Conheça a história

Catas Altas – Senta que lá vem história

Muitas pessoas visitam essa cidade para conhecer o santuário ou fazer trilhas pela serra, mas eu também fiquei curioso para saber um pouco de sua história. Situada aos pés das montanhas, a comunidade foi formada a partir do final do século XVII, após o descobrimento do ouro, como é comum em Minas Gerais. Embora não existam muitos registros sobre essa fase, a fundação do arraial é atribuída a um bandeirante português, em 1703.

Montanhas da serra
Montanhas da Serra do Caraça

O nome de Catas Altas vem justamente da exploração dos minerais, mais especificamente no alto dos morros. Quando se pensa no garimpo, a palavra “catas” faz referência à busca e extração das riquezas, literalmente do verbo catar. Quando o ouro começou a diminuir no leito dos rios e córregos, o povo passou a dizer que “as catas estão em lugares mais altos” e frases semelhantes. Nessa região, as minas mais ricas e produtivas se encontravam nas partes superiores da serra, então o termo acabou pegando.

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição
Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição | Autor desconhecido

Não demorou a ser construída uma pequena capela, cujo primeiro registro de batismo data de 1712. Com o crescimento da população, ela foi substituída pela atual Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, pertencente à segunda fase do barroco. As obras foram iniciadas em 1729 e duraram até a década de 1780, mas o interior ficou inacabado. Isso permite aos visitantes conhecer as diferentes etapas da ornamentação e torna a igreja uma das mais importantes do Brasil nesse estilo arquitetônico. Ali estão obras atribuídas a Aleijadinho, Mestre Ataíde, Francisco Vieira Servas e outros.

Igreja Nossa Senhora do Rosário
Igreja Nossa Senhora do Rosário | Autor desconhecido

Pouco depois foi construída a Igreja Nossa Senhora do Rosário, que tem seus primeiros registros datados de 1739. Na porta aparece o ano de 1862, provavelmente se referindo a uma posterior reforma. É uma estrutura bem mais modesta que a da matriz, com paredes de pau-a-pique sobre alicerces de pedra e cunhais revestidos de massa com embasamento em cantaria aparente. Além disso, não possui torres e a arquitetura é simples, formada por dois retângulos. Como se pode imaginar, o espaço era reservado aos negros e escravos, alguns deles sepultados no local. A ornamentação é da segunda fase do barroco e o teto é pintado em tons de vermelho e marrom escuros.

Capela de Santa Quitéria
Capela de Santa Quitéria | Autor desconhecido

Outro templo católico relevante é a Capela de Santa Quitéria, que fica no alto de uma colina e foi construída em 1728 por Paulo de Araújo de Aguiar, provavelmente o dono do terreno, com a ajuda financeira dos devotos da comunidade. Assim como a anterior, ela costuma ficar fechada e só pode ser visitada com agendamento prédio, mas vale a pena passar na frente para ver a fachada com formato diferente, além de ter uma boa vista da cidade e da região.

Bicame de Pedra
Bicame de Pedra

Em 1792, pessoas escravizadas ergueram o Bicame de Pedra, um aqueduto que levava água da serra para a atividade da extração e lavagem do ouro. Depois que a intensa exploração ocasionou o esgotamento das minas, o povoado ficou praticamente abandonado. O destino mudou, em 1868, com a chegada de um novo vigário, o Monsenhor Manuel Mendes Pereira de Vasconcelos. O padre foi o responsável por ensinar os moradores a plantar videiras, podar e colher nas épocas corretas, esmagar as uvas, esperar a fermentação e armazenar adequadamente para a produção de vinho, que ganhou destaque nacional. Pouco depois, passou-se também a fazer o vinho de jabuticaba.

