Serra da Piedade

Caeté – Serra da Piedade

A Serra do Curral possui mais de 100 km e recebe várias denominações diferentes ao longo de sua extensão, sendo conhecida como Serra da Piedade na porção onde se encontra o santuário com a santa padroeira do estado. Embora seja um destino bastante procurado pelo turismo religioso, o local também atrai visitantes em busca de contato com a natureza e tem grande importância histórica. Estima-se que suas rochas tenham se formado há bilhões de anos atrás, época em que houve a estabilização dos continentes, compostos pela sedimentação química nos oceanos.

Formações rochosas
Formações rochosas

O que vemos hoje são formações resultantes de um longo processo, que envolveu a reação de íons de ferro com o oxigênio produzido por microrganismos no fundo das águas. O óxido de ferro é alternado com camadas de sílica provenientes da erosão e dissolução das rochas. Com isso, surgiu o itabirito que, devido a grandes movimentos da crosta, criaram os dobramentos e fraturas que se evidenciam por toda a serra. Quando os oceanos perderam a capacidade de consumir o oxigênio, esse elemento começou a se concentrar na atmosfera, permitindo a evolução da vida na superfície. Por isso, o estudo geológico dessa região é importante para determinar a história do nosso planeta.

Vista privilegiada
Vista privilegiada

O passeio no alto da Serra da Piedade, com altitude de 1746 metros acima do nível do mar, reúne a beleza natural dessas formações rochosas; a vista privilegiada em 360°, incluindo diversas cidades da região; a visita ao santuário católico; e a observação de estrelas e planetas. Como se encontra a uma distância de 50 km de Belo Horizonte, é possível fazer um bate e volta a partir da capital mineira, mas é importante seguir alguns passos para planejar melhor o passeio.

Eu conheço o local há bastante tempo, mas a visita mais recente foi depois do início da pandemia de coronavírus. Pelo menos nesse momento, o acesso tem sido controlado para limitar o número de pessoas e evitar aglomerações, sendo importante entrar na página oficial para verificar a necessidade de agendamento – recomendo fazer isso uma semana antes da data pretendida. É bom dar uma olhada na programação de eventos, já que você pode preferir ir em uma celebração religiosa ou, pelo contrário, evitar esses dias para explorar tudo com mais calma. Também recomendo acompanhar a previsão do tempo, dando preferência para quando não tiver chance de chuvas ou clima nublado. No mapa interativo acima é possível ver os atrativos locais – para mais detalhes, basta aproximar.

Escultura na subida
Escultura na subida

Definido o dia, o ideal é se dirigir até o local de carro, já que a entrada fica no meio da estrada. Você pode ir até o topo da montanha para não precisar fazer nenhum esforço ou deixar seu veículo próximo à portaria e continuar a pé. A caminhada é de pouco mais de 5 km de subida. Na segunda opção, você não precisa ficar estacionando toda hora para ver algumas imagens e as quinze estações da Via-Sacra, marcadas por pequenos painéis de azulejo concebidos pelo artista plástico Paulo Schimidt e produzidos pela arquiteta Ana M. Schimidt. No meio do curso ficam o Observatório Astronômico Wykrota e um ponto de apoio com lanchonete e banheiros, que estava em reformas quando passei por lá da última vez.

Observatório Astronômico Frei Rosário
Observatório Astronômico Frei Rosário

Já lá no topo da montanha, destaca-se o Observatório Astronômico Frei Rosário, que foi inaugurado em 1972 e funciona sob responsabilidade do departamento de física da UFMG. A estrutura conta com dois telescópios profissionais e vários outros amadores, além de lunetas e outros equipamentos. Há alguns anos atrás, o público geral tinha acesso liberado no primeiro sábado de cada mês, quando era possível visitar o interior da estrutura para observar estrelas, planetas e fenômenos diversos no céu. Atualmente, são feitas apenas visitas agendadas para grupos escolares e as regras podem ser conferidas na página oficial.

