Gêiseres del Tatio

San Pedro de Atacama – Géiseres del Tatio

O passeio para os gêiseres é um dos mais interessantes da região porque não é em qualquer lugar que você vai ver brotar da terra jatos de água fumegantes e vapores. Mas não vá com muita sede ao pote: por estar em uma altitude aproximada de 4.300 metros acima do nível do mar, esse passeio deve ser feito quando seu corpo já estiver devidamente aclimatado. Fiz uma postagem sobre como evitar ou diminuir os efeitos do mal de altitude e um dos pontos mais importantes é deixar esses passeios em locais mais altos para os últimos dias de estadia em San Pedro de Atacama.

Outro ponto importante é observar o que deve ser levado para esse passeio pois, se você não estiver com roupas adequadas, não vai conseguir aproveitar nada do que o tour tem para oferecer. É importante levar muita roupa de frio: blusa e calça segunda pele, jaqueta (de preferência corta vento), luva, touca, cachecol, sapato fechado, tudo mesmo. Se chegar lá e você decidir não usar, fica em uma sacola no carro, não tem problema. Mas tem que levar. O passeio também inclui a visitação a uma terma com águas quentes, então é bom já ir vestido com roupa de banho, toalha e cueca/calcinha/sutiã ou o que você quiser usar depois de tirar a roupa molhada. Também não pode esquecer o protetor solar: não importa a temperatura, a incidência do sol é muito forte e vai queimar a sua cara. Por último, como em todos os passeios, não se esqueça de ter contigo um litro de água por pessoa e lanchinhos extras.

Nascer do sol em El Tatio
Nascer do sol em El Tatio

A hora de saída varia de acordo com a estação, podendo ser às 4 da manhã ou um pouco mais tarde, dependendo da época. Ou seja, você vai ter que acordar ainda antes disso para se arrumar (ou pode já dormir de roupa e tudo, quem nunca). Além disso, o destino está a mais de 4.000 metros acima do nível do mar então, mesmo no verão, pode se preparar para temperaturas próximas ou abaixo de zero. Assim como os outros passeios de San Pedro de Atacama, o tour não inclui o pagamento da entrada, que é definido e cobrado pelas comunidades locais. O guia recolhe o dinheiro e faz o pagamento enquanto você pode aproveitar para ir ao banheiro. O nascer do sol será visto no caminho ou já no local. A partir daí, começa a esquentar um pouco e você se sente mais à vontade.

O campo geotérmico El Tatio é o terceiro maior do mundo, contando com 40 gêiseres, 60 termas e 70 fumarolas distribuídos em uma extensão de 3km2. Essas erupções são causadas pela passagem de águas subterrâneas sobre um campo de lava que, ao se encontrarem, produzem enormes colunas de vapor e gases que são liberados por fissuras no solo, chegando a até 10 metros de altura.

Pedras marcam até onde você pode andar
Pedras marcam até onde você pode andar

O vapor e a água quente afloram do interior da terra em fenômenos conhecidos como manifestações termais de superfície. Existem múltiplas variedades dessas manifestações, mas as expressões mais conhecidas são mananciais, gêiseres e fumarolas. Por se tratarem de fenômenos ativos e com temperaturas que superam os 80°C, é recomendado caminhar com precaução e respeitar os limites determinados pelas pedras no solo. Dizem que já morreu gente queimada lá. Além disso, o guia nos orientou a não ficar respirando os vapores, já que eles contêm substâncias tóxicas.

Piscina termal
Piscina termal

Com o sol já devidamente aquecendo nossos corações corpos e a temperatura em grau positivo (ou não), seguimos para a piscina termal que faz parte do mesmo complexo. Ao lado da piscina há vários provadores onde é possível se trocar mas, para facilitar, já vai com com a roupa de banho que isso agiliza o processo. Não há armários, então é bom ficar de olho em onde você deixa seus pertences, principalmente se estiver com câmera ou celular – nunca se sabe.

Algumas pessoas preferem não entrar, como era de se esperar, mas eu acho que vale a pena para ter a experiência completa do passeio. Mesmo porque, não há nada mais para se fazer enquanto o guia e o motorista preparam o café da manhã. Apesar de grande, a água da piscina só estava realmente quente nesse espaço em que todo mundo se juntou – porque era dali que brotava a água, não era por causa de xixi coletivo ou coisa assim.

O guia recomenda não ficar muito tempo na água – algo sobre os componentes químicos ou a temperatura fazer mal. Difícil é sair com a temperatura externa fria e batendo vento, então deixe as suas coisas estrategicamente colocadas e não se esqueça da toalha. Daí é sair correndo e ir para um dos provadores se secar, trocar de roupa e ir tomar o café da manhã.

Café da manhã
Café da manhã

Perceba que o café da manhã só é servido nesse momento, depois que você já viajou pelo trajeto de quase 80 km (duas horas de viagem), visitou os gêiseres e entrou na piscina. Quando eu digo que tem que levar um lanchinho para beliscar no caminho, eu estou falando muito sério – é para não morrer de fome.

Mas a espera compensa porque eles fazem um café da manhã bem gostoso com chá, café, leite, suco, pão, biscoitos e, o melhor: sanduiches quentinhos grelhados e recheados com presunto e queijo e panquecas feitas na hora que você pode comer com doce de leite.

Você consegue encontrar as vizcachas?
Você consegue encontrar as vizcachas?

Além do campo geotérmico, o guia aproveita o trajeto para mostrar alguns dos animais que habitam o local, explicando sobre as suas características e tal. O que a gente mais encontra são vicuñas e llamas perto da estrada, mas também é possível observar alguns pássaros e vizcachas, que parecem uns coelhos com rabo de rato que se camuflam tão bem na paisagem que você vai “cagar tijolos” quando conseguir ver um. Do tipo: tem duas ou três vizcachas na foto acima, mas você não vai identificá-las porque só é possível enxergar quando elas se movimentam. Além dos animais, paramos para tirar fotos da paisagem e algumas plantas e o guia explicou (e nos fez experimentar) a rica-rica, uma erva meio apimentada da qual se faz um chá bom para o estômago, sorvete e pisco sour. Também vimos muitos cactos e coisas assim.

Poblado de Machuca
Poblado de Machuca

Agora a outra parada oficial é no pequeno povoado de Machuca. O local tem uma igreja e algumas poucas casas com paredes de barro e telhado de de palha ou qualquer coisa que se assemelhe a esses materiais. Se você reparar, em cima do “telhado” de cada uma das casas há uma cruz, que é para trazer proteção para a família. Apesar da simplicidade, eles possuem painéis solares que lhes fornece energia constante para facilitar seu dia-a-dia.

Anticucho de llama
Anticucho de llama

A atividade principal das poucas pessoas que vivem ali continua sendo a criação de lhamas, que podem ser vistas passeando ao redor das casas. Mas, devido à proximidade dos gêiseres, eles já começam a aproveitar o fluxo de turistas e possuem uma pousada, venda de artesanatos e fazem um anticucho de carne de lhama ou alpaca que eu achei uma delícia. É bem macio e nada gorduroso, vale a pena experimentar. Eles também fazem empanadas e sopaipillas, mas eu não comi.

Depois da visita ao poblado, pegamos o caminho de volta para San Pedro de Atacama, com mais 80 km de viagem percorridos em cerca de duas horas. A chegada na cidade acontece lá pelas 13h30, com tempo para almoçar, passar na pousada para tomar um banho e seguir para outro passeio no período da tarde.

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