Casa do Maranhão

São Luís – Casa do Maranhão

Quando eu estava fazendo meu passeio pelo centro histórico de São Luís, aproveitei para passar no Cais da Praia Grande para pegar informações sobre o transporte até Alcântara, para onde eu iria no dia seguinte. Justamente na frente desse terminal marítimo é que fica a Casa no Maranhão, que possui entrada gratuita.

Esse edifício foi construído entre 1871 e 1873 por Francisco Golçalves dos Reis, que ganhou o direito de explorar a propriedade por 15 anos, e, em sua inauguração, serviu para abrigar o Thesouro Público Provincial. Em 1890, depois de já haver sido proclamada a república, o imóvel foi adquirido pelo Estado. Décadas mais tarde, serviu como sede da Secretaria Estadual da Fazenda, tornando-se o local onde os servidores estaduais iam para sacar seus vencimentos.

Já em 1958, o imóvel ganhou um anexo conhecido como Armazém do Estado, que foi demolido parcialmente para a abertura da Avenida Senador Vitorino Freire. Atualmente, as paredes restantes fazem parte da Praça da Fé.

Fachada em estilo neoclássico
Fachada em estilo neoclássico

A casa ocupa a quadra inteira e possui cerca de 3.500 m2. Na fachada, é possível observar brasões das Armas Nacionais e colunas e faixas horizontais dividindo as janelas. A construção, de estilo neoclássico, foi restaurada em 2014.

A parte principal da exposição se encontra no piso superior. Ali é mostrado o folclore, as lendas, as histórias e as tradições que fazem parte da cultura maranhense, assim como seu patrimônio arquitetônico e as artes em geral. Além de quadros com fotos e textos, há muitas vestimentas e instrumentos musicais, além de equipamentos multimídia que exibem vídeos e reproduzem músicas.

Exposição sobre a cultura do estado
Exposição sobre a cultura do estado

A exposição é extensa, principalmente se você parar para ler os textos dos painéis que explicam com detalhes as festas regionais e as manifestações culturais.

A maioria dos painéis e dos objetos expostos estão relacionados às festas de boi. A gente que não é da região não tem a menor noção da complexidade do negócio. Iniciada como uma brincadeira de escravos, a festa foi perseguida radicalmente pelos políticos e pela polícia, chegando a ser proibida entre os anos de 1861 e 1868 e sendo quase eliminada da sociedade como um todo. Mas acabou por se estabelecer como a principal manifestação popular do estado e hoje é uma festa democrática, envolvendo pessoas de todas as idades e classes sociais. O auge dos festejos ocorre no período junino, principalmente nos dias de São João (24), São Pedro (29) e São Marçal (30).

Bumba Meu Boi
Bumba Meu Boi

As comemorações de bumba meu boi, bumba boi ou simplesmente boi se fazem presentes em várias regiões do Brasil, pois a pecuária é muito importante na história e nos dias atuais do nosso país. No Maranhão, a brincadeira é diferente por possuir um ciclo anual de comemorações: ensaios, batizado, apresentações e morte.

Achei lindas as roupas expostas, muito detalhadas, grandiosas e cheias de brilho para chamar a atenção nas festas. Quando você pensa que cada um desses pedacinhos é colocado manualmente, dá para ter uma noção do trabalho empreendido para fazer fantasias novas a cada ano.

Mas mesmo dentro do próprio estado do Maranhão os grupos possuem particularidades de ritmos, movimentos e outros detalhes. Esses são os chamados sotaques. Apesar das diferenças, todos os sotaques se baseiam na mesma história de morte e ressureição de um boi especial, que nos foi explicada por um dos funcionários do museu que faz uma pequena visita guiada pela exposição e depois te deixa à vontade para explorar o local por conta própria.

Pai Francisco, Bumba Meu Boi e Mãe Catirina
Pai Francisco, Bumba Meu Boi e Mãe Catirina

A tradição teve início no século XVIII, quando se contava a lenda que envolve três diferentes raças que viviam na região: os índios, os brancos e os negros. A trama se passa em uma fazenda de foco na pecuária, comandada pelo homem branco, onde existe um boi precioso e especialmente querido pelo seu dono que, juntamente com seus vaqueiros, dispensam os maiores cuidados à sua prenda.

Nessa fazenda, a escrava Mãe Catirina, que está grávida, tem o desejo de comer a língua justamente do animal. A fim de atender aos seus incessantes apelos, o Pai Francisco, escravo de confiança do patrão, decide roubar o boi, matá-lo e dar a iguaria para a mulher comer. Descoberto o crime, Pai Francisco foge para a floresta e é perseguido pelos homens do fazendeiro, que não conseguem capturá-lo.

Com o fracasso dos vaqueiros, o fazendeiro recorre aos índios ou caboclos guerreiros, que conhecem melhor a mata e conseguem capturar o Pai Francisco, que passa por terríveis castigos físicos. Por fim, com a ajuda do pajé, Nego Chico consegue ressuscitar o boi, trazendo de volta a alegria e proporcionando uma festa com muita música e dança em volta do animal.

Janelas do casarão
Janelas do casarão

Em termos de festas e manifestações culturais, esse foi o museu que eu mais gostei de São Luís. A vista também vale a pena pela arquitetura do casarão, com ambientes amplos e cheios de janelões com vista para a rua ou para o rio.

No andar de baixo, há uma sala para eventos e uma exposição sobre o patrimônio maranhense, que envolve diversos conjuntos arquitetônicos, casas, fontes, igrejas, prédios históricos e terreiros. Além dos bens materiais, o Maranhão possui duas manifestações culturais na lista de Patrimônio Imaterial Cultural do Brasil: o Tambor de Crioula e o Complexo Cultural do Bumba-meu-boi do Maranhão.

 

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