Animais pré-históricos

O mundo perdido ★★★☆☆

Título original: The lost world
Ano:
1912
Autor:
Arthur Conan Doyle

Arthur Conan Doyle é um escritor escocês responsável pela criação de um dos detetives mais conhecidos do mundo. Essas histórias estão reunidas no Box Sherlock Holmes, que conta com quatro romances e dezenas de contos, e são consideradas uma grande inovação no campo da literatura criminal.

Arthur Conan Doyle
Arthur Conan Doyle

A fama de Arthur Conan Doyle repousa, em grande parte, nessas obras, mas seus trabalhos também incluem poesias, ficções científicas, peças teatrais, romances históricos, histórias de guerras e, mais perto do final de sua vida, espiritualismo. Além disso, ele mesmo foi detetive, professor e médico oftalmologista. Quando escreveu O mundo perdido, o autor estava tentando se afastar de Sherlock Holmes e investir no gênero de aventura com um novo tipo de herói, mais impetuoso e físico, que é considerado por muitos como seu alter ego. Na primeira edição, havia uma foto fake dos quatro aventureiros do enredo com o próprio escritor todo maquiado, com mãos peludas, barba grande e sobrancelhas grossas, no papel do personagem principal.

O mundo perdido
O mundo perdido

O mundo perdido conta da expedição científica inglesa que parte em direção a um desconhecido território no meio da floresta amazônica, especificamente uma área em que habitam criaturas pré-históricas, que já se acreditava estarem extintas. O romance também descreve os conflitos entre diferentes grupos culturais e raças, incluindo a visão de superioridade dos europeus com relação aos índios e negros.

Foto dos personagens
Foto dos personagens

A obra conta com quatro personagens centrais. O Professor Challenger é um cientista enérgico que desafia todos que não concordam com suas teorias, ao mesmo tempo mostrando força física e uma mente brilhante. O Professor Summerlee tem como principal interesse provar o fracasso da expedição, servindo como um contraponto. Lord John Roxton, de cabeça fria e espírito corajoso, já viveu diversas aventuras. Edward Malone é o narrador da história, que é contada, em grande parte, pelas cartas que envia para o jornal onde trabalha e que pagou pela sua viagem.

Exploração da natureza
Exploração da natureza

Mas pode-se dizer também que o ambiente onde se desenrola a maior parte do enredo é seu personagem principal. Embora o destino nunca seja realmente relevado, acreditava-se que a inspiração teria vindo dos relatos de Percy Harrison Fawcett sobre uma expedição no Parque Nacional de Noel Kempff Mercado, na Bolívia. Trabalhando na delimitação das fronteiras com o nosso país, ele passou por florestas densas, montes de escalada quase impossível e espécies de animais e plantas jamais vistas.

Monte Roraima
Monte Roraima

Entretanto, estudos mais recentes em uma edição com anotações sugerem que o autor se baseou na Serra de Pacaraíma, localizada entre Venezuela, Guiana e Brasil. É ali que fica o Monte Roraima, contornado por falésias com cerca de mil metros de altura. O planalto apresenta um ambiente bastante diverso da floresta tropical e da savana que se estendem abaixo, com numerosas cavernas e solo mais pobre, além de fauna e flora bastante específicos. O local só foi conhecido pelos ocidentais no século XIX, sendo escalado pela primeira vez em 1884.

Animais pré-históricos
Animais pré-históricos

Embora seja inegavelmente um trabalho memorável, o livro também teve suas inspirações. Em 1864, Jules Verne publicou Viagem ao centro da Terra, que contava sobre descobertas fantásticas na exploração de um caminho secreto por dentro de uma montanha, com animais pré-históricos e cenas de aventura. Outros escritores também já haviam apresentado outros elementos usados por Arthur Conan Doyle, que, por sua vez, influenciou muitos trabalhos literários posteriores, além de ter sido adaptado diversas vezes para o cinema, televisão, rádio e outras mídias.

O mundo perdido

Em tempos atuais, pode ser incômodo ler como os personagens principais veem os negros e índios que encontram no decorrer a viagem, geralmente os descrevendo como selvagens e inferiores. As mulheres quase não aparecem na trama, marcada pelo conflito entre homens, com seus egos inflamados. Mesmo os personagens masculinos europeus não têm grande profundidade, sendo retratados de forma caricata. De qualquer maneira, com certo distanciamento, é possível apreciar o estilo de aventura, as referências à teoria da evolução e entender a visão colonialista ainda presente à época.

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