Cathédrale Saint-Pierre

Genebra – Cathédrale Saint-Pierre

A Catedral de São Pedro, como é conhecida em português, localizada no topo do monte onde nasceu a cidade de Genebra, teve sua primeira fase de construção iniciada por volta de 1160, com duração de uns cem anos, sobre a fundação de estruturas bem mais antigas. Durante e Reforma, tornou-se uma igreja protestante, a partir de 1535, sendo palco do surgimento do calvinismo, um sistema teológico bíblico comandado por Jean Calvin. Os dias e horários das visitas, missas e eventos podem ser consultados na página oficial. A Cathédrale Saint-Pierre, a Chapelle des Macchabeus, o sítio arqueológico, o Auditoire Calvin e o Musée International de la Réforme constituem o Espace Saint-Pierre.

Mantendo-se até hoje como uma igreja protestante, a Cathédrale Saint-Pierre é a mais importante da cidade, abrigando celebrações religiosas e ecumênicas de toda a cristandade, além de eventos, comemorações patrióticas e cívicas que marcaram a história da república, um museu arqueológico, espetáculos dramáticos e apresentações musicais. A visita à parte interna é gratuita, com a entrada sendo feita por uma porta lateral da fachada principal.

Colunas na entrada da catedral
Colunas na entrada da catedral

A arquitetura da catedral passou por inúmeras modificações devido a reformas e reconstruções, guerras e incêndios. Com o tempo, adições e renovações mudaram tanto o interior quanto o exterior do prédio. Do lado de fora, as modificações mais visíveis e importantes foram a construção da torre sul, a adição do portal e da capela, a construção de um anexo em estilo gótico, a reconstrução da torre norte e a instalação do moderno campanário, em 1895. No século XVIII, com a queda de uma parte da estrutura, foi decidido substituir a fachada neoclássica por uma romanesca. De forma geral, o resultado é uma confusão de estilos: uma igreja romanesca com colunas neoclássicas, duas torres que não são idênticas e um campanário moderno se erguendo sobre toda a estrutura.

Vitrais da catedral
Vitrais da catedral

Concebida e utilizada por séculos pela religião católica, a catedral passou por mudanças radicais com a introdução da Reforma, cuja filosofia austera ocasionou a remoção de todos os ornamentos e pinturas da era medieval. Os últimos trabalhos artísticos que decoravam a catedral, originalmente toda colorida, incluem obras de Konrad Witz, atualmente expostas no Musée d’Art et d’Historie de Genève. Os bancos de madeira, datados do século XV, sobreviveram à limpa feita pelos protestantes porque estavam em uma outra igreja naquele momento. Outros móveis também ficaram porque o custo para repô-los seria muito alto. Além disso, foram preservados os vitrais da capela-mor.

Parte interna e órgão principal
Parte interna e órgão principal

Com a retirada das pinturas, imagens, objetos e tapeçarias que cobriam as paredes e decoravam o local, o interior da igreja ficou bastante sério. Ainda assim, a estrutura impressiona pela sua grandeza e a mistura e estilos. Ali está o maior conjunto de capitais romanescos e góticos de toda a Suíça, bem como vitrais que datam das restaurações realizadas no século XIX. Também se destaca o grande órgão construído na década de 1960 com os recursos de uma campanha de arrecadação de dinheiro realizada pela igreja. A firma responsável pelo projeto foi a Metzler et Fils, de Dietikon, na Suíça. Já o desenho da caixa do órgão ficou sob a responsabilidade de Poul-Gerhard Andersen, de Copenhagen, na Dinamarca.

Chapelle des Macchabées
Chapelle des Macchabées

Em contraste com o visual simples da nave principal, há a deslumbrante Chapelle des Macchabées. O projeto começou em 1397, com os trabalhos tendo sido iniciados anos depois e concluídos em 1411. Jean Cardinal de Brogny foi o responsável pelo financiamento e desenho da capela, que tinha como objetivo servir como última morada para ele e sua família. A tumba acabou por desaparecer e, provavelmente, ficava instalada no local onde hoje está o órgão da capela. Construída em estilo gótico, após a Reforma a capela foi transformada em depósito e, entre os séculos XVII e XIX, virou salas de aula. Depois de voltar a seus propósitos religiosos, o edifício passou por uma grande renovação a partir de 1878 com objetivo era trazer de volta as suas características originais. Ali estão cópias idênticas dos afrescos atualmente expostos no Musée d’Art et d’Historie de Genève, vitrais da mesma época, o altar executado por Konrad Witz em 1444, poupado durante a Reforma, e um grande número de elementos ligados à dimensão política do protestantismo.

