Centro histórico e lago Constança

Arbon – Passeio pelo centro histórico

O local onde se encontra Arbon, na Suíça, foi ocupado desde tempos pré-históricos. Na baía do lago Constança, foram encontrados restos de casas em palafitas do período Neolítico, de aproximadamente 3500 a 2500 anos a.C. Na visita ao Historiches Museum Schloss Arbon eu pude ver uma maquete que reproduzia como seriam as comunidades dessa época. Como moravam às margens do lago, de onde tiravam alimentos e água para sua subsistência, essas comunidades construíam casas suspensas de madeira.

Casas de palafitas do período Neolítico
Casas de palafitas do período Neolítico

Muitas centenas de anos depois, a área foi ocupada por romanos – a primeira referência ao nome Arbor Felix data de 280 anos d.C. Dessa era romana, ainda é possível ver algumas partes dos muros da antiga fortaleza que protegia a comunidade. Esses muros foram utilizados como fundação para o castelo construído na era medieval que serviu como sede do governo da época, em 600 d.C. O antigo castelo hoje abriga o museu citado acima. A fortaleza romana também foi a base para a Kirche Sankt Martin e a Gallus-Kapelle. Na foto abaixo, é possível observar a parte mais antiga do muro, no canto direito, com pedras arredondadas. Na foto abaixo, uma parte mais antiga aparece no canto direito, com as pedras arredondadas. Aliás, devo dizer que o local até é bem sinalizado, mas as informações são todas escritas em alemão. Ou seja, entendi nada.

Placa sobre as escavações na fortaleza romana
Placa sobre as escavações na fortaleza romana

O interessante é que a cidade não cresceu muito – atualmente são menos de 15 mil habitantes – e mantém bem preservadas as construções antigas. No centro histórico, podem ser vistos até os dias de hoje construções da era medieval. O passeio pelas ruas é muito agradável, pode ser feito em poucas horas e rende fotos lindas. Eu inclusive emendei esse passeio com a caminhada no calçadão à beira do lago Constança, que é todo plano e bem agradável para começar o dia.

Galluskapelle
Galluskapelle

Subindo a partir do porto de Arbon, o primeiro local histórico que visitei foi a Galluskapelle, uma pequena capela que fica ao lado da igreja. São Gallus era um monge errante da Irlanda e um missionário que morou nessa área por volta do ano 600 d.C. Conta a tradição que a capela era, antigamente, sua casa e são suas as duas pegadas que aparecem em uma pedra de arenito ao lado da entrada. O fato é que se trata da construção mais antiga de Arbon.

Parte interna da Galluskapelle
Parte interna da Galluskapelle

É possível que já existisse no local uma sala de culto dentro do forte romano, mas as escavações dentro e ao redor da capela mostram que a edificação atual passou por várias fases de construção, a mais antiga da era carolíngia, no século VIII. Durante muito tempo, a capela serviu como local de sepultamento dos sacerdotes, nobres e cidadãos de destaque. Nas renovações feitas em 1949, descobriu-se restos de afrescos que cobriam as paredes – uma parte dele pode ser visto no canto esquerdo da foto.

Kirche St. Martin
Kirche St. Martin

Como muitas outras comunidades do cantão de Thurgau, Arbon é dividida entre as religiões luterana/reformada e católica. A Kirche St. Martin, que fica do ladinho da Galluskapelle, é católica.

Da fachada, se sobressai a torre data de 1457, originalmente destacada do prédio principal. A estrutura foi aumentada em 1895 e é possível perceber claramente a diferença entre o material usado na estrutura original e a parte mais recente.

Parte interna da Kirche St. Martin
Parte interna da Kirche St. Martin

Eu achei o prédio mais interessante do lado de fora do que de dentro, já que a parte interna é bastante simples. Aliás, as igrejas que eu visitei na Suíça, em geral, têm bem menos ostentação do que o que costumamos ver em outros lugares, inclusive no barroco brasileiro com seus altares cheios de ouro.

De qualquer maneira, vale a pena fazer a visita pelo seu interior. O destaque fica para os vitrais – em um deles é possível ver várias passagens da vida de St. Gallus, inclusive os episódios de destruição dos ídolos pelos quais passaram as igrejas do país, o que explica a simplicidade de suas decorações. Outro ponto de interesse é o grande órgão, que fica no fundo da igreja.