Santuário visto do mirante
Santuário do Caraça

Nessa mesma época, um grande terreno próximo foi comprado por um religioso, que construiu outra pequena capela barroca e uma casa de hospedagem para os peregrinos que dariam origem ao Santuário do Caraça. Após sua morte, a estrutura foi transformada em um colégio para garotos, que se tornou uma das mais tradicionais instituições de ensino do país. Entre 1820 e 1968, estima-se que mais de dez mil alunos passaram pelo local. As atividades foram encerradas após um incêndio e parte das ruínas foi ocupada  por um museu, biblioteca e centro de convenções.

Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens
Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens

Em 1876, a estrutura da capela já não era suficiente para atender à quantidade de fiéis que visitavam o local e foi substituída pela Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, a primeira no país em estilo neogótico. Não foi usada mão de obra escrava no empreedimento, que contou com trabalhadores imigrantes portugueses e espanhóis. Já a matéria prima era local: pedra sabão, mármore o quartzito retirados da serra e de cidades próximas, unidas usando um produto a base de cal, pó de pedra e óleo.

Altar principal
Altar principal

Além de sua grandiosidade, o templo possui como destaques: a imagem barroca talhada em madeira de Nossa Senhora Mãe dos Homens, que chegou de Portugal no ano de 1784; o corpo preservado de São Pio Mártir, o primeiro de um santo a vir para terras brasileiras, em 1797; a Santa Ceia de 1828, pintada por Manuel da Costa Ataíde, também responsável pelos altares laterais, originalmente pertencentes à capela, e outras obras; os vitrais franceses que representam passagens bíblicas, tendo sido o central doado por Dom Pedro II em sua visita ao santuário; e o órgão com 628 tubos portugueses, franceses e de madeira local, inaugurado junto à igreja.

Esculturas do calvário
Esculturas do calvário

Também é possível visitar as catacumbas onde estão enterrados os restos mortais de religiosos que moraram no local e de alguns estudantes ilustres. Outros pontos chamam bastante a atenção, como o bem cuidado jardim que fica em frente à igreja e tem uma bela vista das montanhas, e o calvário com esculturas de Jesus, Maria e São João, além dos passos da via crucis. O santuário ganhou tal importância que foi visitado pelos imperadores Dom Pedro e Dom Pedro II, mas não apenas pelo seu complexo arquitetônico.

Quedas da Cascatinha
Cachoeira da Cascatinha

Muitos turistas também visitam a propriedade pelos seus atrativos naturais, com trilhas que levam a cachoeiras, grutas, lagos, mirantes e até mesmo outras construções, como uma capela e um oratório. Quem faz uma visita mais rápida geralmente opta conhecer a Cascatinha, uma das mais procuradas justamente pela facilidade de acesso. Apesar do nome no diminutivo, a cachoeira é formada por quatro quedas d’água, cada uma com sua própria piscina natural, totalizando quarenta metros de altura.

Praça Monsenhor Mendes
Praça Monsenhor Mendes | Autor desconhecido

Embora atraia visitantes que buscam seu viés religioso e de aventura, a principal fonte de renda ainda é mineração de ferro. A atividade causou grandes danos ao longo dos anos, já que o controle ambiental ainda é recente. Ainda assim, a região está bem conservada e encanta pela imponência da Serra do Caraça. A economia tem no turismo uma alternativa de renda e sustentabilidade, além da fabricação e venda de bebidas, artesanatos e outros produtos locais.

Reservar hotel na cidade

O distrito conquistou sua emancipação de Santa Bárbara somente em 1995, que fica a cerca de dezesseis quilômetros de distância. Na minha primeira visita ao local, optei por me hospedar na Pousada Capão da Coruja, que fica na comunidade de Brumal, área rural da cidade. Mas quem busca conhecer a região também tem a opção de ficar Catas Altas, que conta com algumas opções de hospedagem, incluindo ótimas pousadas na parte central.

O mapa interativo acima mostra os atrativos que já visitei ou citei em nas postagens, incluindo a arquitetura colonial, destinos naturais e bons restaurantes. Para ver mais detalhes, basta aproximar com o zoom. Já os pontos mais distantes podem ser visualizados afastando a imagem.

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