Maison Tavel

Genebra – Maison Tavel

Quando eu estava caminhando pelo centro histórico de Genève, passei em frente a esse museu e resolvi entrar. A casa se encontra na Rue du Puits-Saint-Pierre 6 e as informações sobre dias de funcionamento e horários podem ser acessadas nesta página, que reúne alguns dos museus de arte e história da cidade. A entrada é gratuita para conhecer a coleção permanente, sendo necessário pagar apenas para a exposição temporária. Como eu tinha estava usando o Swiss Travel Pass nesse dia, não precisei pagar nada.

A Maison Tavel é a mais antiga residência privada da cidade, sendo um belo exemplo da arquitetura Suíça. Tavel era o sobrenome da família que ocupou o local do final do século XVIII até o início do século XVI.

Fachada com esculturas e torre
Fachada com esculturas e torre

Destruída por um incêndio e 1334, do qual restou apenas o porão, a casa foi reconstruída com as características de uma moradia fortificada com torres, mas também com a aparência de um palácio cuja fachada era embelezada com esculturas de cabeças esculpidas em pedra. Posteriormente, muitas transformações foram realizadas, principalmente pela família Calandrini, nos séculos XVII e XVIII.

Em 1963, a cidade de Genebra adquiriu o edifício e iniciou um trabalho de restauração com preocupações arqueológicas. As escavações nos jardins trouxeram à tona vestígios de uma torre do século XI, bem como de uma cisterna para recolhimento de água da chuva, datada do século XVII.

Desde 1986, o prédio histórico abriga o Musée d’Historie Urbaine et de la Vie Quotidiene – focado na história urbana e da vida cotidiana local. A exposição está distribuída em seis andares, que descrevo do superior ao inferior.


Nível 3 – A parte superior da casa, mais especificamente o sótão, é quase toda tomada por uma grande maquete da cidade, originalmente apresentada na National Exhibition de 1896. O arquiteto Auguste Magnin trabalhou por 18 anos na criação desse mapa em metal da cidade, que mostra Genebra antes da destruição de suas fortificações, em 1850. As casas e fortificações foram criadas em zinco e os telhados em cobre. Uma apresentação audiovisual com duração de 20 minutos, com narração em francês e luzes destacando trechos da maquete, conta a história da época.

Maquete da cidade em 1850
Maquete da cidade em 1850

Nível 2 – Nesse andar há 12 cômodos que reproduzem uma moradia do século XVIII, incluindo salão, escritório, quarto, sala de jantar, torre e quarto de criança. Também há prataria, calicos (tecidos com impressões), cozinha e utensílios diversos dos séculos XVI a XIX. É uma das partes mais interessantes do passeio para mim, que adoro ver a decoração antiga, objetos que eram utilizados, cores e formas. Os papéis de parede foram recriados a partir de chapas de impressão. Já a cozinha mantém sua pia, pedra de amolar e lareira originais – o fogão veio de uma outra casa.

Cozinha antiga da casa
Cozinha antiga da casa

O passeio por esses andares superiores também permite uma boa visão da cidade. Do quarto de dormir, que possui uma parte circular junto à estrutura da torre, se tem a vista da pracinha abaixo com uma fonte de água, das casas próximas e do lago ao fundo.

Vista do quarto
Vista do quarto

Nível 1 – Na Idade Média, a família Tavel vivia essencialmente nesse primeiro andar, um nível acima da rua. Em um dos pequenos cômodos abertos para visitação, está uma exposição de pinturas representando a cidade, em um tempo em que as casas em estilo francês começavam a ornamentar a cidade. Ali também está um modelo da Genebra de 1813, tornando possível imaginar sua organização dentro das fortificações.

Já na sala maior, está uma impressionante exposição de portas antigas de madeira, com batentes e outras peças de ferro, letreiros de tavernas e outros detalhes do século XIV e XVIII que desapareceram da paisagem urbana.

Exposição de portas e placas
Exposição de portas e placas

Já na parte voltada para a rua, estão as cabeças que adornavam a fachada em estilo gótico da casa. Elas são mantidas na parte interna para melhor preservação e trabalhos de restauração. Das janelas da antiga torre, é possível ver as cópias que foram colocadas do lado de fora. Tudo muito bem explicado, um belo trabalho de reconstituição histórica.

Esculturas que ficavam expostas na fachada
Esculturas que ficavam expostas na fachada

Nível 0 – É o andar de entrada, da recepção. Durante a Idade Média, o térreo era utilizado para serviços, como a cozinha da casa. O grande salão preserva elementos do século XVI em sua estrutura, como telhas e o local da lareira. São três salas de exposição. Na primeira, Genebra Medieval, se destaca a peça de metal em formato de águia, símbolo da família Tavel e outros objetos da época, como capacetes de ferro. Voltadas para o jardim estão dois aposentos, um deles reconta a Reforma pela qual passou a igreja católica e a Fête de l’Escalade, evento anual realizado em dezembro em comemoração ao fracasso de uma invasão à cidade em 1602. O outro mostra o Poder e a Justiça, no qual se destaca a guilhotina datada de 1799 que era usada para decapitar os condenados. Nesse nível também é possível visitar o jardim.

Aquarela de autoria desconhecida do jardim
Aquarela de autoria desconhecida do jardim

Nível -1 – Os porões da casa datam do final do século XII e são a parte mais antiga da construção, já que não foram destruídos pelo incêndio de 1334. Trata-se do maior exemplo de estruturas desse tipo em estilo romano na cidade, com os arcos apoiados em colunas ornamentadas. Na Idade Média, os porões eram utilizados para comércio, com aberturas voltadas para a rua e isolados do restante da casa. Uma casa-forte construída dentro das paredes, originalmente fechada por uma porta, servia para proteger os itens de maior valor.

Sistema de peso de mercadorias
Sistema de peso de mercadorias

Nesse andar estão expostos pesos e balanças, uma coleção de moedas e armaduras. Os diferentes níveis são resultado de construções posteriores, provavelmente tendo servido para o armazenamento de mercadores.


Nível -2 – A última parte do passeio é no nível inferior, destinado às exibições temporárias. Em 1988, esse cômodo foi cuidadosamente aberto abaixo do jardim para permitir a visão dos restos arqueológicos da torre romana, visível através das janelas, e da cisterna do século XVII. É a única parte do passeio paga.

Mais de 20 anos após a abertura do museu, renovações continuam sendo feitas para tornar a mostra mais moderna e didática, além de oferecer o conteúdo em diversas línguas. Outras informações podem ser acessadas na página oficial.

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