Praça Cardeal Motta
Praça Cardeal Motta

O alto da Serra da Piedade também é o destino de romarias e outros eventos católicos. No início do século XVIII, foi construída ali uma morada para eremitas, que se isolam para a prática da religiosidade, penitência, misantropia ou pelo simples amor à natureza. A pequena igreja, agora intitulada Basílica Nossa Senhora da Piedade, foi construída a partir de 1767 e dedicada à Santíssima Virgem Maria. A adoração teve início com o relato de sua aparição, no alto da serra, a uma menina surda e muda, que recebeu a graça de poder ouvir e falar. Em 1856, foram feitas obras de ampliação da estrutura, então insuficiente para comportar o crescente número de fiéis presentes nas celebrações religiosas.

Imagem de autoria de Aleijadinho
Imagem de autoria de Aleijadinho

Em 1958, chegou a Minas Gerais a imagem que se cultua no local e a consagração solene da santa foi realizada dois anos depois. Na pequena igreja, os fiéis podem apreciar a escultura de Nossa Senhora da Piedade datada do século XVIII e de autoria atribuída a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. A nave principal é bastante simples, sendo ladeada por dois pequenos corredores que serviam como pousada para os visitantes e, hoje, abrigam capelas. Nas laterais ficam os painéis de azulejos concebidos pela artista plástica Maria Helena Andrés e executados por Gianfranco Cavedone Cerri, em 1996. É uma construção simples e pequena, mas de grande valor simbólico e religioso.

Calvário
Calvário

As principais temporadas de peregrinação são a quaresma, que antecede a páscoa cristã, e os meses de agosto e setembro, culminando nas comemorações do dia da santa. Diante da fachada frontal, no lado oposto da extensa praça, estão as esculturas do Calvário moldadas em ferro por Vlad Eugen Poenaru, cada uma pesando cerca de uma tonelada. A imagem de Cristo aparece presa à uma grande cruz, tendo a Virgem Maria à sua direita e São João à sua esquerda.

Presépio da gruta
Presépio da gruta

Outros atrativos ficam mais escondidos. Um dos exemplos é o Caminho das Dores de Maria, que reúne mosaicos que retratam sete momentos de sua vida. Nessa passagem fica a entrada para uma pequena gruta onde se encontra o Presépio. Logo depois, chega-se à Cripta São José, onde estão sepultados o Frei Rosário Jofylly e o Padre Virgílio Resi, importantes figuras da história do santuário. A cripta possui acesso externo ou pela Casa dos Peregrinos, que oferece serviços e hospedagem para indivíduos ou grupos que queiram passar o dia no local ou ficar para dormir.

Igreja de arquitetura moderna
Igreja de arquitetura moderna

Construída em estilo modernista a partir de 1974, a Basílica Estadual das Romarias foi projetada pelo arquiteto carioca Alcides da Rocha Miranda. Destaca-se a estrutura em concreto aparente; a extensa fachada em vidro; os murais em cerâmica fosca executados por Cláudio Pastro, em 1989; e a escultura de Léo Santana, que faz referência à obra de Aleijadinho. Além do maior espaço para celebração de missas, com capacidade para receber até três mil fiéis, essa igreja possui, em seu saguão de entrada, uma área dedicada à exposição fotográfica com a história do santuário e mostras temporárias.

Restaurante Espaço Dom João Resende Costa
Restaurante Espaço Dom João Resende Costa

O santuário conta, ainda, com uma biblioteca de rico acervo, incluindo obras raras e em diversas línguas que irão integrar o Centro Cultural João Paulo II. Também há um anfiteatro a céu aberto chamado Arena da Amizade, jardins e áreas abertas com esculturas religiosas, incluindo uma de autoria de Alfredo Ceschiatti, espaços para tomar um café e fazer refeições, estacionamentos e praças. O ingresso da visita deve ser pago no Restaurante Espaço Dom João Resende Costa, onde também é possível fazer uma refeição com vista para a paisagem. O ideal é guardar um período completo do dia para explorar o local, que possui vistas de toda a região.

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