Lugano vista do Monte Brè

Lugano – Monte San Salvatore

Quando você estiver em Lugano, você certamente irá enxergar esse monte de diversos pontos da cidade. Isso porque ele está situado a poucos passos da parte oeste da cidade e chega a uma altitude de 912 metros acima do nível do mar. Eu escolhi a minha hospedagem no ibis budget Lugano Paradiso para ficar estrategicamente perto do monte, que eu já considerava um passeio imperdível durante as minhas pesquisas prévias sobre a Suíça, e do Lago di Lugano.

Devido à sua proximidade e fácil acesso, o Monte San Salvatore, considerado o Pão de Açúcar da Suíça, é o lugar ideal para quem está visitando a cidade e quer ter uma bela vista da paisagem local. Ou talvez você prefira se aventurar pelas trilhas de suas encostas densamente arborizadas.

Estação do funicular
Estação do funicular

Para mim, o passeio começou com o famoso funicular que leva até o topo da montanha em apenas doze minutos. Ele funciona de março a novembro, ou seja, fecha no inverno. As saídas são a cada trinta minutos, então recomendo que você chegue à estação um pouco antes da partida para não perder muito tempo esperando pelo próximo. Lembre-se que você precisará de alguns minutos para comprar o ingresso. Os horários e preços podem ser conferidos na página oficial. É importante destacar que o serviço não funciona no inverno.

Bilhete de ida e volta do funicular
Bilhete de ida e volta do funicular

Eu tinha o Swiss Travel Pass e, por isso, paguei metade do valor no bilhete de ida e volta. É importante que você guarde o ticket porque será necessário ler o código de barra também no momento da volta.

Outra razão para chegar um pouco antes do momento de partida e, preferencialmente, nos primeiros horários da manhã, é conseguir pegar um bom lugar. O ideal é ficar no primeiro banco, mais abaixo, e fazer o trajeto em pé, junto à barra de proteção. Assim ninguém estará na sua frente e você irá aproveitar melhor a vista proporcionada pelo passeio.

Subida do funicolar
Subida do funicolar

A subida percorre 1.660 metros de trilhos e é dividida em duas sessões. A primeira delas, no começo da subida, possui uma inclinação leve. Já a segunda é bem mais intensa e, a partir desse trecho, você enxerga a paisagem dos vidros panorâmicos que ficam no teto. Devido a essa diferença de graduação, os carros possuem diferentes características físicas, mas com a mesma capacidade de pessoas. Geralmente quando chega na metade do caminho, ao desembarcar do primeiro funicular e embarcar no segundo, as pessoas se mantém nos mesmos lugares em que já estavam antes.

Desde a sua construção, em 1888, a unidade de acionamento e o quarto do motor se localizam na estação que fica no meio do caminho. Os trilhos não são eletrificados e os dois carros são conectados a um único cabo de 1650 metros de extensão e 33 mm de diâmetro que fornece energia para os motores. Essa configuração é, atualmente, única no mundo para ferrovias desse tipo. A casa do motor também possui uma unidade movida a óleo diesel que permite operar o funicular a uma velocidade reduzida em caso de queda de energia.

Para quem preferir e tiver forças para subir o monte a pé, a caminhada deve durar cerca de duas horas até o topo.

Vista do Capodoro
Vista do Capodoro

Ao chegar no topo do monte, uma das primeiras coisas que você irá ver é o Ristorante Vetta, que serve uma comida sofisticada da gastronomia mediterrânea, com produtos saudáveis e frescos, em sua área interna, na varanda ao ar livre no terraço. A capacidade total é de 200 pessoas. Eu nem considerei comer lá porque fiz esse passeio imediatamente após tomar meu café da manhã. Para quem tiver interesse, o menu completo está acessível na página oficial. Além disso, eles servem um prato do dia, que pode ser adquirido por preço promocional junto com o bilhete do funicular. O que eu quero destacar mesmo é que, ao lado desse restaurante, há uma escada que desce e dá acesso ao Capodoro, um terraço voltado para o sul de onde se tem uma bela vista e dá até para ver Milão, ali no fundo, entre dois montes. O legal desse mirante é que o acesso é muito fácil e também há banheiros.

Indicações de trilhas
Indicações de trilhas

Uma boa alternativa para quem quer fazer uma trilha no monte é subir de funicular e, a partir do topo, iniciar uma das várias opções de caminhada. Perto do desembarque há uma placa indicando os caminhos, tempo previsto e as opções de transporte no lugar de chegada. Se eu tivesse ficado um dia a mais na cidade, certamente teria feito o trajeto até Morcote, que fica bem ao sul, onde o lago faz uma curva e divide a Suíça e a Itália.

Aqueles com mais experiência e em busca de um passeio mais radical podem, com os equipamentos adequados, escalar a Via Ferrata. Trata-se de uma rota subida pelas rochas com elementos fixos como cabos, escadas, estacas e postes de ferro. Também fiquei tentado a me aventurar por lá, obviamente acompanhado por um bom guia.

Mas também há opções de atividades interessantes para quem não quer se aventurar tanto. O museu, a igreja e a trilha natural são de fácil acesso e rendem um ótimo passeio, com diversos pontos para apreciar a paisagem.

