Museu Histórico e Artístico do Maranhão

São Luís – Museu Histórico e Artístico do Maranhão

Construído em 1836, o Solar Gomes de Sousa é um importante representante da arquitetura civil maranhense do século XIX. Localizado na Rua do Sol, 302, no centro histórico de São Luís, era propriedade de uma família que possuía fazendas de algodão e da qual era membro o matemático, astrônomo, filósofo e parlamentar Joaquim Gomes de Souza. Posteriormente, serviu como residência de ilustres famílias do estado e, desde 1973, sedia o museu, que possui um importante acervo do mobiliário, louças, porcelanas, vidros, cristais, pinturas, esculturas e azulejarias de época. Entre os destaques, está o original escrito à mão do livro O Mulato, de Aluízio de Azevedo.

Ao contrário de outros museus da cidade, a entrada é paga, mas o valor é bem baixo. Assim como nos demais que visitamos, o tour pela parte interna é guiado. Para informações sobre horário de funcionamento e preço, acesse a página oficial.

Durante a visita, nos é informado que ali está representada uma típica casa de época da elite maranhense dos séculos XVIII e XIX, que se espelhava nos padrões europeus para mobiliar e decorar seus aposentos. O mesmo era feito com relação às roupas e eu só posso imaginar o sofrimento que era usar o vestuário pesado de luxuosos vestidos e formais paletós no calor que faz nessa cidade. Os objetos expostos são originais de época, mas não da casa, tendo sido doados por famílias tradicionais do Maranhão.

Portrait de Madame Récamier
Portrait de Madame Récamier | Jacques-Louis David, 1800

Entre os espaços visitados, passamos pela sala de estar feminina, onde está o récamier, uma peça francesa apelidada, por aqui, de sofá desmaio. O nome do móvel é em homenagem à Madame Juliette Récamier, que se casou aos 15 anos com um homem cerca de 30 anos mais velho. Corre na boca pequena que, na verdade, o ilustre senhor era seu pai, que se casou com a própria filha para garantir que ela recebesse sua herança. Pencas de bafão! Mas num acabou não. Dizem que o casamento nunca chegou a ser consumado e ela continuou virgem até lá para os 40 anos, quando arrumou um amante pintor. Vai saber… o fato é que a moça, bela e amante da literatura, recebia a alta sociedade e artistas em sua casa. Ela gostava de se recostar nesse tipo de móvel, no qual foi retratada em pinturas. O negócio ficou tão famoso que o móvel ganhou seu sobrenome. Também marca essa sala a presença do piano, já que as mulheres do século XVIII entretinham suas convidadas com música. No século seguinte, elas passaram a se ligar mais às atividades rurais realizadas juntos aos escravos.

Casa dos séculos XVIII e XIX
Casa dos séculos XVIII e XIX | Conhecendo Museus – TV Escola

Já na sala masculina, ao lado, destaca-se a presença da escarradeira, uma peça utilizada pelos homens para esse costume tão agradável de cuspir. Esses e outros detalhes da história são contados ao longo do passeio pelos 14 cômodos da casa, bem amplos e arejados, já que as famílias de antigamente eram compostas por muitos integrantes. Passamos pela sala de jantar, que possui o único móvel original do lugar, uma extensa mesa, pela sala de música, pelos quartos, biblioteca, escritório e outros cômodos. Da varanda, é possível ver todos os cômodos da casa e até mesmo o lado de fora, de modo que o dono pudesse controlar tanto a família, quanto os escravos. Falando em controle, o quarto da moça solteira ficava próximo ao quarto dos pais, o que permitia que ela fosse vigiada. Já o quarto do homem ficava mais isolado e próximo à escada que dava acesso ao andar inferior e permitia que subissem escravas para visitas noturnas. Esse quarto masculino não possuía cama, já que os jovens eram enviados para estudar no exterior e passavam pouco tempo na casa, quando dormiam em redes.

Jardim do Solar Gomes de Sousa
Jardim do Solar Gomes de Sousa

Além visitar a exposição que reproduz as casas de época dos séculos XVIII e XIX, fazemos ainda uma visita aos jardins e à coleção de artes visuais. No jardim é possível ver bustos de personalidades e outras esculturas, como os três deuses romanos de procedência inglesa que ficavam no alto das três torres da antiga Fábrica de Fiação do Rio Anil. As figuras representam Minerva, deusa da sabedoria e da inteligência, que dava inspiração aos trabalhadores; Ceres, deusa da agricultura, que proporcionava fartura no campo para a produção de algodão; e Mercúrio, deus do comércio, para a realização de bons negócios e expansão das atividades comerciais de importação e exportação.

Na Galeria Floriano Teixeira são realizadas exposições de curta duração. Quando eu fui, estavam lá obras que mesclavam fotografias antigas e atuais da arquitetura local, bem como croquis feitos a partir da observação livre. Há, ainda, o Teatro Apolônia Pinto, onde são realizadas palestras, projeção de vídeos e filmes e apresentações musicais, teatrais e de dança, além de uma biblioteca e loja.

O passeio é muito interessante por permitir conhecer um pouco mais sobre os costumes da época, inclusive a relação entre os ricos e os escravos, o preconceito racial, os papéis das mulheres e dos homens na sociedade, a adaptação de costumes europeus à realidade brasileira e outros detalhes históricos importantes para a formação do povo brasileiro.

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