir dos anos 2000. Apesar de parecer uma tradição antiga, a mania só chegou a Paris em 2008. O costume é escrever as iniciais ou nomes no cadeado, trancar em alguma estrutura e jogar a chave na água. O problema é que a quantidade muito grande de cadeados acaba comprometendo a estrutura das grades com seu peso, o metal jogado nos rios pode contaminar a água e podem haver prejuízos diversos em patrimônios históricos e monumentos. Em 2014, o peso dos cadeados foi considerado culpado pela queda de parte do parapeito da Pont des Arts. Com isso, várias campanhas tem sido feitas para retirar os cadeados e/ou evitar a atitude, considerada como vandalismo em vários lugares.

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