Casa dos Contos

Ouro Preto – Casa dos Contos

A história do nosso país está diretamente ligada à geração de riqueza para os colonizadores portugueses. Na época da construção da Casa dos Contos, que possui visitação gratuita, Portugal passava por um período de recessão econômica, pois o preço do açúcar havia caído bastante no mercado internacional. O governo buscava, então, novas fontes de riqueza, estimulando uma nova corrida ao ouro.

As primeiras grandes jazidas em Minas Gerais só apareceram no final do século XVII, com o início das explorações marcado por conflitos: de um lado os bandeirantes descobridores das minas, paulistas desbravadores que cultivavam o sentimento de propriedade da terra; de outro, os emboabas, como eram chamados os forasteiros portugueses e brasileiros que aqui se instalaram; no meio, a Coroa, que criava cargos administrativos, concedia a posse das lavras de ouro, estabelecia regras para enfrentar o contrabando e buscava garantir o recebimento dos tributos.

Casa de Fundição
Casa de Fundição

Inicialmente, determinou-se que a extração de ouro só poderia ser feita por pessoas autorizadas pelo rei do Portugal, num pedaço de terreno que era chamado data. Os proprietários tinham direito de contratar escravos e eram obrigados a entregar toda a produção nas Casas de Fundição de cada região, onde eram cobrados os 20% destinados à Coroa Portuguesa – o quinto. O sistema não funcionou muito bem, crescendo o protesto entre os mineradores e aumentando o contrabando. Depois de diversas tentativas, foi estabelecida a derrama, que continuava cobrando 20%, mas estabelecia uma arrecadação mínima de 100 arrobas. Caso não chegasse a esse valor, seria necessário completar a cota no ano seguinte. Como foi instituída já na fase de decadência das minas, esse sistema causou ainda mais descontentamento e levou aos eventos da Inconfidência Mineira.

Exposição sobre a evolução da moeda
Exposição sobre a evolução da moeda

Originalmente, em 1784, a estrutura serviu como residência e Casa de Contratos, destinada ao recolhimento de impostos. Em 1789, serviu como prisão nobre de inconfidentes e sede da Administração e Contabilidade Pública da Capitania de Minas Gerais, daí vindo o nome Casa dos Contos. Mais tarde, recebeu acréscimos físicos como o destinado à Casa de Fundição e da Moeda. Também foi sede de repartições públicas. Em 1974, retornou ao Ministério da Fazenda, que inaugurou ali o Centro de Estudos do Ciclo do Ouro – CECO, com o objetivo de estudar o acervo sobre o tema. Na década seguinte, a casa foi restaurada e passou a abrigar exposições documentais, voltada principalmente para a Casa da Moeda do Brasil e do Banco Central. É interessante ver a evolução das moedas brasileiras.

Pintura original do forro
Pintura original do forro

Afora a parte histórica ligada à moeda, a visita vale à pena pela arquitetura barroca da casa. O forro do teto de uma das salas é todo coberto por pinturas artísticas originais que foram descobertas na década de 1970, quando foram eliminadas as saletas que subdividiam a área. A obra conservou-se intacta graças à existência de outro forro mais baixo, que a recobria. Essas pinturas foram atribuídas ao mestre Manoel da Costa Athaíde. Outros desenhos descobertos na restauração de 1974 estavam cobertos por várias camadas de tinta, cuja remoção foi feita com solventes e espátulas.

Exposição de móveis coloniais
Exposição de móveis coloniais

Os marcos das portas de janelas também possuíam pinturas artísticas, mas sua recuperação se mostrou impossível pois o original encontrava-se quase totalmente queimados em decorrência de intervenções anteriores. De qualquer maneira, é possível apreciar as formas e cores da estrutura, bem como os móveis de época expostos na sala.

Em outra sala, é possível ver vários livros dispostos em prateleiras e móveis expositivos. Alguns deles estão abertos, sendo interessante fazer uma rápida leitura dos temas retratados à época, quando o português era bem diferente da que falamos hoje.

Cidade vista do mirante
Cidade vista do mirante

Presume-se que o prédio terminasse no segundo nível. O mirante, que também está aberto à visitação, teria sido construído apenas em 1844 para abrigar a Secretaria da Fazenda da Província, junto do Tesouro Nacional. A estrutura desabou no ano de 1928, sendo reconstruída posteriormente em concreto armado. A subida até essa área se dá por uma escada íngreme, mas vale a pena o esforço pois dali se tem uma bela vista da cidade.

Outro ponto de interesse da casa é a cela da prisão nobre onde foi encontrado morto, na madrugada de 4 de julho de 1789, o inconfidente Cláudio Manoel da Costa. A porta de acesso ficou vários anos escondida atrás de uma parede. Do outro lado do prédio, em sala então existente e simétrica a esta, ficaram também presos inconfidentes de elevados títulos sociais. Atualmente encontra-se ali uma exposição de quadros que retratam a cidade de Ouro Preto.

Parte de trás da casa
Parte de trás da casa

Uma das partes mais interessantes da visita é no subsolo, a cozinha dos escravos. Essa parte não pode ser fotografada por exibir itens de coleção particular. Ali estão expostos itens relacionados à moradia, trabalho, prisão e tortura dos negros trazidos da África. É impossível não se sentir desconfortável com as condições em que viviam e pelo fato de estarmos visitando uma cidade cujos monumentos foram, em grande parte, construídos em condições desumanas por esses escravos.

No pátio é possível ver um portão que dá acesso à Trilha do Horto. Infelizmente, a trilha estava fechada pela prefeitura dessa última vez que eu fui – espero que seja algo temporário, para trabalhos de reestruturação, pois é um passeio bastante agradável pelo Parque Vale dos Contos.

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