Centro histórico de Ouro Preto

Ouro Preto – Passeio pelo centro histórico

Já fui incontáveis vezes para Ouro Preto, já que moro a mais ou menos uma hora de distância. Em algumas ocasiões fui para fazer turismo, em outras para a CineOP, mostra de cinema que é realizada sempre no meio do ano. Também já fui só para passar o dia com amigos em um lugar diferente do cotidiano. O fato é que conheço muito bem a cidade, embora não possa dizer que já tenha visitado todos os seus atrativos turísticos. Ainda assim é difícil traçar um roteiro de passeio porque isso depende muito dos interesses de cada pessoa. Portanto, vou me limitar a listar aqui alguns pontos turísticos, sem sugerir um trajeto específico.

Praça Tiradentes e Palácio dos Governadores
Praça Tiradentes e Palácio dos Governadores

Situado no topo do Morro de Santa Quitéria, esse local foi chamado de Praça da Independência por quase todo o século XIX. A mudança do nome para Praça Tiradentes aconteceu em 21 de abril de 1894, data em que foi inaugurado um monumento em homenagem a Joaquim José da Silva Xavier, o ícone maior da Inconfidência Mineira conhecido como Tiradentes. É interessante notar que a sua estátua de bronze está posicionada de costas para o Palácio dos Governadores, onde hoje funciona o Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas, e voltado para a Casa da Câmara e Cadeira, onde funciona o Museu da Inconfidência. Nas laterais, destacam-se o Passo da Misericórdia, o conjunto do Alpoim e a Casa da Baronesa, além das diversas construções coloniais que emolduram uma das mais importantes praças cívicas da história brasileira.

Fachada do Museu da Inconfidência
Fachada do Museu da Inconfidência

O edifício da Casa da Câmara e Cadeia, construído entre os anos de 1785 e 1855, serviu como sede do poder municipal por 25 anos, após os quais ficou apenas como prisão. A criação do Museu da Inconfidência se deu em 1938, durante o governo do presidente Getúlio Vargas, que determinou que os restos mortais dos inconfidentes degredados para a África retornassem ao Brasil. Inaugurado anos depois, o museu conta com uma exposição que documenta a evolução social de Minas Gerais, com enfoque nos conflitos da colônia com Portugal no final do século XVIII.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Ao lado do museu, encontra-se a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída entre os anos de 1766 e 1772 no lugar onde antes estava uma capela dedicada a Santa Quitéria. O projeto no estilo rococó é de autoria de Manuel Francisco Lisboa e foi, posteriormente, modificado pelo seu filho, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Aliás, os dois altares laterais e o lavabo da sacristia foram feitos pelo famoso escultor mineiro, enquanto o altar principal e a pintura do forro da sacristia são de responsabilidade de Manuel da Costa Ataíde. Nas paredes da capela-mor, encontram-se azulejos portugueses com cenas alusivas à Ordem do Carmo, único exemplo em todo o Estado de Minas Gerais.

Ao lado da igreja fica o Museu do Oratório, onde estão reunidos mais de 150 oratórios e 300 imagens do século XVII ao século XX em estilos, formatos e materiais diversos, formando um acervo único no mundo. Nesses objetos de fé e arte estão representados a história da civilização e da cultura brasileira, com destaque para o ciclo do ouro.

Vista do Morro da Forca
Vista do Morro da Forca

O pátio ao lado dessa igreja também é um ótimo ponto para se observar a cidade, já que está elevado em relação à rua. Outro lugar que tem um mirante ótimo é o Morro da Forca, que fica próximo à Pousada Minas Gerais, onde fiquei hospedado. O nome do morro é porque os condenados eram enforcados em postes ali. A caminhada até o mirante é muito rápida, bastando subir alguns degraus de escada. Infelizmente o local se encontra em situação de abandono, mas ainda assim vale a pena a visita pela vista de 360° que proporciona da região.

