Paris is burning

Paris is burning ★★★★☆

Título Original: Paris is burning
Ano:
1990
Direção:
Jennie Livingston
Elenco: Dorian Corey, Pepper LaBeija, Venus Xtravaganza, Octavia St. Laurent, Willi Ninja, Angie Xtravaganza, Freddie Pendavis e Junior Labeija.

Esse documentário foi filmado em diferentes períodos no fim da década de 1980 e mostra eventos realizados em Nova York por uma parte marginalizada da sociedade: pobres, afro-americanos, latinos, gays e transgêneros. Conhecidos como drag balls, esses bailes permitiam que integrantes dessas comunidades se expressassem artisticamente em competições temáticas, o que acabou criando uma cultura própria bastante rica. O nome do filme é uma referência à festa realizada anualmente por Paris Dupree, considerada por muitos a percursora do estilo de dança que imita poses de modelos em revista, o vogue.

Surgimento do estilo de dança vogue
Surgimento do estilo de dança vogue

Então estudante de cinema na New York University, Jennie Livingston estava fotografando na rua quando conheceu dois jovens que faziam justamente os movimentos da dança e usavam gírias pouco conhecidas. Intrigada por esse diferente mundo, a diretora passou a visitar os drag balls e conhecer as personalidades que seriam entrevistadas para o documentário, tanto por áudio quanto por vídeo, além de fazer diversas imagens externas. Com mais de 75 horas de material bruto, o filme foi editado para chegar a 78 minutos.

Desfile com roupas de grife
Desfile com roupas de grife

O foco principal são as elaboradas competições realizadas em categorias diversas com os concorrentes desfilando como modelos em passarelas, sendo julgados pela sua atitude, a beleza das roupas, as danças e sua realness – capacidade de se fazer passar pelo sexo ou pelo grupo que estavam representando. No banjee realness, por exemplo, homens gays se faziam passar por marinheiros, soldados ou até mesmo bandidos héteros. Em outros casos você deveria se parecer uma mulher da alta sociedade. O filme é bem didático ao explicar essas e muitas outras expressões como reading, shade, mother e houses.

Uma nova família
Uma nova família

Cada house competia para trazer o máximo de troféus para seu grupo em busca de se tornarem legendary, um título de prestígio. Mas, mais do que a participação nos eventos e a busca pela fama, essas casas representavam novas famílias para jovens que haviam sido expulsos de suas moradias originais ou tinham fugido para as ruas devido ao preconceito dos pais biológicos, que não aceitavam suas expressões de gênero ou orientação sexual. Ali eles ganhavam moradia, alimentação e um novo sobrenome.

Realidade das ruas de Nova York
Realidade das ruas de Nova York

Ao tratar essas questões, o documentário entra em temas mais profundos e sensíveis como homofobia, violência, pobreza, racismo e doenças. A realidade é mostrada de forma nua e crua. Muitos desses jovens se prostituíam para sobreviver ou juntar dinheiro para cirurgias plásticas como implantes de seios ou mudança de sexo, enquanto outros roubavam lojas para usar as roupas nos bailes. Também são tocadas questões psicológicas como o uso da força, do orgulho e do humor como forma de sobreviver em um mundo dominado por pessoas ricas e brancas.

Entrevista com pessoas diversas
Entrevista com pessoas diversas

Através das entrevistas e dos registros focados em pessoas com diferentes idades, ambições e talentos, aprofunda-se na história dos bailes até aquele momento e as perspectivas para o futuro. Algumas conseguiram se destacar para além daquela realidade, algumas acabaram caindo no esquecimento e outras tiveram destinos incertos. Fato é que, mesmo em um universo tão específico, é possível identificar boa diversidade de personagens.

Inspiração em modelos
Inspiração em modelos

Como resultado, temos um retrato complexo das diferentes identidades de gênero, classes sociais, raças e aspirações em uma época e espaço específicos, mas que podem ser vistos como representantes de um cenário mais amplo e com repercussões até os dias atuais. Seu conteúdo ainda extrapola o mundo lgbt+ ao mostrar como a sociedade em geral é influenciada pela mídia, a necessidade de se adequar a uma estética corporal, a validação por meio de bens materiais, a luta pela sobrevivência e a sensação de pertencimento. Mais de duas décadas após seu lançamento, Paris is burning continua relevante e ganhou mais evidência com a produção da série Pose.

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