Museu da Inconfidência

Ouro Preto – Museu da Inconfidência

Em Minas Gerais, estado onde a exploração e exportação de ouro era a base da economia no século XVIII, começava a pesar sobre a população a excessiva carga tributária cobrada pelo governo. O clima de insatisfação levou militares, eclesiásticos e intelectuais a projetar, a partir de 1788, um movimento que tinha como objetivo a libertação da colônia do julgo de Portugal. Nessa época, era cobrado um imposto de 20% sobre a arrecadação, o chamado quinto. A partir de 1789, seria instaurada a derrama, que obrigaria a todos pagar um mínimo de 100 arrobas anuais à Coroa caso o quinto não alcançasse esse valor. O metal começava a se tornar escasso nas minas e o latente descontentamento popular aumentaria o poder da rebelião.

A fim de controlar o conflito, o governador Visconde de Barbacena suspendeu a derrama, mas manteve a dívida dos abastados. Joaquim Silvério dos Reis, que era um grande devedor da Real Fazenda, viu na denúncia da conspiração a oportunidade de ser perdoado do seu débito – pense na situação como uma delação premiada. A acusação se deu em 1789. Ao tomar conhecimento dela, o Vice-Rei resolveu promover uma investigação oficial, cuja conclusão se deu em 1792 com a condenação dos inconfidentes. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, considerado o maior responsável pela conspiração, foi executado em 21 de abril daquele ano. Outros inconfidentes, tidos como cabeças do movimento, foram degredados para a África, enquanto réus eclesiásticos permaneceram reclusos por quatro anos na Fortaleza de São Julião, seguindo, depois, para conventos portugueses.

Fachada do Museu da Inconfidência
Fachada do Museu da Inconfidência

O edifício que se destaca no centro histórico da cidade, na Praça Tiradentes, foi construído entre 1785 e 1855 com o objetivo de abrigar o poder municipal. Como o projeto foi elaborado já no declínio da atividade mineradora, os recursos para a obra vieram de loteria criada para esse fim. As obras incluíram a criação de uma fábrica de cal que usava a mão-de-obra de negros e vadios, que eram submetidos a trabalho forçado, com métodos considerados cruéis, abusivos e desumanos. Como transcorreram 70 anos de construção, a arquitetura de estilo renascentista acabou por incorporar diversas influências. No fim das contas, a Câmara funcionou ali por apenas 25 anos, quando o casarão passou a ser destinado em sua totalidade à prisão. Já no início do século XX, passou a abrigar a penitenciária estadual.

Panteão dos Inconfidentes
Panteão dos Inconfidentes

A gênese do museu se deu quando, em meados da década de 1930, uma época em que o resgate da memória nacional começava a se tornar prioridade para o governo e para a classe intelectual, o então presidente Getúlio Vargas determinou que os restos mortais dos inconfidentes levados para a África fossem trazidos de volta para o Brasil. O prédio da antiga Casa da Câmara e Cadeia de Vila Rica, que funcionava como penitenciária estadual, foi esvaziado e um dos seus salões passou a abrigar o Panteão dos Inconfidentes, inaugurado em 21 de abril de 1942, data de comemoração do 150° aniversário da sentença dos inconfidentes. O museu foi aberto dois anos depois.

Planta das salas de exposição
Planta das salas de exposição

Os dias e horários de funcionamento, preço dos ingressos e outras informações, podem ser acessadas na página oficial do museu. A exposição se espalha por dois andares e diversas salas temáticas. A visitação segue uma ordem lógica sugerida na entrada e pode ser feita com o acompanhamento de um guia por áudio disponível em português, espanhol e inglês.

Origens: sintetiza os aspectos fundamentais da evolução de Vila Rica, incluindo as influências indígenas, a descoberta do ouro pelos bandeirantes, o domínio português e o poder municipal.

Construção civil: mostra os elementos da construção urbana a partir de 1740, como peanhas, telhas, tijolos e alcatruzes, e também instrumentos como o moitão, a trena e a plaina.

Transportes: montaria, arcas, liteiras e armas brancas que contextualizam o deslocamento pelas estradas e trilhas do século XVIII.

Mineração: contextualiza o período que antecedeu a Inconfidência Mineira, destacando a exploração do ouro, o trabalho negro e a cobrança de impostos.

Forca em que morreu Tiradentes
Forca em que morreu Tiradentes

Inconfidência: guarda objetos pertencentes aos envolvidos direta ou indiretamente com o movimento, documentos originais e as traves da forca usada para enforcar Tiradentes.

Panteão: sala onde estão enterradas as ossadas de 16 dos inconfidentes – outros 10 têm paradeiro desconhecido.

Vida social: elementos da vida cotidiana como vestimentas, objetos de pedra sabão, utensílios caseiros e outras peças da elite colonial.

Império: focada na proclamação da independência e na cidade como centro administrativo, político e cultural de Minas Gerais.

Triunfo eclesiástico e Associações Legais: objetos utilizados em uma procissão realizada em 1733, reforçando o poderio da igreja e do Estado.

Exposição de peças religiosas
Exposição de peças religiosas

Arte e religião: missais, livros, altares, crucifixos, castiçais, anjos, retábulos, partituras e outros itens que retratam a importância da igreja na sociedade local.

Pintura e escultura: também com enfoque religioso, essa sala enfoca o trabalho dos artistas nas igrejas do estado.

Athaide: pinturas de Manuel da Costa Athaide, que inovou ao introduzir figuras mestiças na representação de personagens bíblicos.

Mobiliário 1 e 2: cadeiras, camas, leitos, móveis de repouso, arcas, armários, prataria e outros móveis diversos dos séculos XVIII e XIX.

Aleijadinho: espaço destinado a Antônio Francisco Lisboa, filho de um arquiteto português com uma escrava, que se destacou como escultor de imagens religiosas.

Oratórios: enfoca nos oratórios instalados nos cômodos das casas, quando a vivência da religião se tornou mais intimista.

Anexo do Museu da Inconfidência
Anexo do Museu da Inconfidência

Além da visitação à exposição principal, o ingresso permite a entrada no Anexo do Museu da Inconfidência, que fica na rua lateral. A construção serviu como prisão de mulheres e casa do carcereiro da Cadeia de Vila Rica. Ali está a Sala Manuel da Costa Athaide, que recebe exposições temporárias, um auditório e a reserva técnica do museu. No pátio interno, encontram-se esculturas do Jardim Pagão do antigo Palácio dos Governadores.

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