Historisches Museum Schloss
Historisches Museum Schloss Arbon

O ponto alto do passeio nesse centro histórico foi a visita ao Historisches Museum Schloss Arbon, que fica ao lado da igreja. O museu funciona no castelo erguido por Hugo von Ladenberg, bispo de Constança, entre os anos 1505 e 1515. A estrutura anterior foi destruída, com exceção da torre medieval que data do século XIII. Essa torre pode ser visitada junto com a exposição do museu e garante uma boa vista da região.

O castelo, em sua versão do século XVI, foi sede do governo comandado por bispos até o ano de 1798. Entre os anos de 1822 e 1908, abrigou a empresa de tecelagem de seda Stoffel. Em 1911, foi comprado por Adolph Saurer, que o usou como armazém e residência. A partir de 1945, passou a ser propriedade da cidade.

Carro da Saurer
Carro da Saurer

Dois anos após a restauração de 1973, passou a abrigar na ala ocidental e na torre o museu que conta a história da cidade, enquanto o outro lado é usado para uma escola para adultos. A coleção exposta no local conta a história de mais de 5.000 anos atrás, mostrando como era a organização das vilas pré-históricas, objetos arqueológicos diversos, a era medieval, as casas dos séculos XVII e XVIII e o avanço industrial do século XIX, entre outros fatos importantes.

Rotes Haus
Rotes Haus

Falando em século XVIII, foi nessa época que se instalou na cidade a indústria de linhos e bordados. Arbon experimentou um crescimento econômico e a paisagem urbana foi modificada pela construção de moradias em torno da cidade velha, como a Rotes Haus (casa vermelha), de 1750, que fica em frente à igreja.

Outras casas de época que foram restauradas e merecem atenção especial são a Rathaus (prefeitura na Promenadestrasse), o Römerhof (com um pedaço da muralha que protegia a cidade e onde funciona agora um hotel e restaurante), a Stadthaus (escritório do governo da cidade) e a Amtshaus (biblioteca da cidade). Algumas das fachadas dos edifícios possuem as suas datas de construção.

Römerhof
Römerhof

Como eu citei o restaurante acima, devo dizer que almocei no Altstadt (o nome pode ser traduzido como cidade velha), que também fica no centro histórico. Achei o ambiente charmoso e a comida ali deliciosa. Eles tinham um menu do dia com buffet de salada, entrada e prato principal por um preço bem em conta (pelo menos para a qualidade da comida e os padrões suíços). Ali também estava tudo escrito em alemão foi preciso recorrer ao celular e aos nossos anfitriões para traduzir o que seria a comida.

Praça na frente do beco Postgasse
Praça na frente do beco Postgasse

No mais, é andar pelas ruas tortuosas explorando cada cantinho para observar a arquitetura da época. Eu recomendo seguir com um aplicativo de mapa aberto para você se certificar por onde já passou, já que os becos são tortuosos e fica difícil ter uma noção da localização.

Um lugar que não se pode deixar de passar é pela Postgasse, onde fica uma praça que certamente vai te remeter a séculos atrás. Uma das construções possui desenhos antigos em sua fachada e restos da muralha que cercava a cidade. Também é nessa praça que fica essa curiosa construção que parece um amontoado de casinhas.

Wohnhaus
Wohnhaus

Eu recomendo terminar o passeio, principalmente na hora do pôr-do-sol, com um café ou drinks no Bistro Turm, que funciona no andar mais alto da torre Schädlerturm. Dali se tem uma vista em 360° de Arbon e é possível identificar os locais por onde se passou mais cedo, com o lago Constança, a torre do castelo e a torre da igreja se destacando na paisagem. No fundo, é possível ver a Alemanha e a Áustria.

Bistro Turm
Bistro Turm

Além dos pontos turísticos dos quais eu falei, que podem ser vistos destacados no mapa interativo abaixo, Arbon conta com outros museus, prédios históricos e galerias de arte. É verdade que não é a cidade mais turística da Suíça, mas vale muito a pena conhecê-la, ainda que seja apenas para passar um dia. Se você está hospedado em Zurique, por exemplo, a viagem de trem dura 1h30, o que permite que seja feito um bate e volta.

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