Organização das Nações Unidas

Genebra – Organização das Nações Unidas (ONU)

Em 1920, uma entusiasmada multidão recebeu os delegados da Liga das Nações em Genebra. Àquela época, o secretariado foi instalado no Palais Wilson, enquanto era construído o Palais des Nations, para onde se mudou em 1936. Infelizmente, os esforços da organização não foram bem-sucedidos em alcançar a paz nessa época, quando ocorreu a Segunda Guerra Mundial.

O conceito de uma organização internacional, entretanto, ficou fortemente incrustrado nas mentes dos governantes e, em 1942, o então presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, anunciou a intenção de criar a United Nations. Três anos mais tarde, representantes de 55 países, incluindo o Brasil, se encontraram em São Francisco e fundaram a nova organização com a assinatura da Carta das Nações Unidas. Em muitos aspectos a nova instituição foi baseada na Liga das Nações que, desfeita no ano seguinte, entregou as suas propriedades para as Nações Unidas, incluindo o Palais des Nations, que se tornou o escritório da organização em Genebra a partir de 1966.

Palais des Nations
Palais des Nations

O Palácio das Nações, como é conhecido em português, é o centro mundial para conferências diplomáticas e base operacional para um grande número de atividades econômicas e sociais, mantendo vivos os ideais dos povos que, em 1920, escolheram a cidade como um lugar de encontro de diferentes culturas e governos.

Todo ano, mais de 100 mil pessoas fazem o tour guiado com duração de cerca de uma hora pelo prédio. Geralmente eles são feitos em inglês e francês, mas estão disponíveis em mais de 15 línguas, dependendo da disponibilidade. São dois horários pela manhã e dois a tarde, de segunda a sexta-feira. Como a procura é grande e as vagas limitadas, é importante se programar para chegar cedo – reservas só são aceitas para grupos de 15 pessoas ou mais. Segundo a página oficial, o passeio não é recomendado para crianças abaixo de 10 anos de idade. Nesse site você também encontra os dias e horários de funcionamento, bem como o preço e outras informações atualizadas.

Ingresso com desconto para estudante
Ingresso com desconto para estudante

Para não ter erro com relação a disponibilidade, escolhi ir no primeiro horário da manhã – pela minha experiência com turismo, sei que esses programas vão ficando mais cheios ao longo do dia. A entrada se dá pela Avenue de la Paix 14, onde você pode chegar de transporte público – eu fui de tram até a estação Nations e caminhei pouco mais de 500 metros até o Portão Pregny, onde se dá a entrada de visitantes. A abertura é às dez horas e quando cheguei havia poucas pessoas na fila – o ideal é se programar para chegar com 30 minutos de antecedência. Logo depois estava bem cheio. Ali você passa por um sistema de segurança no estilo de embarque internacional de aeroporto, sendo que não é permitido levar malas ou bolsas grandes. Na bilheteria, você compra o ingresso e eles imprimem o crachá de visitante. Repare que ele marca o portão por onde você irá entrar (E39), o horário (10H30) e a língua escolhida (English).

Crachá de visitante
Crachá de visitante

O crachá com a sua foto deve ser utilizado e estar à vista em todos os momentos. Além disso, você deve sempre caminhar junto ao seu guia – qualquer ovelha desgarrada será retirada do prédio por um segurança. Enquanto as outras pessoas compram o ingresso e entram, você pode aproveitar para ir ao banheiro, beber água, guardar objetos e casacos em um dos armários do piso inferior e visitar a loja de souvernirs e livros. Mas fique atento ao chamado do guia.

O itinerário da visita pode ser alterado devido à agenda de reuniões, encontros e outros eventos realizados no local. Com isso, algumas salas podem estar inacessíveis. Pelo que eu vi do programa padrão que consta no site, eu conheci tudo o que estava programado.

Uma das muitas salas de reunião
Uma das muitas salas de reunião

Nossa visita começou pontualmente e o guia era muito bom. Primeiro, passamos por uma das muitas salas de reuniões existentes no prédio. Ali o guia nos falou sobre o complexo trabalho realizado no local, incluindo as traduções simultâneas das conversações para várias línguas, o processo de seleção dos profissionais e outras informações. São coisas que a gente nunca parou para pensar, mas imagina representantes de dezenas de países juntos em uma sala… Talvez eles até saibam inglês, mas se sentem mais confortáveis falando em sua própria língua. Loucura! O legal dessa visita guiada é que eles vão dando vários detalhes sobre a história da ONU, a organização atualmente e o dia-a-dia do local.

