Château de Gruyères

Gruyères – Passeio pelo castelo

Na minha viagem para a Suíça, defini que iria visitar alguma fábrica de queijos, já que eles estão entre os produtos mais conhecidos do país. Fiquei entre ir à do Emmenthal ou à do Gruyère, mas acabei escolhendo o último por questões logísticas. Em Lausanne, eu me hospedei pertinho da estação de trens, no Hôtel Rèsidence du Boulevard, para facilitar os deslocamentos para cidades próximas. Dali, a viagem até Gruyères seria de uma hora e meia, o que considero um pouco longo para um bate e volta, mas valeria a pena pelo conjunto de atrações próximas. Além da La Maison du GruyèreLa Maison du Gruyère, descobri que a cidade abrigava o Museum HR Giger (sou apaixonado por cinema e fiquei imediatamente interessado) e esse grandioso castelo.

Vista do Château de Gruyères
Vista do Château de Gruyères

O Château de Gruyères, situado numa paisagem deslumbrante aos pés dos Alpes friburguenses, foi construído a 830 metros de altitude e reina absoluto sobre a aldeia medieval. Apesar de a dinastia dos condes de Gruyères estar entre as mais importantes da Suíça ocidental, suas origens não são bem conhecidas. Do século XI ao XVI, vinte condes foram relacionados em documentos. Michel, o último deles, enfrentou dificuldades financeiras e caiu em falência em 1554. Os credores, Friburgo e Berna, repartiram as terras entre si. O castelo foi, então, ocupado pelo governo friburguense de 1555 a 1798; serviu de residência para prefeitos até 1848; tornou-se propriedade das famílias Bovy e Balland, que passavam ali suas férias de verão e recebiam inúmeros amigos artistas, em 1849; e, finalmente, foi readquirido pelo cantão de Friburgo em 1938, data em que foi fundado o museu.

Vila medieval
Vila medieval

Para chegar ao castelo, desci na estação de trens e, depois de visitar a fábrica do queijo, fiz uma caminhada de pouco mais de 1 km com subidas leves pela colina, passando pelo meio da vila até a Rue du Château 8. A minha entrada estava inclusa no Swiss Travel Pass, então tive apenas que passar na recepção para mostrar o documento. Para conferir os preços, dias e horários de funcionamento, além de outras informações, acesse a página oficial.

Capela do século XIII
Capela do século XIII

A visita oferece uma viagem por oito séculos de arquitetura, história e cultura. Em termos de estrutura, o castelo atual data dos anos 1270, reproduzindo um sistema de construção conhecido como carré savoyard, o quadrado saboiano. O fim do século XIV, particularmente, marca uma etapa gloriosa. Em 1476, o conde Louis (1475-1492) participou da batalha de Borgonha ao lado dos confederados. Depois deste momento, trabalhos de modernização foram empreendidos e incluíram o arranjo da esplanada e sua capela, as escadas de caracol do pátio inferior e transformação do prédio principal.

Arquitetura do castelo
Arquitetura do castelo

Nesses anos, o castelo perdeu a sua aparência de fortaleza e se tornou uma moradia senhorial. Os interiores barrocos dos séculos XVII e XVIII lembram a época dos bailios, nome que era dado aos magistrados com funções especiais na Idade Média. Já a partir de 1850, destacam-se as paisagens de inspiração românticas e cenas históricas pintadas por J. B. Corot, Barthélemy, Menn e outros artistas renomados.

Jardim no estilo francês
Jardim no estilo francês

Ao passar pela recepção, pegamos um guia de visitação com um mapa numerado que serviu para orientar o melhor caminho sem perder nenhuma sala, além de dar as informações sobre cada um dos espaços. Essa parte do jardim, por exemplo, não tinha quase ninguém. Acredito que seja porque a entrada era uma escadinha bem discreta, então passou despercebido por muitas pessoas. Outra vantagem de seguir esse guia é conhecer um pouco mais da história do local – eu, pelo menos, gosto bastante desse aspecto.

Cozinha do castelo
Cozinha do castelo

Algumas partes do castelo parecem ser bem antigas, como a cozinha, que possui uma grande lareira equipada com cremalheiras, espetos e marmitas, um fogão em laje de balofo e um forno para pães. Tem outros lugares com escadarias e estruturas de madeira que também dão um ótimo clima medieval.

Já na Sala de Borgonha está uma exposição da batalha de Morat, ocorrida em 1476. Destacam-se as capas de veludo preto costurados com escudos. A cor escura sugere que são vestuários de luto sacerdotal.

Sala Belle Luce
Sala Belle Luce

Também passamos por diversos ambientes internos decorados com móveis de época. Não vou colocar todos aqui porque a postagem ficaria muito extensa e perderia um pouco a graça da visita. Uma das áreas íntimas é a Sala da Belle Luce que, de acordo com a lenda, era uma filha do povo amada pelo conde Jean II (1514-1539). A existência de seu quarto no castelo é atestada desde o século XVIII. Destaca-se as tapeçarias sobre a cama, Triunfo de Alexandre, de cerca de 1700; e sobre a lareira, Ulisses encontra Hector diante da cidade de Tróia, de cerca de 1600.

Sala dos Cavaleiros
Sala dos Cavaleiros

Desses ambientes históricos, que incluíram temas como música, caça, barroco e outras, me chamou a atenção a Sala dos Cavaleiros, cuja decoração mural foi pintada por Henri Baron, Barthélemy Menn e seus colaboradores entre os anos de 1852 e 1862. As imagens se baseiam nos esboços de Daniel Bovy e foram concebidas num espírito de restauração do castelo. Ali estão representadas lendas de Gruyères misturadas livremente com a história dos condes. O mobiliário de madeira foi feito por Auguste Ansermot, no fim do século XIX, segundo modelos antigos.

Pinturas fantásticas expostas em volta da escada
Pinturas fantásticas expostas em volta da escada

Ao todo, passamos por 20 ambientes durante a visita, cada um deles com as suas particularidades. Em alguns se destacavam os móveis, em outros os vitrais, depois pinturas ou tapeçarias, etc. Também haviam algumas salas para exposições temporárias ou permanentes. A que mais que chamou a atenção foi uma galeria de pinturas fantásticas iluminadas em volta de uma escadaria circular. Achei inusitado, interessante e visualmente ousado, principalmente quando relacionado ao ambiente sóbrio do castelo da Idade Média.

Para quem gosta de história e arte, esse certamente é um passeio imperdível. Recomendo reservar cerca de duas horas para o passeio, pois são três andares e muitas coisas para ver e apreciar.

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Um comentário

  1. Olha, que legal! Viajei o ano passado para essa região, conheci a fábrica de queijos, bem como a cidade. Mas, ficou faltando entrar no castelo. Adorei o relato, pelo menos conheci ele sob seu olhar. Parabéns! Me imaginei dentro dele. Bjs

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