The ballad of Buster Sruggs

The ballad of Buster Scruggs ★★★★☆

Título original: The Ballad of Buster Scruggs
Ano: 2018
Direção: Joel Cohen e Ethan Cohen
Elenco: Tyne Daly, James Franco, Brendan Gleeson, Zoe Kazan, Liam Neeson, Tim Blake Nelson e Tom Waits.

O gênero western foi o mais popular em Hollywood do início do século XX, principalmente entre as décadas de 1930 e 1960. As histórias se passavam no velho oeste americano da segunda metade do século XIX e mostravam a vida de cowboys que percorriam grandes desertos e montanhas armados com revólveres e rifles, montados em cavalos; índios nativos, geralmente retratados de forma selvagem e ameaçadora; bandidos que agiam isoladamente ou em gangues; caçadores de recompensas; xerifes com seus característicos distintivos em formato de estrela; soldados em cavalarias; fazendeiros vivendo em isolamento e sob constante ameaça; homens que saíam em busca de vingança; e mocinhas desprotegidas que precisavam ser salvas pelos heróis.

Um dos curtas tem estilo fantasioso e cômico
Um dos curtas tem estilo fantasioso e cômico

O velho oeste é frequentemente revisitado nos dias de hoje, dessa vez pelos diretores Joel Cohen e Ethan Cohen, os Irmãos Cohen. O filme original do Netflix é uma coletânea de seis histórias independentes escritas pela dupla nos últimos 20 a 25 anos. Como cada uma tem personagens, cenários e até mesmo estilos diferentes, incluindo humor, fantasia, drama, poesia, aventura e mistério, preferi vê-los separadamente. Sendo assim, acredito que funcionaria melhor se eles tivessem sido disponibilizados como episódios separados. Acho que só colocaram tudo junto com o objetivo de concorrer a prêmios específicos de longa-metragens – não é à toa que a obra teve uma breve passagem pelos cinemas, o que é exigido em algumas competições como o Oscar. Seja como for, dá para assistir tudo em sequência, já que a duração total é de pouco mais que duas horas, ou parar ao final de um episódio e retomar depois.

A fotografia do filme é muito bonita
A fotografia do filme é muito bonita

Obviamente que esse formato acaba gerando algumas controvérsias. Por exemplo, o curta que eu menos gostei foi o preferido de várias pessoas, pelo que eu li nos comentários pela internet. De fato, dos seis, eu gostei bastante de quatro. Teve gente que achou tudo maravilhoso e teve quem dormisse a partir do terceiro – um dos motivos que eu ainda acho melhor que fossem episódios separados. O que não se pode negar é a qualidade da produção, cuja fotografia é muito bonita, as atuações são impecáveis e o trabalho de direção se faz evidente pelo estilo próprio dos Cohen. Também gostei bastante da possibilidade de fazer uma interpretação livre das histórias, já que eles não deixam tudo mastigado. Uma espectador pode assistir e simplesmente acompanhar os acontecimentos, enquanto outro pode tirar dali reflexões profundas.

Gostei bastante do roteiro
Gostei bastante do roteiro

Vou me abster de comentar individualmente cada uma das tramas para não estragar a experiência de cada um. Eu ando cada vez mais totalmente contra spoilers, tanto que para alguns filmes eu evito até mesmo ler a sinopse ou assistir ao trailer. Eu gosto de ver o desenrolar dos fatos como foi planejado pelo roteiro, pela direção. O que tenho a dizer é que gostei bastante do resultado final. Acho sim que poderia ter sido melhor se incluíssem um curta com a perspectiva dos povos indígenas e, quem sabe, outro com foco apenas em personagens femininas, o que traria um pouco mais de frescor ao gênero quase sempre dominado por homens. Também seria interessante se as histórias se interligassem de alguma forma, embora eu entenda que elas fazem parte do mesmo universo e isso seja suficiente para justificar o projeto.

Paisagens típicas do velho oeste americano
Paisagens típicas do velho oeste americano

Para quem tem curiosidade com relação à produção, The Ballad of Buster Scruggs foi o primeiro filme dos Coen todo gravado digitalmente, o que se justifica pelo uso de efeitos especiais e pelas tomadas no período chamado “magic hour”, que é logo após o nascer do dia ou antes do pôr-do-sol. As filmagens se deram entre 2017 e 2018.

Filmagens em locações remotas
Filmagens em locações remotas

A filmagem da longa fila de carruagens de The gal who got rattled foi especialmente desafiadora devido à necessidade de coordenar o movimento de todos os vagões. Os quatorze veículos foram construídos do zero em uma ferraria do New Mexico e levadas de par em par em trailers para o local de gravações no Nebraska. O projeto foi inspirado no filme The Big Trail, de 1930. A maioria dos figurinos também foi feito à mão especialmente para a produção com tecidos antigos difíceis de serem encontrados, uma preocupação histórica já que a produção de lã nos Estados Unidos da época era quase nula.

Um dos curtas foi gravado em estúdio
Um dos curtas foi gravado em estúdio

The ballad of Buster Scruggs e Near Algodones, os dois primeiros curtas, foram gravados em locações em New Mexico. Meal ticket e All Gold Canyon tiveram as filmagens feitas no Colorado. The gal who got rattled foi feita em uma propriedade privada de Nebraska. Já The mortal remains foi todo capturado em um sound stage, tipo de estúdio totalmente isolado do áudio externo, ideal para a gravação de diálogos. Joel Cohen descreveu as gravações como fisicamente exaustivas, já que a maioria foi feita em locais abertos de clima intenso e envolveram muitas viagens. O resultado, em minha opinião, valeu muito a pena.

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