Site Archéologique
Site Archéologique

Um dos passeios complementares é a visita ao Site Archéologique de la Cathédrale, proveniente das escavações realizadas entre 1976 e 2006. Iniciados na Chapelle des Macchabées, os trabalhos se expandiram para um vasto programa de pesquisa dentro e ao redor da catedral, revelando informações do surgimento da cidade e seu desenvolvimento urbano ao longo de séculos. As informações sobre dias e horários de funcionamento, bem como do preço do ingresso, podem ser encontradas na página oficial.

Placas indicativas das torres
Placas indicativas das torres

Mas o que eu mais gostei mesmo foi das torres, passeio que também é pago à parte. Eu sempre faço essas subidas que, embora sejam um pouco cansativas com seus muitos degraus, sempre garantem uma bela vista em 360° da cidade e da região. Você pode adquirir o bilhete apenas para a torre ou escolher o Espace Saint-Pierre, que inclui esse passeio, o sítio arqueológico e o Musée de la Réforme. Com o ticket em mãos, basta se dirigir até a catraca, ler o código de barra e iniciar a escalada por uma escada em espiral. Eventualmente, você chegará a um piso onde terá a opção de seguir para a Tour Sud ou para a Tour Nord.

Um dos sinos da torre sul
Um dos sinos da torre sul

Na torre sul podem ser vistos cinco sinos de diferentes datas, pesos, diâmetros e notas, chamados: accord, collavine, espérance, eveil e rappel. Os sinos tiveram um papel importante na sociedade, pois serviam não apenas para chamar os fiéis para a celebração dos cultos, mas também para convocar o Conselho Geral da cidade, emitir alertas para a proteção da cidade e outras funções.

Salle du Guet na torre sul
Salle du Guet na torre sul

Subindo mais um pouquinho nessa mesma torre, chega-se a esse espaço que funcionou como Salle du Guet (quarto de vigia) entre 1527 e 1911 e como Poste d’Observation (posto de observação) entre 1939 e 1945. Trata-se de uma ampla sala com piso e móveis de madeira e pequenas janelas de onde se pode ter uma vista da cidade. Algumas curiosidades são a presença de um vaso sanitário em um dos cantos e um sinalizador que avisa ao visitante quando ele deve esperar porque está subindo outra pessoa (sinal vermelho) e quando o caminho está liberado para a descida (sinal verde).

Sacada da torre norte
Sacada da torre norte

Já na torre norte o destaque fica para a vista proporcionada. Como você pode caminhar na parte externa, não há restrições de ver as coisas através de pequenas janelas ou por trás de grades. É possível dar uma volta completa e observar as montanhas ao fundo, os prédios que compõe o centro histórico, a parte mais moderna da cidade e a arquitetura da própria catedral. Pode ser que as pessoas com medo de altura sintam alguma vertigem porque a mureta não é muito alta, mas eu achei bem tranquilo.

Arquitetura da Cathédrale Saint-Pierre
Arquitetura da Cathédrale Saint-Pierre

Essa visão superior permite observar detalhes da catedral que não seria possível da rua, como o formato arredondado das telhas, os arcos e torres, as pequenas janelas destinadas a permitir a entrada de luz sem comprometer a segurança, os trabalhos nas pedras e outras coisas. Também é possível ver bem de perto a grande estrutura verde, cheia de detalhes pitorescos, que fica entre as torres norte e sul.

A estrutura verde entre as duas torres
A estrutura verde entre as duas torres

Dali também se tem uma boa vista do Lac Léman, que muitas pessoas chamam de Lago Genebra. Observe como se destaca na paisagem o Jet d’Eau, esse jato alto de água no lago, bem próximo ao porto. Eu dei sorte de fazer o passeio em um dia de céu bem aberto, então dava para enxergar a paisagem a uma distância muito boa. Além disso, quando eu fui não tinha quase ninguém lá em cima e eu pude tirar minhas fotos com bastante calma. Para mim, esse foi, com o perdão do trocadilho, o ponto alto do passeio pelo centro histórico da cidade.

Lac Léman visto da torre norte
Lac Léman visto da torre norte

É importante se programar porque a última entrada deve ser feita 30 minutos antes do horário de fechamento, mas recomendo ir com mais tempo para não fazer nada com pressa. São muitos degraus e é natural que você queira dar uma paradinha no meio da subida para recuperar o fôlego. Além disso, as torres são diferentes, então vale a pena passar nas duas antes de descer para o saguão principal da igreja e dar o passeio pela catedral por encerrado.

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