Ilustração das Olimpíadas da Grécia Antiga

Olímpia – Origem dos Jogos olímpicos

Oficialmente, as competições esportivas gregas têm origem desconhecida. Acredita-se que sejam um desmembramento dos jogos organizados em honra de guerreiros mortos em combates, principalmente as corridas de bigas – aquelas com carruagens. Escritores antigos atribuem a sua criação a vários heróis.

Na Ilíada, um dos principais poemas épicos da Grécia Antiga, de autoria atribuída ao escritor Homero, Aquiles organizou competições de justas em Tróia como homenagem ao seu amado amigo falecido Patroclus.

O poeta Pindar, no século V a.C., fala dos atos de Hércules após cumprir seus doze trabalhos. Para punir o rei Augias por não manter sua palavra, Hércules toma a sua cidade de Élida e funda os jogos próximo à tumba de Pélope, em honra ao seu pai, Zeus.

Simulação do Templo de Zeus
Simulação do Templo de Zeus

O escritor e viajante Pausanias, do século II a.C., também acreditava que Hércules seria o criador da competição, já que teria sido ele quem plantou a oliveira, em Olímpia, da qual era tirada a matéria prima das coroas presenteadas aos vencedores. Em outro texto, o autor narra uma corrida de bigas vencida por Pélope com o objetivo de ganhar a mão de Hipodamia, filha de Enomau, rei de Pisa. Esse episódio é retratado no frontão do Templo de Zeus, em Olímpia.

O fato é que os primeiros Jogos Olímpicos coincidem com os festivais religiosos da Grécia Antiga em culto a Zeus. É comprovado em documentos escritos que os jogos já eram realizados em 776 a.C., mas provavelmente existiram antes disso. Mas por que o intervalo de quatro anos entre as competições?

Ilustração da antiga cidade de Olímpia
Ilustração da antiga cidade de Olímpia

Os Jogos Olímpicos faziam parte dos Jogos Pan-helênicos, sendo o nome formado das palavras pan (todos) e helênicos (gregos), já que nessa época a Grécia não era ainda um país, mas consistia de cidades-estados. Haviam quatro desses jogos, que formavam uma Olimpíada:

• Jogos Olímpicos, de Olímpia, em honra a Zeus;
Jogos Píticos, de Delfos, em honra a Apolo;
Jogos Nemeus, de Nemeia e Corinto, em honra a Zeus e Hércules;
Jogos Ístmicos, de Istmia e Sicião, em honra a Poseidon.

Os Jogos Olímpicos eram os mais importantes e foram os primeiros a serem criados. Nessa época, as competições em Olímpia representavam uma trégua sagrada, impondo paz no percurso pelas estradas da região durante o período. Mensageiros iam de cidade em cidade anunciando as datas das competições. Uma multidão de 40.000 pessoas, consistindo em atletas, espectadores e mercadores, viajava com segurança por toda a Grécia, incluindo as colônias na Itália, África do Norte e Ásia Menor. Segundo Pausanias, essa trégua foi introduzida por Iphitos, rei da Élida, seguindo as orientações do Oráculo de Delfos em resposta ao seu questionamento de como solucionar as incessantes divisões e conflitos do reino. A trégua sagrada, ekekheiria, era instituída em todos os festivais de esportes. Para os Jogos Olímpicos, era anunciada por corredores chamados spondophoroi e tinha início um mês antes da abertura dos jogos, sendo válida inclusive para áreas em guerra.

Ruínas da palaestra de Olímpia
Ruínas da palaestra de Olímpia | Foto: Bgabel

Todas as cidades gregas possuíam um ginásio com palestra, ou escola de lutas, onde os atletas treinavam e os mais jovens eram ensinados. As matérias estudadas pelos meninos incluíam educação física, música, aritmética, gramática e leitura.

Para participar dos jogos, era preciso ser um homem livre de origem grega. Isso excluía mulheres, estrangeiros e escravos. A maior parte dos competidores vinha de famílias ricas e apenas os melhores eram admitidos. Durante os treinamentos e competições, os atletas estavam sempre nus. A nudez, na Grécia, simbolizava o ideal de um equilíbrio harmônico entre corpo e alma.

Os atletas e treinadores precisavam estar em Élida um mês antes do início dos jogos para a preparação seletiva. Élida e Olímpia ficavam a uma distância de cerca de 36 km, considerando uma linha reta. Qualquer atraso que não fosse de força maior levaria à desclassificação.

