Gletschergarten

Lucerna – Gletschergarten, um jardim glacial

Esse glacial foi formado de arenito no fundo de um oceano primitivo, posteriormente elevado e moldado pela natureza. Ali é possível testemunhar evidências de 20 milhões de anos de transformações geológicas, um museu, uma típica casa suíça, caminhada até uma torre panorâmica e uma casa de espelhos, além de outros atrativos. Sem dúvida um dos passeios mais interessantes e completos da cidade.

A entrada se dá por um charmoso chalé de madeira no endereço Denkmalstrasse 4. A caminhada do centro histórico até lá é de uns 15 minutinhos, mas também dá para chegar de ônibus. As informações sobre horários e preços podem ser acessadas na página oficial. Eu não paguei nada porque tinha o Swiss Travel Pass.

Monumento glacial natural
Monumento glacial natural

A primeira parte da visita é feita nessas passarelas que permitem ver o monumento natural descoberto durante a construção de uma adega para a casa, em 1872, pelo proprietário Josef Wilhelm Amrein-Troller. O jardim de glaciares foi aberto para visitação no ano seguinte e as escavações duraram por mais três anos. Desde 1980, a área possui uma cobertura que a protege das intempéries e dos danos provocados pela poluição do ar. Ainda bem, pois no dia que eu fiz esse passeio estava uma chuvinha fina e constante.

Marcas de animais e vegetais nas pedras
Marcas de animais e vegetais nas pedras

As marcas de folhas, conchas, estrias e outros detalhes encontrados nas pedras de arenito provam que a cidade de Lucerna esteve coberta durante a Era Glacial. Na recepção, recebemos um folheto em português que serve como guia para a visita no local, que é todo numerado. Isso é ótimo porque conseguimos entender as marcas presentes nas pedras, além de orientar um caminho a ser percorrido.

Museu de história e geologia
Museu de história e geologia

Depois adentramos na casa onde fica o museu em si. Ali é possível ver exposições que tratam sobre a origem e o deslocamento dos glaciares através de vídeos, maquetes, fotos, placas, textos, pinturas e outros, além de peças valiosas historicamente.

Também há um foco na cidade, o tipo de relevo da sua paisagem, os organismos marinhos que habitavam a região, a vida do ser humano há dezenas de milhares de anos atrás e outras informações sobre a sua evolução.

Exposição de bonecos na casa
Exposição de bonecos na casa

Outra parte interessante da visita é conhecer a casa da família Amrein-Troller, datada do século XIX. Nos dois andares, continuei a ver pinturas e modelos de paisagens da Suíça, mas também retratos da família, ambientes totalmente decorados com móveis de época e uma coleção bizarra de bonecas antigas, atualmente associadas a filmes de terror no imaginário popular, que estavam lá em uma exposição especial. Entre os cômodos visitados, estava um quarto em estilo barroco, um antigo espaço de reuniões, uma sala decorada com imagens da história da Suíça e o escritório de Marie Amrein-Troller, que assumiu a gerência do local após a morte precoce de seu marido.

Cabana de madeira
Cabana de madeira

Já do lado de fora e com menos chuva, fiz o percurso pelas escadas para a parte mais alta do jardim, passando por uma caverna com fonte de água que reproduzia a ideia de como haviam sido formadas as rochas e uma cabana de madeira datada de 1896, exemplos do tipo recriação que era feita como atração turística para os visitantes da cidade. Na cabana, é possível ver a pintura de um glacial. A intenção dos dioramas era criar a ilusão de que se estava realmente inserido na paisagem e eu achei o efeito muito convincente. Esse, especificamente, foi criado por Xaver Imfeld, o mais talentoso topógrafo alpino do século XIX.

Escadarias do jardim
Escadarias do jardim

Outro atrativo dessa área é a subida na torre panorâmica, também toda feita em madeira. Eu fui até o topo e tirei algumas fotos, mas o tempo nublado não estava ajudando nem um pouco a ver a paisagem da cidade e as montanhas ao fundo estavam quase apagadas. De qualquer maneira, valeu a pena dar uma volta por lá porque o jardim é bonito e bem cuidado. Me chamou a atenção, por exemplo, as barras de proteção que imitam as formas orgânicas dos galhos das árvores.

Labirinto de espelhos
Labirinto de espelhos

Talvez a parte mais divertida do passeio tenha sido andar pelo labirinto de espelhos criado em 1896 para uma feira nacional em Genebra e levado para Lucerna poucos anos depois. Ele se chama Alhambra, pois foi inspirado no palácio de mesmo nome que fica em Granada, na Espanha. Você tem a impressão de estar em um grande edifício, com colunas, jardins e animais. Pode parecer mentira, mas realmente dá para se enganar e achar que são corredores enormes. Apenas recomendo andar com calma para não dar trombar consigo mesmo com muita violência.

Terraço do restaurante
Terraço do restaurante

Como não podia faltar, o local também conta com um restaurante e uma loja de souvenirs. Como eu fui de manhã e estava um clima chuvoso, o espaço ainda estava vazio. Eles também encorajam os visitantes a levarem seus próprios lanches para fazer um piquenique, então pode carregar a sua comida sem medo de ser repreendido. Ao contrário do parque, que fica aberto o ano todo, essa parte da estrutura fecha durante os meses de novembro a março.

Depois pode-se aproveitar para ver o Löwendenkmal, o famoso monumento do leão que é um dos mais reconhecidos símbolos da cidade e fica do ladinho do jardim glacial.

Löwendenkmal
Löwendenkmal

A partir do início do século XVII, um regimento suíço passou a servir como parte da guarda real da França. Em 1789, o Rei Louis XVI foi forçado a deixar o Palácio de Versailles e ir para Paris. Anos depois, os revolucionários invadiram o Palácio de Tuileres e as tropas suíças, já sem munição e em menor número, foram massacradas. A família real conseguiu fugir, mas mais de 600 soldados morreram durante o conflito, alguns sendo assassinados mesmo depois de se renderem. Estima-se que mais outros morreram posteriormente na prisão em consequência dos ferimentos ou foram assassinados em conflitos subsequentes. Além de alguns que estavam lá e escaparam com vida, outros tiveram a sorte de terem sido enviados para escoltar uma carga de grãos dias antes.

Monumento do Leão
Monumento do Leão

O Monumento do Leão é uma escultura feita pela escavação em rocha entre os anos de 1820 e 1821, com projeto de Bertel Thorvaldsen e execução de Lukas Ahorn. A obra mostra o animal morto por uma lança e caído sobre um escudo com a flor-de-lis, símbolo da monarquia francesa. Ao seu lado, um outro escudo é decorado com o brasão suíço. A frase Helvetiorum Fidei ac Virtuti, que aparece em destaque acima da escultura, pode ser traduzida como “para os leais e bravos da Suíça”. A inscrição abaixo lista o nome dos oficiais e o número aproximado de soldados mortos (DCCLX = 760) e sobreviventes (CCCL = 350). A visita ao monumento é gratuita.

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