Le Marché de Noël de La Défense

Paris – Le Marché du Noël

Eu não lembro exatamente com que idade eu parei de acreditar em Papai Noel e, com isso de viajar no final do ano para aproveitar as férias ou o recesso do trabalho, acabo nem mexendo com decoração em casa. Também sempre critico quando as lojas já começam a focar na data no começo de outubro, ignorando o halloween e o meu aniversário e evidenciado o caráter comercial da troca de presentes. Apesar de tudo, confesso que eu adoro quando a cidade está toda iluminada e, pensando nisso agora, estou mentalmente fazendo um compromisso interno de montar árvore de Natal esse ano… vamos ver! Enfim, o fato é que, mesmo deixando de lado a inocência da infância, ignorando as questões religiosas que envolvem o fim do ano e o sentimento de amor que (muito teoricamente) invade os corações, a troca de presentes e tudo mais, é legal quando a cidade em que você mora ou está visitando recebe uma repaginada no visual ou realiza eventos especiais para a data.

As feiras natalinas ao ar livre começaram a ser realizadas em países como Áustria, Suíça e Alemanha, além do lado leste da França, geralmente no período do advento – as quatro semanas antes do Natal. Segundo o historiador Philippe Wendling, o primeiro desses eventos foi realizado em 6 de dezembro de 1294, em Viena, em homenagem a São Nicolau. Já os primeiros sinais de feiras de Natal datam do século XIV, na Alemanha. Em termos de documento, o mais antigo já encontrado é de 1434, durante o reinado de Frederick II, e descreve a feira que teria sido realizado na cidade de Dresden em uma segunda-feira antes de 25 de dezembro. Em Strasbourg, a data é de 1570, e Nuremberg, 1628. Nos dias mais atuais, o costume se espalhou por várias cidades, inclusive Paris, onde acontece anualmente o Marché du Noël.

La Basilique du Sacré Cœur de Montmartre
La Basilique du Sacré Cœur de Montmartre

O Marché du Noël de Paris começa mais ou menos no dia 20 de novembro e vai até o final de dezembro, alguns dias antes do reveillon. Além da iluminação especial, os locais recebem várias barraquinhas de madeira com artesanatos, decorações de Natal, presentes e souvernirs, roupas e, é claro, muita comida regional, vinhos, pães, sanduíches, chocolates, bolos, doces, etc. São vários locais onde são realizadas as feirinhas – eu fui nas da Avenue des Champs-Élysées, Basilique du Sacré Cœur de Montmartre e La Défense. A foto acima é da feira da Sacré-Cœur e eu acho ela especialmente engraça porque parece que a expressão das freiras revela que elas estão sendo tentadas a cometer o pecado a gula, mas precisam resistir. Risos. Todas as outras fotos abaixo são do Marché du Noël de La Défense.

Le Marché du Noël La Défense
Le Marché du Noël La Défense

O Marché du Noël que acontece próximo ao Grande Arche de la Défense é o maior da cidade. Esse monumento eu prefiro ignorar porque acho feio. Bem feio mesmo. A ideia era fazer uma versão atual do Arco do Triunfo. Daí realizaram uma competição vencida pelos dinamarqueses Johann Otto von Spreckelsen e Erik Reitzel que, junto ao arquiteto francês Paul Andreu, projetaram uma estrutura que representaria a humanidade e os ideais humanitários – em vez de vitórias militares. O que aquele cubo  sem graça tem de humano, se você descobrir, me conta. Enfim, esse marché é ótimo e acontece desde 1994.

Aligot saucisse
Aligot saucisse

O aligot é um purê de batata misturado com queijo tomme, manteiga, alho e outros ingredientes, resultando em uma pasta bem cremosa que lembra um pouco o fondue de queijo em sua consistência – as receitas variam, mas é basicamente isso aí. Geralmente é servido acompanhado de linguiça toulouse ou carne de porco. A receita é típica do sudoeste da França, uma região chamada Massif Central, e era preparada para os peregrinos que passavam uma noite por ali à caminho de Santiago de Compostela.

Tartiflette
Tartiflette

O tartiflette é tradicional da região dos alpes franceses e é preparado com batatas gratinadas, queijo reblochon, cebola, bacon ❤ e outros defumados. O primeiro registro que se tem desse prato é em um livro de culinária de 1705, Le Cuisinier Royal et Bourgeois, de François Massialot e seu assistente, B. Mathieu. O nome provém da palavra tartifles, que significa batata na região de Savoyard. Eu adoro um queijo – sou mineiro, não nego a minha raça – então passei bem na França.

Raclette
Raclette

Agora antigo mesmo é o raclette, mencionado em textos medievais sueco-alemães a partir de 1291 como uma refeição nutritiva consumida pelos camponeses de montanhosas regiões da Suíça e de Savoy (agora parte da França). Trata-se de um queijo de leite de vaca feito em porções individuais rs de cerca de 6 kg. Tradicionalmente, os pastores suíços levavam a iguaria quando estavam levando ou trazendo as vacas dos pastos nas montanhas e, nas noites em volta da fogueira, posicionavam o queijo próximo ao fogo, pegavam a parte derretida e comiam com pão. O termo raclette deriva da palavra francesa racler, que significa raspar – uma referência ao fato de que a parte derretida do queijo precisa ser raspada do restante, ainda duro, para ser comida. No marché o queijo era servido dentro do pão junto com presunto cru, um acompanhamento também tradicional.

Nougat de vários sabores
Nougat de vários sabores

Outra coisa que tinha aos montes, em várias barracas, eram os nougat – um doce feito com castanhas assadas como amêndoas, nozes, pistaches, avelãs ou macadâmias. A receita já existia na Itália do século XV; na Espanha, a primeira receita foi publicada no século XVI; na França aparece no século XVIII; mas há indícios de que a iguaria é bem mais antiga, com as primeiras receitas presentes em um livro árabe de Bagdad já no século X. Eu já conhecia aqui no Brasil como torrone, mas em Paris é vendido nos mais diversos sabores. Até de frutas secas, eca! O bom é que você compra no peso, então pode experimentar um monte comprando pedaços pequenos.

Amostras de chocolate para degustação
Amostras de chocolate para degustação

Essa barraca de chocolate era mais voltada para presentes. Eu não comprei nada, mas peguei várias dessas amostrar porque num sou bobo nem nada. :*. Além desses pratos que eu citei, também comi um sanduíche que vinha tiras gigantescas de canard (pato) e que eu não gostei porque não gosto de pato, acho o sabor forte, a carne gordurosa e eles servem meio cru, enfim. Dispenso. Além disso, como estava fazendo um friozinho delícia, tomei vin chaud em mais de uma ocasião. Lembra um pouco um quentão das festas juninas do Brasil, pois tem especiarias e fruta cítrica (no caso, laranja) em uma bebida alcoólica aquecida (no caso, vinho tinto). Enfim, esses foram apenas alguns exemplos, recomendo ficar três dias sem comer (e sem gastar um centavo) antes de ir em algum Marché du Noël de Paris.

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