Luta pela sobrevivência na neve

Ártico ★★★★☆

Título original: Arctic
Ano: 2019
Direção: Joe Penna
Elenco: Mads Mikkelsen.

Aproveitando o clima gostoso do nosso wannabe inverno, resolvi assistir a esse filme de sobrevivência que acompanha um homem que sofre um acidente no Ártico e precisa decidir se permanece no seu relativamente seguro acampamento enquanto aguarda por um resgate ou se embarca em uma jornada pelo desconhecido em busca de salvação. Me lembrou um pouco meu intercâmbio no Canadá, quando eu tinha que pensar bem se teria coragem de sair de casa com o termômetro marcando -30°C.

Filme de sobrevivência no Ártico
Filme de sobrevivência no Ártico

Eu já assisti a várias obras nesse estilo e confesso que já sei o que esperar inclusive em termos de situações, principalmente levando em conta quais são as possíveis ameaças em um ambiente de frio intenso. Mas sempre tem filmes bons e ruins sobre o mesmo tema e esse me agradou porque fizeram várias escolhas certas. Eu acho que combina bastante com a trama o fato de ter poucos diálogos e os acontecimentos se desenrolarem de forma lógica, sem a interferência de flashbacks que mostrem quem era o personagem antes do acidente ou evidenciem como a experiência está lhe trazendo uma nova perspectiva da vida. A história é sobre aquele momento e apenas isso, o que permite que o público tire as suas próprias conclusões inclusive sobre pontos importantes da trama.

Mads Mikkelsen
Mads Mikkelsen

Também ganha pontos por terem escolhido um ator tão bom. Mads Mikkelsen, mais conhecido pelo papel principal na série Hannibal, carrega o filme nas costas. Aliás, isso acontece também em outros filmes de sobrevivência e me lembro agora particularmente de “Até o fim”, que mostra um homem preso em um barco à deriva, também muito bom. Enfim. Apesar da luta pela sobrevivência em Ártico, pode se considerar que o ambiente é outro personagem principal, já que é mostrado de forma dinâmica e belamente fotografado. Nesse sentido, não usar cenários e efeitos especiais é outro acerto, já que deixa tudo mais realista, incluindo a atuação.

Lago Fellsendavatn
Lago Fellsendavatn

As filmagens aconteceram durante um mês na Islândia, tendo como base principal o lago Fellsendavatn, que fica a cerca de 170 km de Reykjavik, e em Nesjavellir e Bláfjoll, áreas montanhosas mais próximas da cidade. Era importante estar a uma pequena distância por se tratar de um filme independente e com orçamento limitado. Ainda assim, é interessante perceber como o local parece totalmente desolado e apresenta riscos reais à vida, o que mostra a fragilidade do ser humano com relação à natureza selvagem. Inclusive nem dá para saber exatamente onde se passa a trama, já que o Círculo Polar Ártico engloba territórios de vários países.

Montanhas islandesas
Montanhas islandesas

Aliás, a própria equipe de filmagem teve que lidar com várias dificuldades, como as mudanças climáticas que não apenas ameaçavam causar erros de continuidade e alterações no cronograma, mas também levaram a produção a abandonar a ideia de gravar a história em sequência, passando a fazer as cenas de acordo com o que era possível. Outra limitação era o tempo, já que a iluminação natural tem uma duração de apenas quatro a cinco horas no inverno da Islândia. Inclusive, que lugar fantástico. Me deu ainda mais vontade de conhecer. Obviamente, não em condições tão dramáticas.

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