Salle des Droits de l’Homme et de l’Alliance des Civilisations
Salle des Droits de l’Homme et de l’Alliance des Civilisations

É bom deixar claro que a gente não pôde entrar em todas as salas – algumas foram vistas através de painéis de vidro. Foi o caso da Salle des Droits de l’Homme et de l’Alliance des Civilisations (Salão dos Direitos Humanos e Aliança de Civilizações), antiga sala XX, cujo teto é decorado pela obra do artista espanhol Miguel Barceló. A escultura foi doada pela Espanha e teve custo de quase 20 milhões de euros, representando um dos mais caros presentes dados à ONU. Eu achei o resultado lindíssimo e um dos pontos altos da visita.

O guia nos explicou de onde vem o dinheiro para sustentar uma organização de tamanho porte e apresentou alguns números curiosos que, obviamente, eu não decorei. O interessante é que o Brasil está entre os países que mais apoiaram a ONU.

Salle des Pas Perdus
Salle des Pas Perdus

Dali passamos para a Salle des Pas Perdus, que possui grandes janelas com vista para o Parc de l’Ariane. Nos jardins, é possível ver uma escultura Celestial Sphere, também conhecida como Armillary Sphere. A obra do escultor americano Paul Manship foi doada para a Liga das Nações em 1939 e é uma pena que a gente só consiga ver ela de tão longe. Mas dei uma olhada depois na internet para conseguir perceber os detalhes. Esse salão, que funciona também como uma galeria de exposições, parece um grande corredor, pois faz a ligação entre os prédios antigo e novo. Além disso, é um ponto de encontro para os participantes das reuniões e a imprensa. Nesse dia havia pessoas por lá e me deu vontade de roubar lanchinhos, mas não rolou. Chateado.

Salle des Assemblées
Salle des Assemblées

Atrás das colunas está a entrada para a Salle des Assemblées (Salão de Assembleias), a maior sala de todo o edifício, com capacidade para quase duas mil pessoas. Em termos de decoração é uma sala simples – nessa parte da visita, você já passou por algumas obras de arte e é quase decepcionante entrar em um ambiente pouco decorado. Ainda assim, chama a atenção o grande símbolo em dourado sobre painel de madeira no centro, além de toda a estrutura tecnológica e a grandiosidade do espaço – na foto não dá para ver a parte superior que fica dos lados e a trás, como em um grande teatro.

Salle du Conseil
Salle du Conseil

Por último, visitamos a Salle du Conseil (Salão do Conselho), cuja construção teve início em 1936 para acomodar os membros da Liga das Nações. Chama a atenção as suas paredes e teto decorados com murais em sépia e ouro, tudo pintado pelo artista catalão José Maria Sert. As imagens mostram o progresso da humanidade nas áreas da saúde, tecnologia, liberdade e paz. Há também duas grandes portas de bronze com inscrições em latim, obras-primas de Raymond Subes. Essa sala foi palco das negociações que levaram ao fim da Guerra do Golfo em 1991, além de várias sessões do Conselho de Segurança e as reuniões ainda realizadas da Conferência de Desarmamento. Eu acho muito interessante conhecer um lugar onde já foram e continuam sendo tomadas decisões importantes a nível global.

Sessão de cinema
Sessão de cinema

Durante a visita, vimos parte de uma coleção de arte composta de mais de 2.000 trabalhos datados da época da Liga das Nações até os dias de hoje. A maioria deles são doações dos estados-membros, mostrando a diversidade cultural mundial. Todos os itens são identificados com o nome do artista, o país de origem, a data da doação e outras informações. É interessante ver como são diferentes os materiais, cores, formas e representações de cada lugar, podendo ser pinturas, vasos, esculturas, móveis, trabalhos de artesanato e outros objetos diversos. Eles também fazem a exibição de filmes e, quando eu fui, estava passando o brasileiro Nise – O coração da loucura, baseado na história real de Nise da Silveira, pioneira na luta contra o preconceito e na revolução do tratamento de pacientes psiquiátricos através da arte.

