A liberdade é azul

A liberdade é azul ★★★★★

Título original: Trois couleurs – Bleu
Ano:
1993
Direção: Krzysztof Kieślowski
Elenco: Juliette Binoche, Benoît Régent, Emanuelle Riva, Florence Pernel e Guillaume de Tonquédec.

Os filmes da trilogia das cores, lançados nos primeiros anos da década de 1990, são interligados não tanto pelo mesmo enredo ou personagens, mas sim pela forma como usa estilos que vão da comédia rasa ao drama intenso para representar os sentimentos, a sexualidade, o desconforto, a grandiosidade e o mistério. Eles seguem a sequência da bandeira francesa – azul, branco e vermelho – e, mais sutilmente, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

Mulher em busca de liberdade
Mulher em busca de liberdade

A liberdade é azul conta a história de uma sobrevivente de acidente de automóvel. Após se recuperar dos ferimentos, ela vende tudo que possui e busca uma vida anônima em Paris. A partir daí, vamos acompanhar sua trajetória e tentar descobrir a motivação dessa decisão. A música tem grande importância para desvendar seus sentimentos, aparecendo com força total em momentos inquietantes. A fotografia e a edição também se destacam, como nas cenas em que a imagem escurece, um recurso geralmente usado para mostrar a passagem de tempo entre dois momentos distintos, mas que, nesse caso, mostra que a personagem ainda está ali, lidando com suas memórias.

Quartier Latin
Quartier Latin

Buscando uma nova vida, a personagem se muda para um apartamento na rua Rua Mouffetard do movimentado 5.° arrondissement, também conhecido como Quartier Latin. A região é conhecida pelos seus cafés, restaurantes e livrarias, incluindo a famosa Shakespeare & Company, além de outras opções culturais, como o Pantheon. Tentando enterrar seu passado, a personagem ganha um tipo vazio de liberdade, mas acaba se descobrindo incapaz de se desligar totalmente das conexões humanas.

Piscine Pontoise
Piscine Pontoise

A parte da natação foi gravada na Piscine Pontoise, construída em 1933 por Lucien Pollet e registrada como monumento histórico desde 1998. Um pouco mais a sul fica a Place Monge, onde há um mercado de rua com dezenas de barraquinhas onde são vendidos produtos orgânicos, carnes e peixes, frutas e vegetais, queijo, vinho, flores e outras iguarias desde 1921.

Quartier Pigalle
Quartier Pigalle

Um dos exemplos disso é quando ela recebe a ligação de sua vizinha, que acaba a levando a uma casa noturna cheia de luzes neon no Quartier Pigalle. É uma região mais descolada da capital francesa, onde fica o famoso cabaré Moulin Rouge e muitos bares. Já ao sul da Boulevard de Clichy os bistrôs contemporâneos dão lugar a grandiosos prédios neoclássicos do século XIX e atrativos como museus de arte.

Cité du Midi
Cité du Midi

Nesse mesmo bairro fica a Cité du Midi, uma via de apenas cem metros de cumprimento calçada com paralelepípedos com charmosas casas pitorescas e vegetação que lhe confere um ar campestre. Embora sua história seja desconhecida, é possível que a estrutura seja datada do século XIX, já que os dois espaços circulares na entrada e no final do beco permitiam o retorno de carruagens puxadas a cavalo. Ali estão um ginásio usado por artistas que frequentavam o Moulin Rouge e foi transformado em apartamentos; outra era um antigo estábulo e chegou a abrigar um instituto sobre a história do jazz no país; logo depois uma estrutura que funcionou como cabaré, museu, estúdio fotográfico e agora é uma casa de arte contemporânea; uma antiga marcenaria; um velho armazém; e por aí vai.

Le Pont de Bir-Hakeim
Le Pont de Bir-Hakeim

Um destino famoso é a Pont de Bir-Hakeim, em Passy, onde ela encontra um copista e descobre detalhes sobre a vida de seu falecido marido. Com visual bastante particular, ela já apareceu em diversas obras audiovisuais e é facilmente reconhecível. Construída entre 1903 e 1905, a ponte possui 237 metros de comprimento e 24,7 de largura, sendo estruturada em dois níveis – embaixo passam carros e pedestres, enquanto em cima circula o trem do metrô. Destacam-se os arcos que ligam as colunas de sustentação, as estátuas de pedra em alto-relevo e placas comemorativas de eventos importantes na história da França.

Palais de Justice
Palais de Justice

Ela também passa pelo Palais de Justice, que fica na Île de la Cité, ilha do Rio Sena onde foi fundada a então cidade medieval. Nesse local ficava a residência e sede do poder dos reis franceses, mas restaram apenas a Conciergerie e a Sainte Chapelle dessa estrutura, já que a maior parte foi destruída em um incêndio em 1776, quando já era usada por órgãos jurídicos. Nos séculos seguintes, foram feitas várias ampliações, reformas e novas construções no local.

Paris sob uma nova perspectiva
Paris sob uma nova perspectiva

Como se pode perceber, o filme é uma boa oportunidade para sentir a atmosfera de Paris, principalmente por pontos pouco conhecidos. Eu mesmo ainda não visitei alguns dos espaços e fiquei bastante interessado em ver como se encontram nos dias atuais. Mas os cenários não são mostrados com detalhes, funcionando mesmo como um pano de fundo discreto para a envolvente e sensível história de uma mulher que passa por um momento de tristeza profunda, bem representada pela cor azul que dá título à obra. Completam a trilogia A igualdade é branca e A fraternidade é vermelha.

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