Lagoa da Paz

Lençóis Maranhenses – Como se formam as dunas e as lagoas

Nos passeios que fiz pelos Lençóis Maranhenses, não pude deixar de pensar em como se deu a formação desse imenso parque nacional com dunas de areia a perder de vista, lagoas de água doce e vegetação de restinga, manguezais e costa oceânica. As dimensões impressionam: são mais de 1.500 km2 de área, o maior parque de dunas da América do Sul, que tem quase o tamanho da cidade de São Paulo, e cerca de 7.500 lagoas, um número que varia a cada ano. Mas, afinal, como se formou esse paraíso, que recebeu esse nome por lembrar um gigante lençol amarrotado?

A origem dos Lençóis Maranhenses está ligada à ação da corrente marítima, à composição dos sedimentos, à força do vento, à temperatura local e à pluviosidade. Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta! As informações foram passadas pelo professor Paulo César Gianni, do Instituto de Geociências da USP, em entrevista ao Vix.

A maré leva os sedimentos para a costa nordestina
A maré leva os sedimentos para a costa nordestina

O processo começa com uma espécie de rio que corre embaixo do oceano. Essa corrente marítima é a responsável pelas ondas que batem na costa da região nordeste do Brasil. Essas águas carregam sedimentos, incluindo uma quantidade gigante de areia, no sentido oeste, que acabam se acumulando nas praias, como acontece no Ceará, no Piauí e no Maranhão.

A quantidade de areia que se junta é diretamente proporcional à amplitude das marés, a variação entre a maré cheia e baixa. Como essa amplitude é maior para os lados do Maranhão, a quantidade de areia que se acumula por lá é grande.

Caminhada pela duna de areia até a lagoa
Caminhada pela duna de areia

Os Lençóis Maranhenses são formados por sedimentos compostos, predominantemente, por quartzo – mais de 95%. A proporção de grãos carbonáticos, que são resíduos de organismos como moluscos, corais e algas é bem pequena. Esse tipo de areia dificilmente se enrijece, ficando soltinha, fininhas e leves.

Quem faz o passeio pelo parque percebe que o vento é uma força constante no local, tanto que não é preciso usar nenhum calçado para caminhar pelas dunas, pois elas não ficam nem um pouco quentes. Esse vento é o responsável pelo deslocamento constante dos sedimentos que se acumulam e ficam soltinhos lá na praia. Também é por isso que as dunas mudam constantemente de altura e forma, chegando a 25 km de distância para dentro do continente.

Encontro do rio com o mar
Praia de Atins

Geralmente os locais que apresentam campos de dunas eólicos costeiros são divididos em três partes: o estoque de areia junto ao mar; uma zona de erosão onde se forma vegetação; e o campo de dunas em si, na parte mais interna do continente, chamado de estoque final. O que acontece nos Lençóis Maranhenses é que não existe essa faixa de vegetação entre a praia e o estoque, um caso raro e quase único no Brasil. As dunas que vimos em Atins, por exemplo, ficam bem pertinho da praia e sem essa divisão de vegetação.

Obviamente que esse processo de formação das dunas não acontece da noite para o dia. Apesar de não se saber seguramente, estima-se que o parque tenha se formado entre 5 a 7 mil anos atrás. Os campos podem ser divididos em dois tipos de dunas: as ativas, que continuam a ser movimentadas pelos ventos; e as inativas, que são mais antigas e estáveis, cobertas por vegetação. Dois terços do parque são cobertos por essas dunas de areia livre, que pode se deslocar até 10 cm em um dia de ventos fortes.

Pôr-do-sol nos Lençóis Maranhenses
Pôr-do-sol nos Lençóis Maranhenses

Mesmo com a quantidade de areia e a temperatura elevada que são experimentadas durante todo o decorrer do ano no local, os Lençóis Maranhenses não são considerados um deserto. Essa classificação é reservada para regiões em que há total indisponibilidade de água. Lá é o contrário, chove muito. Para se ter uma ideia, em desertos os valores mais altos não passam de 200 mm de precipitação média anual. Em Barreirinhas, que é a cidade geralmente usada como base para os passeios na região, a pluviosidade é de 1.500 a 2.000, maior até mesmo que o índice da cidade de São Paulo.

Circuito da Lagoa Azul
Lagoa Azul

As chuvas, que se concentram entre os meses de janeiro a junho, são as responsáveis por alimentar o lençol freático que alimenta as milhares de lagoas dos Lençóis Maranhenses. Esses acúmulos de água doce podem chegar a 5 metros de profundidade na época de cheia. Devido à humidade, as dunas quase não se movem durante o período.

A partir de julho, as chuvas diminuem e o clima da região fica bastante árido. As lagoas de água doce e coloração que varia entre o verde e o azul começam a secar, fazendo o parque perder muito de seu encanto para os turistas. Nessa época, os ventos predominam e alcançam a velocidade de 70 km/h e é quando as dunas se movem mais. A minha viagem foi no final de setembro e eu ainda peguei as lagoas em nível médio, pois havia chovido muito no primeiro semestre. Eu recomendaria a viagem no meio do ano para evitar pegar chuva, mas ainda ver todas as lagoas cheias. Mas se você for no final do ano, ainda poderá visitar as lagoas que não secam totalmente – algumas delas têm até peixes.

Lagoa seca entre as dunas
Lagoa seca entre as dunas

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em 1981 e a região passou a ser explorada pelo turismo somente nas últimas décadas. Apesar da simplicidade, Barreirinhas já é uma cidade bem preparada para receber os visitantes, contando com uma boa rede de pousadas e restaurantes. Para os passeios, utilizei os serviços da São Paulo Ecoturismo.

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