Musée International de la Croix-Rouge et du Croissant-Rouge
Musée International de la Croix-Rouge et du Croissant-Rouge

Depois da visita à ONU, uma opção é conhecer o Musée International de la Croix-Rouge et du Croissant-Rouge, que fica do outro lado da rua. A exibição permanente é separada em três áreas, cada uma delas projetada por um arquiteto de diferente cultura: Defendendo a Dignidade Humana (Gringo Cardia, Brasil); Restaurando as Ligações Familiares (Diébédo Francis Kére, Burkina Faso); e Reduzindo os Riscos Naturais (Shigeru Ban, Japão). Indo além de períodos históricos específicos ou das zonas de conflitos atuais, essas preocupações contemporâneas são visitadas sob uma perspectiva mais ampla, já que irão afetar o futuro global. Além disso, há uma linha do tempo interativa de 150 anos de trabalho humanitário e a possibilidade de encontrar operações da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho pelo mundo. As informações sobre esse passeio podem ser encontradas na página oficial.

Parc de l'Ariana
Parc de l’Ariana

Outra possibilidade é seguir para o Parc d l’Ariana, onde fica a Organização das Nações Unidas. A parte dos jardins do Palais des Nations não pode ser visitado, mas é visto através das janelas do prédio. Ali é comum ver os pavões doados por um zoológico japonês e pela Missão Permanente da Índia. Mas outras áreas do parque são públicas e aproveitei para caminhar por ali para voltar até a estação do tram. Na foto acima está o Cloche de Shinagawa, que desapareceu de seu templo no século XIX e reapareceu em Aarau, uma cidade Suíça, em 1873. Depois de ser instalado no parque, foi devolvido para o Japão pelas autoridades da Cidade de Genebra, em 1930. Sessenta anos depois, o Japão presenteou Genebra com uma réplica do famoso sino Honsen-ji Shinagawa, que se encontra em um pavilhão do parque desde 1991. Também vale a pena passar pela estátua de Mahatma Gandhi.

Musée Ariana
Musée Ariana

Outro atrativo do parque é o Musée Ariana, o Musée Suisse de la Céramique et du Verre. O belo edifício foi construído no século XIX por Gustave Revilliod, um filantropo e colecionador. O nome é uma homenagem à sua mãe, chamada Ariana de la Rive. A ideia era abrigar um museu de cerâmica e vidro e ele continua com esse propósito, mas, posteriormente, a coleção passou a abranger também pinturas, gravuras, esculturas, moedas, livros antigos e todas as formas de artes aplicadas. Ainda que você não visite seu interior, vale a pena passar por lá para apreciar a arquitetura, que possui elementos neoclássicos e neobarrocos.

Bandeiras dos estados-membros
Bandeiras dos estados-membros

Já na Place des Nations, onde ficava o ponto do tram, fica outra fachada do prédio da ONU. Através do portão dá para ver o Drapeaux de Nations Unies, uma grande galeria com as bandeiras de todas as nações que fazem parte da Organização das Nações Unidas, dispostas em um gramado. Atualmente, são 193 estados-membros. Além de Genebra, as Nações Unidas possuem escritórios em Nairóbi e Viena. A sede está localizada em Manhattan, Nova York. Dentre os objetivos da organização, estão os de manter a segurança e a paz mundial, promover os direitos humanos, auxiliar no desenvolvimento econômico e no progresso social, proteger o meio ambiente e prover ajuda humanitária nos casos de fome, desastres naturais e conflitos armados.

Broken Chair
Broken Chair

Na praça em si, chama a atenção um enorme monumento chamado Broken Chair, que consiste em uma cadeira vermelha com uma das pernas quebradas. A escultura foi concebida como um apelo para que as nações promovam o banimento do uso de minas terrestres e munições cluster, que acabam fazendo muitas vítimas civis. Trata-se de um símbolo de fragilidade e força, de precariedade e estabilidade, de brutalidade e dignidade, funcionando como uma lembrança da necessidade de proteger e ajudar as pessoas que foram ou potencialmente serão vítimas de tais armas. De maneira geral, a obra convida todos a denunciar o que não é aceitável, a se levantar e lutar pelos direitos de indivíduos e comunidades. É impactante e foi um ótimo encerramento para esse passeio.

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