Porta azul

Parnaíba – Senta que lá vem história

Quando eu estava traçando meu roteiro pela região, resolvi passar alguns dias em Parnaíba para aproveitar com mais calma os passeios pelo rio e acabei conhecendo um pouco melhor a história da cidade, seja caminhando pelo centro repleto de construções antigas, seja pela visita ao Museu do Mar.

Mapa do Brasil
Mapa do Brasil

Foi justamente a presença de um delta em mar aberto, funcionando como porta de entrada para um grande rio navegável, que atraiu navegadores para essa região. Existem registros anteriores da importância do Rio Parnaíba e seus afluentes, mas pesquisas históricas revelam que as primeiras incursões teriam acontecido por volta de 1606, quando o atual estado do Piauí servia como ponte de ligação entre as terras de Pernambuco e Maranhão.

Mandu Ladino em pintura de Marcos Carocas
Mandu Ladino | Pintura: Marcos Carocas

Somente a partir do século XVII a área começou a ser ocupada pelos colonizadores, principalmente para a fundação de fazendas de criação de gado. A época foi marcada pelos conflitos com diferentes tribos indígenas, que viviam no litoral ou em aldeias próximas a vales férteis dos rios e lagos. Com  a expansão dos negócios e a evangelização, esses povos acabaram sendo deslocados cada vez para mais longe, além de perder seus modos de vida e cultura. Dessa época, destaca-se a Revolta de Mandu Ladino, ocorrida entre 1712 e 1719, que leva o nome do índio que comandou a resistência à dominação dos colonos.

Antiga vila
Antiga vila

A carne e o couro eram extraídos e trabalhados em charqueadas e curtumes para a comercialização com outros estados brasileiros e a exportação para países europeus. Em 1761, é fundada a vila de São João da Parnaíba, transferida no fim da década para o Porto das Barcas. Apesar de ser considerada insalubre pelo abate de animais ao ar livre, às margens do Rio Igaraçu, o local era economicamente promissor devido à sua localização geográfica, com saída para o Oceano Atlântico e existência já consolidada de estabelecimentos comerciais, armazéns e instalações fabris. Ela seria elevada à condição de cidade em 1844, se consolidando como um dos principais pontos comerciais do estado.

Arquitetura neoclássica
Arquitetura neoclássica

Conhecido popularmente como Porto Salgado, o local contava com galpões portuários construídos em alvenaria de pedra e argamassa de cal. Ali eram armazenados produtos como charque (carne salgada), couro, pele, algodão e sementes. Mas não havia um órgão fiscalizador por lá e os impostos eram recolhidos em São Luís, ocasionando o aumento dos preços. Embora tenha sido autorizada e estabelecida no início do século XIX, a Alfândega de Parnaíba só começou a operar em 1834, fazendo o registro de cargas e embarcações, cobranças e outras transações.

Embarcação no porto
Porto das Barcas

Para supervisionar as navegações, fazer o salvamento marítimo e erguer sinalizações náuticas, foi criada a Capitania dos Portos em 1855. Nessa década deu-se início ao transporte regular de produtos e passageiros em barcos a vapor. Já em 1873, foi construído o Farol da Pedra do Sal, estrutura que fica sobre as rochas da praia de mesmo nome e conta com uma habitação para os faroleiros. No século seguinte, quando também chegou à cidade a linha ferroviária, destaca-se a exportação de produtos de origem vegetal com o beneficiamento da cera de carnaúba e outras matérias primas locais, gerando óleos alimentícios e industriais, ceras para assoalho, velas de iluminação, glicerina, sabões e sabonetes, ácidos graxos, gordura de coco e outros.

Barra Grande, transfer de parnaíba
Praia de Itaqui

Entre as décadas de 1940-60, o litoral do Piauí já era frequentado pela elite.  Em 1971, foi inaugurado o Aeroporto de Parnaíba, que foi crescendo ao longo dos anos e hoje recebe voos nacionais e internacionais, facilitando muito a chegada na região. Mas o turismo ganha força mesmo no final do século XX com a construção e ampliação de bares, restaurantes, pousadas, hotéis, casas de veraneio, estruturas de lazer e iluminação. Atualmente, existem muitas opções de hospedagem em Luís Correia, cidade vizinha bastante frequentada nos meses de férias para banhos de mar.

Dunas do Morro do Meio
Dunas no Delta do Parnaíba

Nessa mesma época, com políticas de desenvolvimento do turismo na região, incluindo a criação e divulgação da Rota das Emoções, o rio também passou a ser um importante atrativo. A cidade de Parnaíba tem sido uma das principais vias de acesso para conhecer praias, dunas, florestas, manguezais, animais silvestres e comunidades tradicionais ao longo do Delta do Parnaíba. Eu fiquei hospedado na Pousada Vila Parnaíba, que é bastante agradável e perto dos principais pontos turísticos, mas há diversas outras opções de hospedagem em Parnaíba.

Pesca do caranguejo
Pesca do caranguejo

A chegada de um número maior de visitantes, a implementação de políticas públicas voltadas ao setor pesqueiro, a preocupação com a preservação ambiental, a realização da pesca industrial e o advento de embarcações e instrumentos mais sofisticados ocasionou mudanças na pesca artesanal. A atividade é passada de uma geração para a outra e é importante fonte de renda para as populações costeiras, sendo complementada, muitas vezes, pelo artesanato.

Energia eólica
Energia eólica

Em 1996, foi criada a Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba, que regula o uso sustentável dos recursos naturais. Dois anos depois, foi colocado em prática o projeto de irrigação de uma área de 800 hectares para a produção de frutos orgânicos como acerola, melancia, caju, abacaxi, banana, goiaba e outros. Eles são vendidos in natura ou transformados em polpa, frutas desidratadas e outros produtos destinados ao mercado interno e exportados para outros continentes. Também estão sendo feitos investimentos na produção de energia eólica.

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