E não sobrou nenhum

E não sobrou nenhum ★★★★★

Título original: And then there were none
Ano: 1939
Autora: Agatha Christie

Com dezenas de livros e coletâneas de contos lançados ao longo de sua extensa carreira, Agatha Christie se estabeleceu como uma das escritoras mais bem sucedidas da história. Entre suas obras, E não sobrou nenhum se destaca como um dos livros mais vendidos em todo o mundo até os dias atuais e é considerado o campeão se levarmos em conta o gênero. Com um enredo que beira o impossível, embora tenha explicações lógicas no fim das contas, ela prende a atenção do leitor até a última página. Não é à toa que ainda faça tanto sucesso.

Agatha Christie
Agatha Christie

Em 1938, Agatha Christie comprou uma casa perto de Brixham, no condado de Devon, ao sul da Inglaterra, que ela e sua família passaram a frequentar nos verões até a sua morte. Durante a Segunda Guerra Mundial, a construção chegou a ser usada pelo exército britânico e hospedou tropas, sendo pintadas cenas de conflitos em um friso que foi mantido pela autora como registro dos acontecimentos. Cercado pela natureza, à beira do rio, o espaço chamado Greenway Estate tem como atrativos a própria casa, com mobília original e coleções de antiguidades, além dos jardins e das trilhas no mato. É ali que se passa a trama de A extravagância do morto, um outro livro dela.

Greenway Estate
Greenway Estate

Essa região do país também serviu de inspiração para a escrita de E não sobrou nenhum, dessa vez em uma pequena ilha que fica a apenas 250 metros da costa, em Bigbury-on-Sea. Na verdade, é possível alcançar a Burgh Island caminhando sobre a faixa de areia durante a maré baixa. Já quando as águas estão altas, a travessia é feita por um trator marítimo – espécie de veículo suspenso que passou a ser usado no local a partir de 1955. Enquanto as rodas se mantêm em contato com a areia, os passageiros ficam em uma plataforma sobre o mar. A primeira construção no local foi erguida nos anos 1890 – uma casa pré-fabricada de madeira que era usada para receber convidados em festas nos finais de semana.

Burgh Island
Burgh Island

É justamente nessa ilha que fica o Burgh Island Hotel. Construído em estilo art deco, o local se tornou um destino popular a partir dos anos 1930. Também durante a Segunda Guerra Mundial, essa estrutura foi usada como centro de recuperação para soldados da força aérea e chegou a ser bombardeada, tendo seus dois andares superiores danificados. Mesmo sendo reparado, o hotel passou por um período de declínio no pós-guerra e foi convertido em apartamentos. A hospedagem só seria totalmente restaurada durante os anos noventa.

Burgh Island Hotel
Burgh Island Hotel

Desde 1929, o Burgh Island Hotel tem recebido hóspedes que vão ao local para aproveitar a atmosfera tranquila, incluindo alguns famosos. Em homenagem à sua rica história, os vinte e cinco quartos e suítes levam os nomes de algumas dessas celebridades, incluindo o Agatha Christie Beach House. A casa de praia era usada pela própria autora, que escreveu ali os dois livros que se passam na ilha – Morte na praia foi lançado em 1941 e conta com Hercule Poirot, seu mais famoso detetive.

E não sobrou nenhum
E não sobrou nenhum

E não sobrou nenhum é ambientado em uma misteriosa ilha. A chegada de convidados para um agradável período de descanso e mordomia sugere uma estadia tranquila, mas eles são surpreendidos por dois assassinatos na primeira noite que passam no local. O clima de tensão e desconforto é potencializado pela impossibilidade de comunicação com o continente devido à uma forte tempestade e a estranha ausência do casal de anfitriões. Como estão confinados no mesmo espaço, todos se tornam possíveis futuras vítimas, mas também suspeitos, já que o assassino pode estar entre eles. O interessante é que as mesmas dúvidas que pairam sobre os personagens acabam desafiando o leitor, num emaranhado de situações estressantes, medo e acusações. Não é surpresa que o livro sempre apareça entre os primeiros colocados nas listas de melhores romances policiais de todos os tempos.

Ilustração original do livro
Ilustração original do livro

Eu mesmo já o li algumas vezes – na primeira ocasião, ele ainda era publicado por aqui como “o caso dos dez negrinhos”, mesmo nome que teve por muitas décadas em seu país de origem. Já em terras americanas, o termo nigger era considerado muito ofensivo e foi substituído já na primeira versão. O título original faz referência a uma canção infantil do século XIX que aparece na trama. Assim como os versos do poema, algumas referências e o nome da ilha foi adaptado trocando os “negros” por “índios” ou “soldados”. Infelizmente, não dá para comentar muito sobre a trama sem entregar spoilers.

Série baseada no livro
Série baseada no livro

E não sobrou nenhum é a obra de Agatha Christie que mais recebeu adaptações, inclusive uma versão para o teatro feita pela própria autora em que ela decidiu fazer algumas mudanças no final da trama. Só de filmes para o cinema, já existem mais de dez, além das aparições na televisão, no rádio e outras mídias como jogos digitais e de tabuleiro. A última que eu vi foi uma minissérie com três episódios produzida pela BBC e lançada em 2015.

Compre o livro E não sobrou nenhum

Assim como nas últimas vezes, usei o Kindle para ler o livro. O dispositivo tem capacidade para armazenar milhares de arquivos, bateria que dura semanas e diversas outras vantagens. Eu mesmo tenho aproveitado para ler algumas obras em outros idiomas, já que o acesso direto ao dicionário possibilita tirar as dúvidas rapidamente.

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