Basílica de Nossa Senhora do Pilar
Basílica de Nossa Senhora do Pilar

Se tem uma coisa da qual não se pode fugir em Ouro Preto é das muitas subidas e descidas de morros. Pode se acostumar com a ideia e preparar as pernas para visitar essa cidade. Situada na parte baixa da cidade, próxima à Prefeitura, fica a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar. É importante notar que, assim como todas as igrejas da cidade, é cobrado um pequeno valor para a visitação e não é permitido tirar fotos no interior. É uma pena, pois essa basílica colonial em estilo barroco é repleta de obras de arte e toda trabalhada no ouro. Ao se lado encontra-se uma pequena praça com uma fonte de água, o Chafariz do Pilar. Na rua da Prefeitura também está o Centro de Artes e Convenções da UFOP, que funciona no antigo Parque Metalúrgico Augusto Barbosa. Ali há uma exposição sobre siderurgia, além de diversos espaços para feiras, convenções, apresentações teatrais e exibições de filmes, como acontece durante a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. A estação ferroviária de onde sai a Maria Fumaça que liga Ouro Preto a Mariana também fica ali pertinho.

Exposição sobre a evolução da moeda
Exposição sobre a evolução da moeda

Outro museu interessante de se visitar é a Casa dos Contos, que funciona na imponente residência que serviu, no século XVIII, como sede para a Casa de Contratos, destinada ao recolhimento de impostos na época colonial. Em 1789, ficaram presos no local alguns dos inconfidentes. Depois de ser destinada a usos diversos, retornou ao Ministério da Fazenda e foi completamente restaurada anos depois, em 1984. Atualmente, é usada para exposições ligadas à Casa da Moeda do Brasil e ao Banco Central, contando a história do dinheiro no nosso país, com enfoque no Ciclo do Ouro. Além disso, possui mobiliário de época, arquitetura singular e testemunhos da história da cidade, como a parte da senzala onde eram mantidos os escravos.

Ao lado desse museu fica o restaurante O Passo Pizza Jazz, que eu vou todas as vezes que visito Ouro Preto. A Casa dos Contos também possui um acesso para a Trilha do Horto, que percorre o Parque Vale dos Contos. Não sei por qual motivo, o acesso à trilha foi fechado pela prefeitura há alguns anos. Uma pena, pois era uma caminhada muito agradável.

Retratos feitos por Guignard
Retratos feitos por Guignard

Um museu que eu sempre passei na porta – mesmo porque ele fica em uma das ruas mais movimentadas da cidade – e nunca tinha visitado até essa minha última ida a Ouro Preto é o Museu Casa Guignard. Considerado um dos maiores pintores e desenhistas brasileiros do século XX, o artista possui diversas obras em que retrata as cidades históricas de Minas Gerais, em especial Ouro Preto. O museu foi inaugurado em 1987 e expõe em uma casa histórica alguns de seus trabalhos, além de objetos, peças e exposições temporárias. Uma boa oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a sua vida e obra.

Feira de Artesanato do Largo Coimbra
Feira de Artesanato do Largo Coimbra

Passando para o outro lado da Praça Tiradentes, um dos grandes atrativos da cidade de Ouro Preto são as peças em pedra sabão que podem ser comprados na Feira de Artesanato do Largo Coimbra. Eu acho alguns dos objetos expostos lá lindos e nem são muito caros. A feira é composta por várias barraquinhas, em muitas das quais é possível testemunhar o trabalho dos artesãos em tempo real. O resultado são peças únicas de decoração e uso em casa, como vasos, jarras, copos, caixas, porta-guardanapos, pratos, porta-retratos e tantos outros.

Igreja de São Francisco de Assis
Igreja de São Francisco de Assis

De frente ao comércio está a Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Aleijadinho e considerada a obra prima do arquiteto e escultor. Ele ficou famoso justamente por suas estátuas e peças feitas do mesmo material usado pelos artesãos da feirinha, a pedra sabão. No interior da igreja, destacam-se também as pinturas de Manuel da Costa Ataíde, principalmente aquelas no altar principal e no teto em que os anjos glorificam a Virgem Maria com feições da raça negra. As obras esculpidas em pedra sabão e madeira representam a época mais gloriosa da cidade e ali também há uma sala de exibições que faz parte do circuito do Museu Aleijadinho. No cemitério, que fica na parte posterior da igreja, está o túmulo do pintor Alberto da Veiga Guignard. Ao lado da igreja está o Restaurante Bené da Flauta, uma ótima opção para apreciar a culinária mineira com um toque mais classudo.

