Centro histórico

Parnaíba – Centro histórico

Preciso ser sincero e dizer que eu não visitei Parnaíba pela sua parte histórica. Meu objetivo ali era fazer dois passeios pelo rio: o Circuito Canárias e o Circuito Revoada dos Guarás. Mas, como cada um deles tem duração média de quatro horas, sendo um de manhã e outro a tarde, eu achei que ficaria cansativo. Daí acabei ficando por dois dias e sobrou tempo para dar uma volta pelas redondezas.

Casa abandonada
Casa abandonada

A princípio, não parecia algo tão promissor, visto que eu já tinha conhecido as praias do litoral piauiense em Barra Grande e Luís Correia e só restava dar uma volta pelo centro mesmo, com aquele tanto de lojas, carros passando, visual poluído e muitas construções gritando por reformas. Eu estava na Pousada Vila Parnaíba, que tem uma ótima estrutura e eu recomendo bastante, mas havia algumas casas literalmente abandonadas no entorno. Essa eu achei particularmente interessante, com as plantas tomando conta da estrutura.

Arquitetura neoclássica
Arquitetura neoclássica

A parte mais legal dessa região foi o Porto das Barcas, a poucos metros de distância da pousada. A cidade em si surgiu ali, já que o local era usado para salgar carnes que seriam comercializadas com outros estados e até enviadas para o exterior. Posteriormente, foram construídos grandes armazéns, reformados recentemente para funcionar como um centro cultural e comercial.

Embarcação no porto
Embarcação no porto

É lá que ficam as agências de turismo que fazem os passeios pelo rio, embora seja importante notar que as embarcações saem de um outro porto, mais distante. Esse funciona mais como um ponto de encontro, embora tenha um novo píer. O espaço também conta com diversas lojas de artesanato, restaurantes, e bares, que ganham mais movimento a noite, quando a os turistas voltam da praia ou do rio. Inclusive, dá até mesmo para se hospedar por lá na Pousada Porto das Barcas, uma ótima opção para quem quer ficar no meio do agito.

Museu do Mar
Museu do Mar

Por fim, o complexo conta com o Museu do Mar, cuja exposição permanente reune um rico acervo sobre o trabalho e a vida dos pescadores da região, o meio ambiente e a importância de sua preservação, uma coleção de embarcações em tamanho real e uma linha do tempo da história local. Também há espaço para mostras temporárias, um teatro e área externa com um café.

Catedral de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça
Catedral de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça

Originalmente, a propriedade pertencia a Domingo Dias da Silva, responsável pela construção da Catedral de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça junto a Simplício Dias da Silva, seu filho e fundador da cidade. Os restos mortais de ambos encontram-se no templo, que conta com diversas sepulturas em suas grossas paredes. A construção se deu entre 1770 e 1795, substituindo uma estrutura menor, e foi feita com o trabalho e financiamento popular e dos líderes locais.

Altar da catedral
Altar da catedral

Seguindo o padrão das igrejas católicas, ela possui formato interno de cruz. As capelas laterais são do Santíssimo Sacramento e do Bom Jesus dos Passos. A decoração tem elementos interessantes, com diversos vitrais; pórtico, pia batismal e lavabo em mármore; e altar revestido com ouro. Não chega a ser impressionante ou mesmo muito bonita, mas vale a pena conhecer. Quando eu passei por lá a primeira vez, a igreja estava fechada, mas na volta encontrei as portas abertas e dei uma volta rápida lá dentro.

Igreja do Rosário
Igreja do Rosário

Não tive a mesma sorte com a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Negros, construída no século XVIII onde antes era uma senzala, em um canto mais escondido da praça. O trabalho foi feito pelos próprios escravos, que não podiam frequentar a catedral junto aos brancos. Infelizmente não pude ver por dentro, mas, na parte externa, já dá para perceber que é bem mais simples. Na rua de trás fica a Capela de Nossa Senhora de Monte Serrathe, construída em 1711.

