22 de julho

22 de julho ★★★★☆

Título Original: 22 July
Ano:
2018
Direção:
Paul Greengrass
Elenco: Anders Danielsen Lie, Jon Øigarden, Thorbjørn Harr, Jonas Strand Gravli, Ola G. Furuseth, Ulrikke Hansen Døvigen, Isak Bakli Aglen, Maria Bock and Seda Witt.

Confesso que assisti a esse filme no final do ano passado pelo Netflix, mas deixei para postar na data que consta no título, visto a sua importância. O filme é baseado na obra de Åsne Seierstad, uma jornalista freelancer e escritora conhecida por seus trabalhos relacionados a áreas de guerra como O livreiro de Cabul, 101 dias em Bagdá e Crianças de Grozni: um retrato dos órfãos da Tchetchênia, todos disponíveis em português.

Um de nós, de Åsne Seierstad

Em Um de nós, o livro que inspirou o filme, ela conta a história do mais chocante atentado terrorista da Noruega. Após passar anos escrevendo sobre pessoas envolvidas em conflitos violentos ao redor do mundo, pela primeira vez, a autora se dedica a retratar momentos de terror que se passaram dentro de seu próprio país. O trabalho envolveu inúmeras entrevistas e pesquisas, o que é algo em que a investigadora possui grande experiência. A obra, lançada em 2015, ganhou tradução para o português no ano seguinte.

Ataque na cidade de Oslo
Ataque na cidade de Oslo

O filme foi escrito, produzido e dirigido por Paul Greengrass, que possui experiência tanto em filmes de ação como a trilogia Bourne quanto com adaptações de histórias reais, notadamente Vôo United 93 e Capitão Phillips. Eu gosto de todos, então tinha uma grande expectativa. Esse trabalho foi realizado com atores e equipe noruegueses, o que ajuda a identificar melhor a história como sendo daquele país, ainda que a maior parte dos diálogos seja em inglês – isso porque Greengrass não fala a língua local. Acredito que a produção ser do Netflix ajudou a dar essa liberdade. Se fosse um estúdio de Hollywood, certamente haveria uma pressão para ter atores famosos americanos ou talvez o projeto sequer saísse do papel.

Compre o livro

Os dois atentados sequenciais realizados pelo mesmo homem aconteceram em 22 de julho de 2011, o primeiro deles em Oslo e o segundo na ilha de Utøya. Foi o ataque mais mortal da Noruega desde a Segunda Guerra Mundial. O assunto é tratado ainda mais profundamente no livro Um de nós, cuja leitura é uma boa pedida para quem se interessar pelo assunto. De qualquer maneira, não vou entrar em detalhes sobre as motivações do assassino porque esse é um dos principais temas do filme. Também não pretendo descrever o desenrolar dos fatos, que são tão bem reconstruídos com um realismo chocante, mas não apelativo.

Ataque no acampamento estudantil
Ataque no acampamento estudantil

O terrorista Anders Behring Breivik tinha como objetivo matar membros do governo e da população civil. Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada no mesmo ano expôs que 1 entre 4 noruegueses conhecia alguma das vítimas. Isso dá uma dimensão de como o acontecimento marcou o país. Para nós é diferente. Eu lembro de ter acompanhado as notícias na televisão e na internet com atenção. Em pouco tempo, entretanto, o assunto morreu, como normalmente acontece na grande mídia. Talvez por isso mesmo o filme tenha sido tão revelador.

Jovens chegam à ilha de Utøya
Jovens chegam à ilha de Utøya

Uma das grandes forças do longa é nos permitir conhecer as pessoas, nos importar com a sua sobrevivência, principalmente os jovens que se encontravam em um acampamento de verão na ilha de Utøya. A tensão é presente desde os primeiros minutos porque já temos uma ideia do que irá acontecer, ainda que não lembremos de muitos detalhes (ou até mesmo de nada). Ao mesmo tempo podemos refletir que, a qualquer momento, no lugar menos provável, pode aparecer uma pessoa capaz de cometer tal atrocidade. Há casos em escolas, igrejas, restaurantes, boates e até nas ruas de vários países, inclusive no Brasil.

Julgamento de Anders Behring Breivik
Julgamento de Anders Behring Breivik

Além dos ataques em si, uma grande parte do filme trata da recuperação das vítimas, do julgamento do acusado e das responsabilidades do governo e da polícia. Aqui eu acho que ele se estende um pouco além do adequado, o que pode tornar a narrativa cansativa para alguns espectadores – talvez porque os momentos mais “emocionantes” tenham passado. De qualquer maneira, isso não tira a força e a importância da história, que merece ser vista justamente por se aplicar a tantos lugares onde o extremismo ideológico tem ganhado forças nos últimos tempos.

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s