Monte San Salvatore
Monte San Salvatore

É interessante conhecer como se formou o monte. Essa famosa elevação surgiu num remoto mar, em um local que era muito similar ao encontrado atualmente no arquipélago das Bahamas. No início do período Triássico, há 245 milhões de anos atrás, as águas do mar começaram a avançar e invadir as costas do velho e único continente existente à época: Pangea. Esse ambiente inundado possuía um clima tropical quente e um mar raso, com a luz do sol alcançando seu fundo. A temperatura era bastante favorável para os organismos marinhos como os corais, o que contribuiu para a formação de corais de recifes. Quando as algas, esponjas, ouriços e moluscos, que viviam nesses recifes, morriam, eles deixavam suas conchas e esqueletos. Esse enorme depósito alcançou centenas de metros de espessura. Isso, é claro, parece bastante paradoxal, se você parar para pensar que o mar tinha a profundidade de poucos metros. Entretanto, o que fez com que isso fosse possível foi o extraordinário peso desses sedimentos que, à medida que cresceu, causou o afundamento da crosta terrestre. A grande pressão exercida pelas camadas de sedimentos, uma em cima da outra, deu origem à rocha do San Salvatore. Depois, quando a placa da África continental se moveu para o norte e, a cerca de 40 milhões de anos atrás, as bordas das duas placas se chocaram violentamente uma conta a outra, a agitação e sobreposição das rochas do fundo do mar deram origem à cadeia de montanhas dos Alpes. Durante esses eventos, o Monte San Salvatore emergiu das águas.

Museo San Salvatore
Museo San Salvatore

Evidências dessa origem podem ser vistas dentro do Museo San Salvatore, que fica no topo do monte, no espaço dedicado a rochas, minerais e fosseis. O museu, inaugurado em 1999, ocupa o lugar de uma antiga casa de repouso, usada desde a sua construção no final do século XVII como abrigo para os pobres e viajantes que peregrinavam para visitar a Chiesa di San Salvatore, além de tratamentos espirituais da confraria e de qualquer eremita que quisesse passar por lá. Com dois andares, o museu possui exibições de objetos de arte religiosos, geologia, espeleologia e raios. As informações do funcionamento podem ser encontradas na página oficial.

Chiesa di San Salvatore
Chiesa di San Salvatore

Logo acima do museu, no ponto mais elevado do San Salvatore, encontra-se uma pequena igreja. Em 1213, o Bispo de Como, Senhor e Mestre de Vallugano, primeiro de seu nome, libertador de escravos, pai de dragões vendeu sua propriedade em Ciona e a montanha antigamente conhecida como Bellenio para o Capitolo di San Lorenzo, em Lugano. Nesses tempos, já existia uma pequena capela no topo da montanha dedicada a San Salvatore. Os cânones de San Lorenzo logo a transformaram em uma pequena igreja. Durante a Festa da Ascensão de 1680, a propriedade foi passada para a Confraternita di S. Marta e della Buona Morte. Após 23 anos, eles decidiram demolir a igreja original e construir uma nova. A estrutura atual da Chiesa si San Salvatore, datada de 1719, foi enriquecida e embelezada ao longo dos últimos séculos. Em 1900, por exemplo, ela recebeu uma grande cruz feita de ferro, testemunha histórica da importância da montanha para a Direzione della Funicolare e à presença da Confraternita di S. Marta e della Buona Morte.

Subida para o terraço da igreja
Subida para o terraço da igreja

Se você der a volta na igreja, vai ver uma placa indicando uma entrada e com o escrito terraza panoramica. A escada dá acesso ao teto da igreja, onde há um terraço com vista de 360°. A subida pode ser um pouco vertiginosa para quem tem medo de altura, pois uma parte da escada fica para o lado de fora da construção. Mas vale muito a pena subir porque as fotos lá de cima ficam lindas.

Vista de cima da igreja
Vista de cima da igreja

Na foto acima, além do detalhe do teto da igreja e a cidade de Lugano, é possível ver o Monte Brè à direita. Depois desse passeio no San Salvatore, eu fiz um tour de barco com almoço pelo Lago di Lugano e ainda deu tempo de subir o Monte Brè. Isso é para você ter noção do quanto pode render um dia de passeio na cidade – algumas pessoas fazem um bate e volta a partir de Milão, na Itália. A viagem de trem entre as duas cidades dura pouco mais de uma hora. Eu até pensei em ir lá, mas não dava tempo e o foco era realmente conhecer a Suíça.

Torre de telecomunicações
Torre de telecomunicações

Perto da igreja fica uma alta torre do Centro Emittente del Monte San Salvatore. A estação foi construída em 1957, incialmente para a transmissão da programação da Swiss Television. Agora há vários serviços de telecomunicação presentes no local, incluindo rádio, televisão, telefonia e serviços de emergência. Fui até ela por curiosidade, mas não há nada de muito especial para ser visto ali.

Percorso naturalistico
Percorso naturalistico

A última coisa que eu fiz foi uma pequena trilha identificada nas placas como Percorso Naturalistico. É uma trilha no meio do mato com algumas marcações nas árvores e canteiros que indicam espécies de plantas e flores. É preciso andar com algum cuidado porque há muitas pedras soltas e raízes de árvores pelo caminho, mas não tem muita dificuldade. No caminho, você passa por alguns pontos panorâmicos voltados para a cidade e para o lago. Eu fiz só um pedaço do percurso, que tem 2 km para ida e volta, porque nem todo mundo animou de ir e eu não queria deixar ninguém esperando.

Funicular no topo do monte
Funicular no topo do monte

Depois disso, foi só fazer o caminho de volta para o funicular e embarcar para a descida. Como eu disse anteriormente, é preciso ter o bilhete em mãos para passar pela catraca. Reparem como é inclinado o carro que faz o trajeto superior. Eu adorei!

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