Passo de Antônio Dias
Passo de Antônio Dias

Passeando pelas ruas da cidade, ainda que sem rumo, você sempre irá se deparar com algum monumento especial em meio aos casarões coloniais. Um exemplo disso é o Passo de Antônio Dias (Passo do Pretório), um dos cinco Passos da Paixão de Cristo remanescentes na cidade. Ele só é aberto nos dias de celebração de ofícios religiosos das Procissões do Encontro, do Domingo de Ramos e do Enterro, na Sexta-Feira Santa. Do outro lado da rua está o Chafariz do Passo de Antônio Dias, construído em 1752, em frente à casa do poeta e inconfidente Cláudio Manoel. A inscrição em latim ali presente pode ser traduzida assim: “Quanta gente bebe desta água goze de felicidade por muitos anos”.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias
Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias

Além de ladeiras que desafiam as estruturas musculares das pernas menos habituadas a escaladas ultrajantes, outras coisas que abunda nessa cidade são igrejas. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias surgiu como uma capela erguida pelo bandeirante Antônio Dias em torno de 1699, sendo ampliada e transformada em matriz poucos anos depois. Mas pouco resta dessa estrutura original que, em ruínas, foi substituída por um edifício novo a partir de 1727 sob o comando de Manuel Francisco Lisboa, o pai de Aleijadinho. Ambos estão enterrados lá. A igreja também abriga, desde 1968, o Museu Aleijadinho, onde estão expostas peças de sua autoria.

Uma coisa um pouco chata de andar por essa região, próxima à Mina do Chico Rei, é que ficam várias pessoas oferecendo seus serviços de guia para visitar as Minas do Palácio Velho. Eu fui à Mina do Chico Rei, mas me recusei a ir à outra de tanto que achei aquelas pessoas chatas e insistentes.

Ponte de Antônio Dias
Ponte de Antônio Dias

Também chamada de Ponte de Marília ou dos Suspiros, a Ponte de Antônio Dias foi construída em 1755. Sua estrutura é formada por dois arcos romanos e uma conversadeira em elipse. Ali é realizada a tradicional Festa da Santa Cruz da Ponte de Antônio Dias, sempre no dia 3 de maio. No final da ponte está o Chafariz de Marília, construído em 1759, com peças decorativas e funcionais atribuídas a Manoel Francisco Lisboa. Essa fonte foi erguida no paredão do Solar dos Ferrão, onde residiu Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, a musa do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzada, que ficou conhecia como Marília de Dirceu. Na casa, hoje, funciona o Clube XV de Novembro.

Igreja Matriz de Santa Efigênia
Igreja Matriz de Santa Efigênia

Para encerrar essa longa postagem sobre os principais monumentos e pontos turísticos de Ouro Preto, nada como incluir um último destino religioso. A Igreja Matriz de Santa Efigênia fica no topo de uma longa ladeira, no ponto mais distante que eu visitei do centro da cidade. Essa igreja se destaca por ter sido construída entre 1733 e 1785 pelo escravo alforriado Chico Rei e sua tribo com o ouro retirado da Mina da Encardideira, a Mina do Chico Rei. Elementos da cultura africana podem ser observados no altar-mor, como conchas, caramujos e chifres, além das figuras dos santos católicos de pele negra.

Na subida, passei pelo Oratório do Vira-Saia, um dos últimos remanescentes na cidade. Sua função era abençoar os passantes e afastar as assombrações, mas conta a tradição que os famosos assaltantes de carregamentos de ouro para o porto do Rio de Janeiro utilizavam as diferentes posições do santo como código de comunicação entre as quadrilhas.

A localização de todos os pontos turísticos citados acima, além de restaurantes e cafés onde parei para abastecer a minha barriguinha, podem ser conferidos no mapa interativo acima. A partir dele, é possível que você trace seu próprio roteiro para desbravar esta cidade surgida como Vila Rica em 24 de junho de 1698, quando o bandeirante Antônio Dias desbravava os sertões, rios e montanhas da região em busca de metais preciosos. Não sem razão, Ouro Preto é, ainda hoje, a mais celebrada cidade brasileira de herança colonial.

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