Porto das Barcas

Parnaíba – Porto das Barcas

Durante a minha breve estadia em Parnaíba, eu passei por esse interessante complexo cultural que concentra um museu, áreas para a realização de eventos, lojas de artesanato, agências de turismo, restaurantes e hospedagem, além de belas vistas do rio. Inclusive, foi lá que eu reservei os meus passeios pelo Delta do Parnaíba, um dos principais atrativos da região.

Porta azul
Porta azul

Importante notar que esse não é o porto de onde saem os barcos dos passeios mais procurados no delta. Estou falando do conjunto arquitetônico que fica às margens do Rio Igaraçu, bem ao lado da Ponte Simplício Dias, que liga o continente à Ilha Grande de Santa Isabel. É nessa ilha, a cerca de onze quilômetros de distância, que fica o Porto do Tatu. Dá para ir até lá por conta própria com um carro alugado ou no transfer oferecido pelas agências e, então, pegar a embarcação para o Circuito Canárias e o Circuito Revoada dos Guarás.

Vale a pena dar uma olhada no mapa interativo acima para entender melhor a localização de cada porto e não se confundir na hora de fazer o tour. Resumidamente, o Porto do Tatu é de onde saem os passeios pelo delta, enquanto o Porto das Barcas é um centro cultural de grande importância histórica. O local começou a ser ocupado em 1758, quando funcionou como uma charqueada, área da propriedade rural onde as carnes são salgadas e desidratadas.

Embarcação no porto
Embarcação no porto

O espaço pertencia a Domingo Dias da Silva, português também ligado à construção da Catedral de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça. Junto com outros produtores, ele iniciou as atividades agrícolas e comerciais na região, fazendo negócios com vários estados e até mesmo importações e exportações com países europeus. A economia se expandiu rapidamente, fazendo com que o local recebesse o nome de Porto das Barcas ainda no século XIX.

Parque das Ruínas
Parque das Ruínas

Mas foi somente no século seguinte que o porto começou a ganhar a estrutura atual com a construção de grandes armazéns para estocar, além das carnes, produtos de origem vegetal com o beneficiamento da cera de carnaúba e outras matérias primas locais, gerando óleos alimentícios e industriais, ceras para assoalho, velas de iluminação, glicerina, sabões e sabonetes, ácidos graxos, gordura de coco e outros. O declínio só viria a partir de 1940, devido à uma crise internacional, fazendo com que o local perde-se sua função original.

Loja de artesanato
Loja de artesanato

Os edifícios passaram recentemente por reformas e readequações e, quando eu fiz o passeio, em 2021, haviam sido reinaugurados há poucos meses. Foram dez mil metros quadrados de construções recuperadas desde a estrutura, cobertura, pavimentação, esquadrias, pinturas e instalações, até a construção de um novo píer para a volta das embarcações que saem em direção aos atrativos turísticos. Atualmente, o complexo conta com ateliês, biblioteca, museografia, bares, restaurantes e várias lojas de artesanato.

Museu do Mar
Museu do Mar

Na mesma ocasião foi inaugurado o Museu do Mar do Delta do Parnaíba, criado para comportar acervo baseado em pesquisas sobre a região. A exposição permanente está dividida três seções que incluem: os habitantes e suas atividades; a natureza e sustentabilidade; a tecnologia náutica; e a linha do tempo da cidade. Além disso, há duas galerias para mostras temporárias, um teatro com capacidade para quarenta pessoas e a área externa, onde funciona o Tangerina Café e podem ser realizados eventos. O conjunto do porto ainda comporta a Associação Comercial e Industrial de Parnaíba e a Federação do Comércio.

Pôr-do-sol no rio
Pôr-do-sol no rio

Como eu estava hospedado na Pousada Vila Parnaíba, que fica ali pertinho, acabei indo ao porto em diferentes ocasiões e horas do dia. Vale a pena passar por lá na hora do pôr-do-sol, já que a vista é privilegiada. Também é nesse horário que o movimento começa a aumentar, já que as pessoas que estavam passeando ou curtindo a praia voltam para a cidade.

Restaurantes e bares
Restaurantes e bares

Quem quer ficar pertinho, ou, melhor dizendo, dentro do próprio complexo, pode optar por se hospedar na Pousada Porto das Barcas. As acomodações são para até quatro pessoas e podem ser consideradas simples, mas estão bem conservadas e oferecem tudo o que se precisa durante a estadia, incluindo camas confortáveis, banheiro privativo, ar-condicionado, televisão, internet gratuita e buffet de café da manhã. Além disso, basta descer para comer em um dos bares e restaurantes a noite.

Dr. Camarão Gastrobar
Dr. Camarão Gastrobar

Eu escolhi Dr. Camarão Gastrobar, que tem um amplo salão com mesas voltadas para o rio. Além de ficar olhando o rio, a temperatura noturna é bem mais agradável. Ali são servidos diversos drinks e bebidas, incluindo produtos típicos da região. Para comer, tem desde petiscos até refeições completas. Para conferir o cardápio completo, bem como os horários de funcionamento e a agenda de eventos, recomendo acessar a página oficial.

Arquitetura neoclássica
Arquitetura neoclássica

Mesmo para quem não tem um objetivo específico, como reservar passeios, fazer compras ou comer, vale a pena visitar o Porto das Barcas pela sua arquitetura. É possível ver algumas partes em ruínas do que foi o porto, enquanto a maior parte de seus antigos armazéns, prédios da alfândega, cais, pátios e becos estão totalmente renovados. As fachadas são em estilo neoclássico, a estrutura e os telhados usam madeira da carnaúba e as grossas paredes foram erguidas com pedras unidas com pó de ostras e óleo de baleia. Felizmente, as construções encontram-se bem conservadas após quase trezentos anos.

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