Luta grega representada em mármore
Luta grega representada em mármore

Ao chegar em Élida, eles precisavam seguir um ritual de banho seguido de tratamento do corpo com óleo de oliva e areia fina. Assim, eles ajustavam suas temperaturas corporais e protegiam a pele do sol, além dos golpes dados pelos treinadores insatisfeitos. Durante aquele mês, os atletas seguiam uma dieta rigorosa a base de pão de cevada, mingau de trigo, castanhas, figos secos e queijo macio. Quando o treinamento acabava, os atletas usavam uma lâmina curva para limpar suas peles, completando o ritual com água e esponja.

Depois desse período de seleção, apenas os melhores atletas permaneciam. Três dias antes da abertura das competições, uma procissão de atletas e juízes partia de Élida em direção a Olímpia.

A palavra agones (jogos) fazia referência a rivalidade e competição. A noção de esporte ainda não existia naqueles tempos. Na verdade, a prática de exercícios físicos estava destinada a treinar bons soldados e os atletas direcionavam seus esforços a honrar os deuses. Os gregos acreditavam na harmonia da moral e perfeição física para alcançar o equilíbrio entre corpo e mente, um conceito conhecido como kalos kagathos (bonito e bom).

Vaso ilustrado com três corredores
Vaso ilustrado com três corredores | Foto: Marie-Lan Nguyen

Os Jogos Olímpicos sempre começavam na segunda lua cheia do solstício de verão. Entre os anos de 396 a.C. e o século I d.C., eles duravam cinco dias. A ordem das competições variava de acordo com os eventos que eram adicionados ou retirados. Baseado em evidências históricas, é possível traçar um exemplo da agenda:

Dia 1
• Cerimônia com os participantes e juramento a Zeus
• Desfile de arautos e trompetistas
• Reza e sacrifícios públicos e privados

Dia 2
• Corrida de cavalos
• Pentatlo (pulo a distância, arremesso de disco e lança, corrida e luta)
• Cerimônia de funeral em homenagem a Pélope

Dia 3
• Procissão até o altar de Zeus e oferendas
• Banquete público

Dia 4
• Corrida
• Esportes de combates

Dia 5
• Procissão e cerimônias dos vitoriosos
• Banquetes e festividades

Papiro com vencedores das Olimpíadas
Papiro com vencedores das Olimpíadas

De acordo com a lenda, Hércules teria plantado uma oliveira selvagem nas sombras do estádio de Olímpia. A partir dessa árvore sagrada eram feitas as coroas dos vencedores, consideradas o prêmio maior, garantindo ao ganhador honra e respeito de todos.

O vencedor, conhecido como olímpico, recebia seu prêmio imediatamente após o fim da competição. Quando seu nome era anunciado pelo arauto, o juiz lhe presenteava com um ramo de palmeira. Depois que sua cabeça e mãos eram adoradas de fitas vermelhas, ele era ovacionado e coberto de flores pelos espectadores.

Coroa de louros
Coroa de louros | Autor: FocalPoint

A coroa de louros era recebida em uma cerimônia solene no último dia, em um vestíbulo do templo de Zeus. Os gregos antigos atribuíam aos deuses o poder e a força dos atletas. Isso era representado na forma de uma figura feminina chamada Nike, que significa vitória em grego. Em nome dos deuses, ela voava para buscar uma divina recompensa para o vencedor, uma coroa ou um laço vermelho. Com voz alta, o arauto proclamava o nome do vencedor olímpico, seu pai e sua cidade. Finalmente, o juiz coroava o atleta com a coroa de louros feita a partir de um ramo de oliveira, o kotinos, símbolo de paz e vitória. Eles então eram convidados para um banquete com políticos e juízes.

Estátua de arremesso de disco
Estátua de arremesso de disco | Foto: Livio Andronico

Os vencedores dos jogos não recebiam nenhum prêmio financeiro. Entretanto, se tornavam figuras ilustres em suas cidades de origem, podendo manter cargos políticos. Recebidos como heróis em seu retorno dos Jogos Olímpicos, eles teriam benefícios até o resto de suas vidas. Os vitoriosos estavam aptos a terem suas estátuas esculpidas e suas conquistas recontadas por poetas. Orgulhosos, os moradores das suas cidades atiravam moedas aos pés das imagens.

Acusando os jogos de espalhar o paganismo, o Emperador Theodosius I aboliu-os em um decreto datado de 393 d.C. O ressurgimento aconteceria mais de 1.500 anos depois, com a realização dos Jogos Olímpicos da Era Moderna.

Essas informações foram obtidas durante a visita ao Le Musée Olympique, o maior do mundo sobre os Jogos Olímpicos. Para quem se interessa por esportes, a visita ao museu em Lausana, na Suíça, é imperdível.

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