Praça da Graça
Praça da Graça

Essas igrejas ficam ao redor da Praça da Graça, oficialmente inaugurada em 1917, mas já existente antes com o nome de Lagoa da Onça e, mais tarde, como Largo da Matriz. O local tem importância para a cidade e é usada como o marco zero para a contagem dos quilômetros das estradas vizinhas. É a típica praça de cidade do interior, sem grandes atrativos, mas que funciona como local de convivência e tem algumas partes curiosas, como um pequeno cercadinho onde são criados patos.

Bar Carnaúba
Bar Carnaúba

Em um dos cantos fica o Bar Carnaúba, que tem em seu nome a referência à “árvore da vida” que é tida como o símbolo máximo do estado. A estrutura foi projetada pelo arquiteto Gerson Castelo Branco há mais de cinquenta anos e possui troncos e palha de carnaúba. Ali, os moradores costumam se reunir para jogar dominó, dama, xadrez e baralho, além de colocar o papo em dia.

Casa com jardim
Casa com jardim

Saindo dali, dei algumas voltas pelas ruas do centro para observar as construções. Algumas estavam bem conservadas, como esse casarão com um belo jardim. Outras passavam por reformas ou estavam mesmo abandonadas. Sem planejamento, passei em frente ao Sesc Caixeiral e, como a construção me chamou a atenção e a porta estava aberta, resolvi entrar sem mesmo saber do que se tratava.

Sesc Caixeiral
Sesc Caixeiral

Ali estava acontecendo uma pequena mostra gratuita de sketchbooks, com desenhos criados com rabiscos, lápis, borracha, manchas, caneta, papel, tinta, notas e recortes, mostrando o cotidiano da cidade. Embora funcione prioritariamente como um rascunho de ideias dos artistas, essas obras revelam muito sobre seus pensamentos, olhares e sentimentos em registros espontâneos.

Praça Santo Antônio
Praça Santo Antônio

De lá, fui para a Praça Santo Antônio que, durante muitos anos, foi o principal ponto de encontro dos jovens da cidade. Nos meses de verão, quando voltavam à tarde da praia, eles paravam para se refrescar na Sorveteria Araújo, que ainda funciona no local. A praça abriga o Monumento do Centenário da Cidade, um obelisco inaugurado em 1944.

Igreja de Santo Antônio
Igreja de Santo Antônio

A Igreja de Santo Antônio encontra-se bem perto da praça, junto ao Colégio Nossa Senhora das Graças. Mais conhecido como Colégio das Irmãs, ele foi fundado em 1907 e é considerado uma das melhores instituições de ensino do país. Mantido pela Congregação dos Pobres de Santa Catarina do Sena, junta  a educação e aos ensinamentos católicos.

Colégio Nossa Senhora das Graças
Colégio Nossa Senhora das Graças

Como os portões do colégio estavam fechados, também não dava para entrar na igreja. Outro monumento próximo é o Centro Cívico, projetado pelo engenheiro Régis Athayde Couto com um panteão, onde se encontram as pirâmides, o prisma e a pira. Na parte frontal, ficam os mastros para o hasteamento das bandeiras do país, do estado e da cidade, usados nas solenidades.

Igreja Matriz de São Sebastião
Igreja Matriz de São Sebastião

A Igreja Matriz de São Sebastião encontra-se um pouco mais distante, mas dá para ir a pé. O convento foi inaugurado em 1949, construído para abrigar a Sede Estudantado de Teologia da Custódia e abrigou diferentes instituições educacionais ao longo das décadas. Ali são realizadas catequeses, crismas, eucaristias, casamentos, batizados e ainda funciona uma escola de educação infantil e a liga do pão dos pobres.

Parte interna da matriz
Parte interna da matriz

Como estava tendo missa, passei rapidamente pela parte interna e não tirei  muitas fotos para não atrapalhar. Ao lado da igreja, fica a Praça Terra Santa, que tem esculturas que reproduzem passagens bíblicas. Acho que seria mais interessante se fosse um parque extenso, pois ali há interferência visual e de barulhos da cidade.

Praça Terra Santa
Praça Terra Santa

Como já tinha explorado bastante e o calor estava intenso, dei por encerrado meu passeio pelo centro histórico de Parnaíba que, embora não seja imperdível, foi interessante para complementar minha visita à cidade. Recomendo dar uma olhada no mapa interativo abaixo para traçar seu próprio roteiro.

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