Place Saint-François, em 1840

Lausanne – Senta que lá vem história

O nome dessa cidade tem origem celta, sendo formado pela palavra lausa (laje, pedra achatada) e o sufixo onna, que era muitas vezes usado para formar nomes de fluxos de água. Lausonna seria, provavelmente, uma referência ao atual rio Flon. As menções em documentos antigos revelam a evolução do nome: Lousonnensium (100-200); Leusonnae (cerca de 200); Lacu Lausonio (cerca de 280); Lacus Losanenses (cerca de 350); Lausanna (cerca de 400); Lausonensi (866); Lausanne (890); Losanna (990). Atualmente, o correto é Lausanne, em francês, e Lausana, em português.

Ruínas romanas
Ruínas romanas

A ocupação do local teve início com um assentamento celta que, mais tarde, tornou-se um campo militar dos romanos. Lausana está localizada no caminho de peregrinação entre a França e Roma. Depois da queda do Império Romano, a falta de segurança levou os moradores a mudarem-se das margens do Lac Léman para o alto do morro, mais fácil de defender das invasões inimigas, principalmente germânicas. A cidade ali formada era governada pelos Duques de Savoy e o Bispo de Lausanne.

Entre os anos de 1536 e 1798, Lausana esteve sob o domínio de Berna e grande parte de seus tesouros, incluindo as tapeçarias que ficavam penduradas na Cathédrale, foram removidas. Desde então, foram feitos vários pedidos para recuperá-los, mas sem sucesso. Esse edifício foi o primeiro em estilo gótico a ser construído fora da França. A religião, aliás, foi fundamental para a formação da sociedade local e também tem ligação com o país vizinho.

Château Saint-Marie e Cathédrale Notre-Dame
Château Saint-Marie e Cathédrale Notre-Dame

Em 1598, o rei francês Henri IV assinou o Édit de Nantes, que garantia direitos civis aos protestantes calvinistas do país, considerado essencialmente católico até então. Para se ter uma ideia, os protestantes não tinham direito de trabalhar ou de levar suas queixas diretamente ao rei. A separação entre religião e direitos tinha a intenção de criar uma sociedade mais unida, promover a liberdade individual e outros avanços, marcando o fim dos conflitos religiosos que marcaram a segunda metade do século XVI. Já em 1685, Louis XIV, neto de Henri, assinou o Édit de Fontainebleau, que revogava o Édit de Nantes e ocasionou uma fuga dos protestantes do país, tornando Lausana, assim como Genebra, um lugar de refúgio para os seguidores dessa religião. A perseguição durou até 1787.

Em 1789, a revolução ganha força na França e os ideais republicanos se espalham por toda a Europa. Estudiosos, intelectuais e patriotas aproveitam o clima para questionar o domínio de Berna. A capital, em vez de se adaptar e dar mais direitos aos valdenses, reforça sua autoridade e proíbe a circulação de jornais e panfletos e a realização de eventos a favor da república, introduz novas leis e não hesita em condenar à morte. Anos depois, o processo de independência foi ajudado pelo interesse de Napoleão em abrir um caminho livre entre a França e a Itália. Lausana é, então, escolhida como capital do cantão de Léman, passando a fazer parte da República Helvética, criada por Bonaparte em 1798.

Place de la Riponne, em 1842
Place de la Riponne, em 1842

Já em 1803, passa a ser capital do cantão de Vaud e vive um momento de intensa atividade econômica, com mercado de ações, bancos, estaleiros, minas e outros; a chegada da ferrovia, em 1856, quando passou a fazer parte da rota do famoso Expresso do Oriente; e o forte aumento da população. Em 1906, a abertura do túnel Simplon, ligando a Suíça à Itália, trouxe mais desenvolvimento à região.

Brasserie de Montbenon
Casino de Montbenon

Em 1915, buscando um país que simbolizasse a paz e a harmonia entre os povos, Pierre de Coubertin transfere para Lausana a sede do Comitê Olímpico Internacional (COI), que passa a funcionar Casino de Montbenon. O comitê continua a funcionar na cidade, mas em outra localidade. Um dos principais pontos turísticos atuais da região, o Le Musée Olympique, se encontra às margens do lago.

A partir da década de 1930, Lausana é profundamente transformada com a demolição de diversos bairros do centro histórico que eram ocupados pelas classes menos favorecidas, indústrias, curtumes e pontos de prostituição. A região era insalubre, com má reputação e proliferação de doenças. Os rios Flon e Louve foram canalizados e o centro histórico modernizado.

Vista da cidade em 1900
Vista da cidade em 1900

A cidade também serviu como refúgio para pessoas de várias nacionalidades ao longo das décadas, inclusive artistas como T.S. Eliot, Ernest Hemingway e outros. Nos anos 1950 a 1970, muitos italianos, hispânicos e portugueses se mudaram para a região com o objetivo de trabalhar nas indústrias. Atualmente, uma grande parte da população é formada por imigrantes de outros países.

Atualmente, a cidade se destaca como uma região com população jovem e cheia de cultura, contando com dezenas de museus. Além do museu voltado para a história das olimpíadas, eu visitei a Fondation de l’Hermitage e vários outros pontos interessantes no meu passeio pelo centro histórico.

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