Jojo Rabbit

Jojo Rabbit ★★★★☆

Ano: 2020
Direção: Taika Waititi
Elenco: Roman Griffin Davis, Thomasin McKenzie, Taika Waititi, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Rebel Wilson, Stephen Merchant e Alfie Allen.

Poucos filmes tratam a visão infantil de uma guerra e menos ainda fazem uma sátira que busca entreter com situações cômicas ao mesmo tempo que fazem críticas. Eu entendo essa lacuna porque é um risco grande fazer piada com um assunto tão sério, ainda mais com a presença de um personagem como Adolf Hitler sendo visto como um herói pelo protagonista. Tanto é que muitos atores se recusaram a assumir o papel do ditador, que acabou sendo interpretado pelo próprio Taika Waititi, que escreveu e dirigiu alguns filmes que eu gosto bastante.

O céu que nos oprime

Nesse caso, o enredo é baseado no livro O céu que nos oprime, da autora americana Christine Leunens. A história se passa no final da década de 1930, com a Áustria anexada ao reich alemão, quando muitas crianças inocentes teriam abraçado o sonho nazista. É importante lembrar que todo regime faz propaganda e uma verdadeira lavagem cerebral para convencer as pessoas a lutarem pela sua causa, mesmo que elas não tenham a dimensão real do que isso significa. Isso pode afetar especialmente os mais novos, vide as crianças com cartazes e camisas da seleção brasileira nas manifestações realizadas no nosso país nos últimos anos que, quando questionadas sobre o que estavam fazendo, apenas reproduziam o discurso genérico que ouviam dos mais velhos ou simplesmente não sabiam o que estavam fazendo ali.

Hitler como amigo imaginário
Hitler como amigo imaginário

Integrante da Juventude Hitlerista, o protagonista tem o líder nazista como amigo imaginário e sonha servir na guerra, embora tenha se mostrado incapaz de matar até mesmo um coelho, o que lhe conferiu o apelido de Jojo Rabbit. O conflito ainda maior surge quando ele descobre que sua mãe esconde uma jovem judia atrás de uma parede falsa no sótão de sua casa, em Viena. O grande dilema de sua vida passa a ser cumprir com o seu dever e entregar para as autoridades aquela menina odiosa ou seguir o seu coração, que de fato não deseja mal a ninguém, e ajudar a protegê-la. Fora os sentimentos confusos que ele tem com relação à sua própria mãe, que era um exemplo a ser seguido e passou a abrigar o inimigo.

Judeus segundo o treinamento nazista
Judeus segundo o treinamento nazista

Retratando de maneira cômica uma das figuras mais odiadas da história, o filme corre o risco de humanizá-lo, o que causou repulsa em muitos espectadores. Obviamente que se trata da visão particular daquela criança que quer, acima de tudo, a aprovação de uma figura masculina, já que seu pai está há muito tempo desaparecido. Além disso, o roteiro deixa claro desde a primeira cena que está justamente ridicularizando a mentalidade fascista e o antissemitismo ao incluir um campo de treinamento infantil onde as crianças têm aulas de incineração de livros e sobre a natureza monstruosa dos judeus, que seriam filhos do capeta que sugam o sangue cristão durante seus bar mitzvah.

Perspectiva pessoal em meio ao conflito
Perspectiva pessoal em meio ao conflito

O filme enfoca bastante na perspectiva pessoal da guerra, desenvolvendo bem os personagens e fazendo com que o espectador se importe com o seu destino, inclusive de alguns dos que estão do lado errado da história. Alguns deles são apresentados de maneira bem caricata, um recurso usado para ridicularizar as suas atitudes e elevar o tom satírico. Já os principais são mostrados com mais nuances e complexidade. O garotinho que interpreta o Jojo atua muito bem e é o maior destaque da obra, mas o elenco de apoio também não fica para trás.

Consequências da guerra
Consequências da guerra

Embora adote um visual colorido e divertido em muitos momentos, Jojo Rabbit também tem algumas cenas pesadas, incluindo a morte de inimigos do regime e a destruição da cidade. Não são imagens tão gráficas, mas o suficiente para mostrar as consequências reais da guerra, principalmente para o protagonista, que tinha uma visão um tanto romântica do conflito. As filmagens aconteceram na República Tcheca, nas cidades de Praga, Ustek, Chcebuz e Zatec.

Uma inimiga dentro de casa
Uma inimiga dentro de casa

Fato é que o filme mistura crítica social, comédia e fofura com bastante eficácia, usando de um estilo muito próprio em todos os aspectos estética da abordagem, e eu fiquei bastante curioso para saber se o livro O céu que nos oprime tem a mesma pegada – vou tentar ler futuramente. No fim das contas, a obra cinematográfica é uma história sobre como o amor pode vencer a guerra, uma visão um pouco inocente demais, mas com momentos tocantes e encantadores.

O céu que nos oprime

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