Forte Santo Antônio da Barra

São Luís – Forte Santo Antônio da Barra

Quando eu estava viajando para São Luís vindo de Barreirinhas, cidade que usei como base para os passeios pelos Lençóis Maranhenses, uma das pessoas que estava na van comentou sobre esse forte, que tinha acabado de ser reaberto e valia a pena visitar.

De fato, a obra que se encontra na Ponta d’Areia foi entregue no dia 8 de setembro de 2017 como parte das comemorações dos 405 anos da fundação da capital maranhense, poucas semanas antes de eu chegar. O governo do estado, em parceria com a prefeitura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), estava fazendo uma série de intervenções e reformas muito importantes para o patrimônio cultural da cidade – o que eu espero que continue, pois muitas casas antigas do centro histórico estão em condições de dar pena.

A história do forte tem origem com os franceses, que construíram ali uma estrutura de pau-a-pique denominada Forte do Sardinha, em 1614. Cercados por mar pelos portugueses, os franceses acabaram por se render e assinar um termo de entrega da colônia.

Planta de 1750
Planta de 1750 | Biblioteca Nacional, Lisboa

Já no final do século, em 1691, documentos registram que se iniciou a construção da fortaleza em meio a dificuldades devido à falta de engenheiro, pedreiros, índios de serviço, materiais e cal. O fato é que a construção, inicialmente tida como fortaleza temporária, tornou-se, mais tarde, permanente. Depois de ficar em ruínas, foi reconstruída depois de 1771, estrutura essa que é a presente nos dias de hoje. O objetivo era proteger a colônia portuguesa das invasões de outros países estrangeiros, sendo uma das edificações militares mais antigas da capital. Sua localização na entrada da barra do porto de São Luís, antigamente chamada de Ponta de João Dias, era estratégica para a defesa da capital.

São dois prédios, originalmente destinados à residência do comandante e do destacamento, um armazém para objetos de artilharia e uma muralha, distribuídos de forma arredondada. Os canhões estão dispostos nas aberturas das muralhas, de onde se avistava os inimigos, e ao redor da propriedade. São 13 dos 22 canhões originais utilizados na defesa da cidade.

Canhão voltado para a cidade
Canhão voltado para a cidade

A reforma reestruturou o prédio para uso como espaço cultural, com exposições artísticas e eventos. Foram trocados os revestimentos das paredes e pisos, o telhado inteiramente refeito e os canhões e a estrutura original que sustentava o farol, instalados no século XIX e de origem francesa, restaurados. Também foi dada atenção à parte externa com a instalação de luminárias em LED com jatos de luzes de diversas cores, valorizando a construção original através da iluminação indireta. Toda o entorno foi urbanizado.

Museu das Embarcações
Museu das Embarcações

Uma das atrações do local é a exposição permanente do Museu das Embarcações. Ali foram colocados quadros explicando as características dos barcos utilizados em diferentes regiões do estado, destacando as suas particularidades e materiais utilizados. Há réplicas em miniatura de todos eles, um trabalho muito importante para preservar o conhecimento popular em uma área tão significativa na formação cultural da região.

Museu de Imagem e Som
Museu de Imagem e Som

A parte do Museu de Imagem e Som é bem modesta, contando com uma pequena exposição de equipamentos antigos. A sala tinha também alguns quadros interessantes que retratam a cidade e uma sala de projeção.

A visita gratuita é acompanhada por um funcionário local, que dá explicações sobre os objetos e obras expostos e depois te deixa livre para explorar. É um passeio bem rápido e que pode ser feito mais para o final da tarde, já que o forte se encontra na frente do Espigão da Ponta d’Areia, de onde se tem uma bela vista do pôr-do-sol junto ao mar.

Estrutura do forte
Estrutura do forte

Quando eu fui, no final do mês de setembro, ainda não haviam sido inauguradas a livraria e a cafeteria, que devem tornar o passeio mais completo e interessante. Também senti falta de contarem de maneira mais amigável a história do local e sua estrutura – o que se vê lá são painéis com textos extensos e com citações, nada atrativo ou instigante. Parece que pegaram o projeto da reestruturação do forte, escrito de maneira rebuscada, e colocaram lá sem fazer uma adaptação para torná-lo interessante para o visitante. Fora isso, um ótimo trabalho de valorização da cultura e que vale a pena conhecer.

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