Parasita

Parasita ★★★★★

Título original: 기생충
Ano: 
2019
Direção: 
Bong Joon-ho

Desde que assisti a esse filme, há alguns meses atrás, tenho fortemente recomendado aos meus amigos e a qualquer um que passe por mim na rua. Alguns podem não ter dado muita atenção, o que eu entendo porque eu basicamente dizia “veja, mas não vou te falar nada sobre ele para não estragar a experiência”, mas tudo bem, continuo insistindo. Essa é uma daquelas obras que é melhor apreciada se você chegar sem saber nada – nem trailer. Agora, passado um tempo, resolvi postar sobre o assunto tentando não dar nenhum spoiler relevante.

Família pobre
Família pobre

Uma das coisas que me chamou a atenção em Parasita é a universalidade do tema. Embora se passe em alguma grande cidade da Coréia do Sul, é muito fácil trazer a trama sobre duas famílias de classes sociais distintas para a realidade de qualquer país marcado pela diferença gritante entre os mais ricos e os mais pobres, um problema econômico, social, cultural e político que tem gerado protestos e conflitos recentes no Chile, Líbano, África do Sul, França e Estados Unidos, apenas para citar alguns poucos exemplos e a sua abrangência pelo mundo. O que o filme nos mostra é que sempre vai existir alguém acima de você. E abaixo. Aliás, o tema dos andares é amplamente explorado.

Apartamento no subsolo
Apartamento no subsolo

Não é à toa que uma das famílias more no claustrofóbico apartamento do porão de um prédio num bairro miserável, literalmente abaixo do nível do solo, com pequenas janelas que lhes permite apenas vislumbrar o que se passa lá fora. Cruel, mas ainda esperançoso. Ali eles lutam para conseguir pegar o sinal de wi-fi de algum vizinho, trabalham por um pagamento miserável dobrando caixas de pizza e deixam entrar o fumacê que passa na rua para ter uma dedetização gratuita. Eles lutam para sobreviver, mas querem mais.

Casa ampla
Casa ampla

Como contraponto, vemos a elite da sociedade ocupando a casa perfeita, mas com os moradores tendo seus próprios problemas, tanto de ordem prática quanto emocionais. E não surpreende que, mesmo nesse local aparentemente tão agradável, onde vive uma família compreensiva e com ótimo relacionamento com as pessoas que ali trabalham, os preconceitos velados apareçam em pequenas atitudes e barreiras sejam erguidas para separar os dois mundos distintos. Com uma crescente tensão, o filme nos faz refletir: quem é o parasita?

Família rica
Família rica

No fim das contas, a história não é sobre a família pobre e a família rica. É sobre nós, um espelho para enxergarmos e refletirmos sobre nossas próprias falhas, preocupações mesquinhas, qualidades, aspirações e invejas. E o que faz dele tão perfeito é tratar um tema tão pesado com aparente leveza, pelo menos de início, permitindo que você se surpreenda, torça por um ou outro lado, rache de rir, fique chocado e depois saia da experiência satisfeito ou querendo morrer, provavelmente os dois.

Festa em família
Festa em família

Mesmo sem entrar em nenhum detalhe da trama, acho que deu para entender porque eu quero que todo mundo assista. Para mim, foi o melhor do ano – veja a retrospectiva de filmes que eu assisti em 2019.

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