A maldição da casa Winchester

A maldição da casa Winchester ★☆☆☆☆

Título original: Winchester
Ano: 2018
Direção: Michael Spierig e Peter Spierig
Elenco: Helen Mirren, Jason Clarke e Sarah Snook

Poucas coisas me irritam mais no cinema do que uma ótima história mal aproveitada. É o caso desse filme, que possui o enredo baseado em inusitados fatos reais.

A trama nos apresenta Sarah Winchester, viúva de um famoso magnata da indústria de armas. A morte de sua filha ainda bebê e de seu marido faz com que Sarah viva em luto. Convencida de que está amaldiçoada por espíritos, ela vê como solução a ampliação e renovação constante da mansão onde passa a morar, o que gera questionamentos quanto à sua sanidade mental.

Mansão Winchester
Mansão Winchester

Quando eu digo que as obras são constantes, quero deixar claro que não eram interrompidas em nenhum momento, nem mesmo durante a noite. A construção 24 horas por dia, a estrutura da mansão de sete andares com portas que se abriam para paredes, escadas que não iam a lugar algum, janelas que davam para outros quartos e outros detalhes bizarros gerados pela falta de um planejamento lógico, além da possível insanidade da protagonista, criariam um clima tenso por si só, com várias possibilidades de exploração do tema paranormal. Infelizmente, o roteiro prefere trabalhar com todos os clichês possíveis em um filme desse gênero. Sabemos exatamente quando vamos ver uma imagem assustadora, geralmente acompanhada de um efeito sonoro exagerado. Nada funciona, pois não é criado um clima de suspense e as “surpresas” são totalmente previsíveis.

Helen Mirren e Jason Clarke
Helen Mirren e Jason Clarke

Não é nem que os efeitos visuais ou as atuações sejam ruins. Helen Mirren e Jason Clarke trabalham bem, como era de se esperar. Eles só não têm muito o que fazer para salvar o barco de afundar. É uma incompetência generalizada do roteiro e da direção, que não cria nenhuma sequência memorável, ainda que tendo uma efetiva reconstrução da época através do figurino, objetos e da casa em si. E olha que nem daria tanto trabalho, visto que todos os elementos estão lá e o filme se passa, basicamente, dentro de uma casa gigante com dezenas de cômodos construídos de forma desordenada e inventiva – um prato cheio para colocar em prática a criatividade.

Aquitetura bizarra
Aquitetura bizarra

São cerca de 160 cômodos, incluindo 40 quartos, 2 salões, 47 lareiras, 10.000 vidraças, 17 chaminés (com evidências de mais duas), dois porões e três elevadores. Havia apenas um banheiro que realmente funcionava, com todos os outros tendo sido construídos para o uso dos trabalhadores e depois inutilizados, talvez para confundir os espíritos. Com o mesmo motivo, ela dormia cada dia em um quarto. As escadas eram de pequena inclinação para permitir sua movimentação, que era limitada devido à artrite. Entre as excentricidades e outras coisas pouco usuais à época, podem ser citados: a janela projetada por ela mesma em forma de teia de aranha e com repetições do número 13, dois temas frequentes em vários elementos da casa; uma outra janela criada pela Tifanny Company, cujos cristais atravessados pelos raios do sol criariam um efeito de arco-íris, mas que foi instalada em uma parede interior sem exposição à luz externa; aquecimento ambiente por vapor; chuveiro com água quente; um sistema de comunicação por canos; e outros. Alguns desses detalhes inusitados até são mostrados, mas nada que tenha real influência no desenrolar dos fatos, o que faz parecer que a história se passa em uma casa normal. Enfim, não consegui tirar dali nem um divertimento despretensioso.

Sala de armas
Sala de armas

Geralmente eu posto aqui filmes que eu recomendo, o que faria com que esse fosse ignorado. Mas o fato é que a Winchester Mistery House não apenas ainda existe no endereço 525 South Winchester Blvd, como se tornou um ponto turístico importante da cidade de San Jose, California, inclusive aparecendo na lista do National Register of Historic Places. Desde sua construção, em 1884, a propriedade é considerada amaldiçoada pelos espíritos de pessoas que foram assassinadas pelos rifles Winchester.

Tudo começou depois da morte de seu marido por tuberculose, em 1881, quando Sarah Winchester herdou mais de 20 milhões, uma quantia que hoje em dia representaria para lá de meio bilhão de dólares. Além disso, com metade das ações da empresa, seu lucro era de cerca de 1.000 dólares por dia, ou seja, uns 25.000. Eu sou rikah!

Segundo tabloides da época, a viúva teria sido orientada por um médium a deixar sua casa e viajar para o oeste, onde construiria uma casa para si mesma e para os espíritos das pessoas mortas pelas armas fabricadas pela Winchester. E assim ela o fez.

Propriedade destruída pelo terremoto
Propriedade destruída pelo terremoto

Um terremoto, em 1906, causou muitos danos à propriedade, que agora é menor. Não satisfeita, Sarah Winchester continuou a fazer as reformas por alguns anos, sendo interrompidas apenas com a sua morte, em 1922. No ano seguinte, cinco meses após o falecimento, a casa foi aberta para o público. Informações sobre a visitação, que eu fiquei com muita vontade de fazer, podem ser acessadas na página oficial. Todas as fotos nessa postagem foram retiradas do filme.

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