Vista da Rathausbrücke

Zurique – Senta que lá vem história

A forma mais antiga conhecida do nome da cidade é Turicum, que aparece em uma lápide do fim do século II. Nos tempos romanos, Turicum era um posto de coleta de impostos para produtos transportados no rio Limmat. A origem linguística do nome ou seu significado não podem ser determinados, embora algumas possibilidades sejam aventadas. O mais provável é que tenha vindo das línguas raetia, celta ou galês. O fato é que uma forma mais germânica apareceu ainda no século VI, quando a palavra já tinha a escrita de Ziurichi. A partir do século X, o nome se estabeleceu como Zürich. Para o português, usamos Zurique.

A dificuldade de determinar essa origem é compreensível, já que a região tem uma história muito antiga, com evidências de assentamentos do período neolítico e da Idade de Bronze, milênios atrás, tendo sido encontrados no lago Zürich.

Representação da região nos tempos romanos
Representação da região nos tempos romanos | Autor: Johann Balthasar Bullinger

Durante a domínio romano, um castelo e uma guarnição foram erguidos para proteger Turicum, no local em que hoje se encontra Lindenhof, por onde eu passei quando estava passeando pelo centro histórico da cidade. Já no século V, uma tribo alemã se estabeleceu no platô suíço. A construção romana permaneceu em pé até o século VII, quando foi substituída por um castelo carolíngio erguido por Louis, neto de Carlos Magno, também responsável pela fundação da abadia Fraumünster, no ano de 835, para a sua filha Hildegard. Na postagem sobre a igreja eu conto sobre a lenda que levou à sua construção. Em 1045, o rei Henrique III concedeu ao convento o direito de realizar feiras, cobrar pedágios e cunhar moedas, tornando a abadessa a governante da cidade.

Zurique se tornou uma cidade imperial livre em 1218 após a extinção da linha principal da família Zähringer. Na década de 1230, foi construída a muralha da cidade, então com 38 hectares. O fosso que ficava junto à muralha deu origem ao Schanzengrabenpromenade, onde se pode fazer uma agradável caminhada. Na mesma década, a abadessa de Fraumünster foi promovida ao posto de duquesa e nomeou um prefeito. O poder político do convento diminuiu lentamente ao longo do século XIV a partir do estabelecimento do Zunftordnung (lei das guildas), em 1336, por Rudolf Brun, que se tornou o primeiro prefeito independente, ou seja, não indicado pela abadessa. Em 1351, os cidadãos de Zurique juraram lealdade perante os representantes dos cartões de Lucerna, Schwyz, Uni e Unterwalden, deixando de ser um estado independente e passando a fazer parte da Confederação da Suíça.

Cidade medieval, em 1576
Cidade medieval, em 1576 | Autor: Jos Muerer

Nos anos 1520, Huldrych Zwingli deu início à Reforma Protestante na Suíça quando era o padre da Grossmünster, o que resultou não apenas em mudanças para a igreja, mas também para a vida da sociedade. A catedral é parte importante da história, estando ali exposta a Bíblia de Zurique. Conflitos surgiram entre os cantões católicos e os reformados. Em 1648, Zürich se autoproclamou uma república, perdendo seu status de cidade imperial livre. Nesse tempo, o sistema político era uma oligarquia, em que algumas famílias proeminentes dominavam o restante da população. Era uma época de muitas guerras e uma terceira muralha foi construída nos séculos XVII e XVIII. O fosso que ficava junto à muralha deu origem ao Schanzengrabenpromenade, onde se pode fazer uma agradável caminhada.

Após vários conflitos e a formação do Estado Federal da Suíça, os cidadãos votaram a favor das Constituições Federais de 1848 e 1874. A enorme imigração de pessoas vindas do interior para a cidade a partir de 1830 criou uma classe industrial que, embora estivesse estabelecida em Zurique, não possuía os privilégios dos burgueses. Em 1860, as escolas, que até então só permitiam a admissão dos colonos com o pagamento de altas taxas, se tornaram acessíveis para todos. A partir de 1875, a residência por dez anos no local passou a dar direito a fazer parte da burguesia e, em 1893, onze distritos periféricos foram incorporados à cidade.

A praça Bahnhofplatz, em frente à estação Hauptbahnhof, em 1900
A praça Bahnhofplatz, em frente à estação Hauptbahnhof, em 1900 | Autor: desconhecido

O século XIX trouxe também diversos avanços para Zurique, como a construção da primeira linha férrea ligando a cidade a Baden. O atual prédio da estação ferroviária Zürich Hauptbahnhof data de 1871, pouco depois da abertura de uma das principais ruas da cidade atualmente, a Bahnhofstrasse. A bolsa de valores foi inaugurada nos anos seguintes e a industrialização levou ao aumento da imigração e rápido crescimento.

A construção do Quaianlagen, como é chamada uma série de estruturas às margens do lago, sob o comando de Arnold Bürkli, transformaram o local de uma pequena cidade medieval para uma atrativa e moderna Zurique. O engenheiro foi homenageado com o nome da Bürkliplatz, de onde saem os barcos que fazem o transporte de pessoas e bens entre as cidades da região. Nas décadas seguintes, outros distritos dos subúrbios foram incorporados a Zurique, hoje a maior cidade da Suíça.

Lago Zürich visto da torre da igreja
Lago Zürich visto da torre da Grossmünster

Atualmente, mais de 400.000 pessoas moram na cidade, dos quais cerca de 30% não possuem cidadania Suíça – desses, a maioria são alemães e italianos. A língua oficial é uma variação suíça do alemão, enquanto as línguas faladas variam entre diversos dialetos da mesma origem, além de idiomas de outros países. Em termos de religião, a população se divide quase que igualmente entre católicos romanos, protestantes e ateus.

A cidade é um importante centro financeiro do mundo, ficando atrás apenas de Londres no ranking europeu na lista de 2017. O setor mais importante da economia é o de serviços, que emprega cerca de 45% dos trabalhadores. Outras indústrias importantes são as de energia, maquinaria e têxteis, também tendo destaque o turismo. A maioria dos bancos suíços possuem suas bases na cidade. Zurique também é um destaque na área da educação, mídia, cultura e esportes, sendo um ótimo destino para quem quer conhecer o país, com um bem preservado centro histórico, museus, parques e diversos outros atrativos.

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