Santuário de Nossa Senhora d'Ajuda

Arraial d’Ajuda – Santuário de Nossa Senhora d’Ajuda

Embora a viagem para Arraial d’Ajuda não tenha tido como objetivo principal fazer turismo, mas sim aproveitar a casa de temporada da praia para dar uma relaxada, eu acabei fazendo alguns passeios. Em uma volta pela parte mais histórica da cidade, acabei visitando o Santuário de Nossa Senhora d’Ajuda, considerado o mais antigo santuário católico do Brasil. A igreja está localizada em uma pacata praça rodeada de casinhas históricas que, hoje, são ocupadas por lojas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais voltados para os turistas e romeiros de várias localidades que visitam o local. Toda essa parte central é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan.

Fachada do santuário
Fachada do santuário

Quem vê o santuário pode pensar que se trata de uma construção muito simples, mas o fato é que ela evoluiu bastante da sua forma original. Tudo começou no ano de 1549, quando chegaram às terras brasileiras, na região que é conhecida como a Costa do Descobrimento, três naus chamadas Conceição, Salvador e Ajuda. Os nomes seriam, posteriormente, adotados por cidades baianas e suas primeiras igrejas. Nessa viagem, vieram, junto à comitiva de Tomé de Souza, os cinco primeiros jesuítas a desembarcar em nosso território. Eles foram os responsáveis por erguer a capela que contava apenas com um altar móvel, um crucifixo e a imagem de Nossa Senhora trazidos de Portugal. Os móveis e objetos eram cobertos por folhas de palmeiras. Somente em 1722 surgiu a estrutura atual, erguida com pedra e cal. Embora muitas reformas tenham sido feitas ao longo dos anos, o santuário conserva até hoje o antigo altar e a milagrosa imagem de Nossa Senhora d’Ajuda.

Fatos que marcaram a história
Fatos que marcaram a história

Existem diferentes versões para o milagre da água atribuído à santa. No início do século XVI, o famoso jesuíta José de Anchieta escreveu sobre o “sonoro brando sussurro da água que milagrosamente jorrou de uma fonte ao pé de uma frondosa árvore, quando o Pe. Francisco Pires celebrava ali o santo sacrifício da missa”. Já o padre Simão de Vasconcelos narrou que “um lenhador, habitante de um rancho calmoso à aureola da costa, subindo certo dia o ápice da montanha, de repente topou surpreso em um calhau; era a milagrosa santinha”. Por fim, também é dito que no alto da encosta morava um fazendeiro que não gostava de ver passar pelas suas terras aqueles religiosos, que iam e viam carregando a água. Um dia, não suportando mais a invasão, determinou a proibição dessa passagem. Com isso, os fiéis passaram a rezar suplicando pelo milagre de uma fonte de água para seu trabalho e sua sede, o que teria sido atendido em plena hora da missa. O fazendeiro, arrependido, resignou-se à religião cristã e passou a comungar com os fiéis.

Programação do santuário
Programação do santuário

Fato é que o local se tornou um ponto de peregrinação, tradicionalmente sendo alcançado a pé ou a cavalo por pessoas vindas de outras cidades baianas, de Minas Gerais e do Espírito Santo. A romaria ainda é um importante evento para os religiosos nos dias atuais, tendo início no dia 6 e culminando na grande Festa de Nossa Senhora d’Ajuda em 15 de agosto. O evento atrai pessoas de várias localidades do Brasil e chega a causar congestionamento na travessia de balsa entre Porto Seguro e Arraial d’Ajuda. Por isso, é bom se programar caso o objetivo seja visitar as praias da região nessa época. Quanto à igreja, ela fica aberta o dia inteiro e conta com eventos diversos ao longo do ano.

Interior da singela igreja
Interior da singela igreja

O interior é bem simples, sem pinturas na parede, com piso de pedra e bancos antigos de madeira. O destaque fica para o altar com as imagens religiosas. Já na sala dos ex-votos, vários objetos servem como testemunha das inúmeras graças alcançadas pelos fiéis que visitaram o local e fizeram as suas promessas. A devoção também aparece do lado de fora, principalmente na parte de trás do santuário. Ali os visitantes amarram as famosas fitinhas coloridas que podem ser compradas de vendedores ambulantes, nas lojas de artesanato e outros estabelecimentos.

Fitas de santos no mirante
Fitas de santos no mirante

Essas fitas são usadas para fazer um pedido ou agradecimento. Diz a tradição que elas tiverem sua origem no costume de utilizar tiras das roupas de santos para ter sorte ou proteção. Com o passar do tempo, com os tecidos ficando cada vez mais raros, passou-se a utilizar fitas coloridas, que eram produzidas artesanalmente. O correto seria usá-la no pulso esquerdo com duas voltas e três nós, cada um deles correspondendo a um pedido feito em silêncio. As requisições seriam realizadas com o rompimento natural, tempos depois. Outra regra é que elas deveriam ser recebidas como um presente e não compradas. Mas o passar do tempo e a popularização mudou tudo e, atualmente, o apetrecho é fabricado industrialmente com outros materiais e colocado em todo lugar. No Santuário de Nossa Senhora d’Ajuda, elas tomam todo o guarda-corpo do mirante com vista para o oceano, um ótimo ponto para ver a paisagem da região, o encontro do rio com o mar e o nascer do sol e da lua.

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s