Ruínas no centro histórico

Alcântara – Senta que lá vem história

O passeio pela por Alcântara está totalmente ligado à história da cidade e do Brasil colônia. Ainda hoje, está presente ali o traçado urbano original, com construções de pedra e cal. A caminhada pelas ruas permite ver ruínas de imponentes casarões, sobrados e moradas, cujas fachadas são marcadas por mirantes, sacadas guarnecidas, ombreiras e portadas. Também se destacam as fachadas cobertas de azulejos, símbolos de poder e riqueza que acompanharam o desenvolvimento da região.

Mas a história começa muito antes da chegada de estrangeiros em nossas terras. Os primeiros habitantes dessa região foram os índios, surgindo ali, depois, uma aldeia chamada Tapuitapera, que significa terras dos tapuias ou aldeia abandonada. Após o descobrimento do Brasil, a área foi dominada pelos franceses que, apesar de desbravar a região, não trouxeram grandes consequências para a vida dos índios.

Igreja Matriz de São Matias e Pelourinho
Igreja Matriz de São Matias e Pelourinho

A chegada dos portugueses e a expulsão dos franceses, em 1615, deu início ao processo de colonização. A partir de então, a população indígena foi torturada, violentada e assassinada. A criação do Estado Colonial do Maranhão, composto pelas capitanias independentes do Maranhão e do Grão-Pará, se deu cinco anos depois, precedendo inclusive a fundação da capital São Luís. Em 22 de dezembro de 1648, a aldeia foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Santo Antônio de Alcântara. O padroeiro era São Matias. Na praça principal, foi erguido o Pelourinho, monumento que representa a liberdade municipal e a autoridade da Câmara. No topo, encontram-se talhadas em pedra de lioz as armas portuguesas. Posteriormente, os índios desapareceram da região devido a um grande surto de varíola.

Ainda é possível encontrar pés de algodão pelas ruas
Ainda é possível encontrar pés de algodão pelas ruas

Durante os séculos XVII e XIX, Alcântara era a principal sede da aristocracia rural maranhense. Destacava-se a produção de arroz, açúcar e algodão, além da criação de gado, e ali foi fundada a Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Os descendentes das ricas famílias da burguesia rural eram enviados para estudar em Coimbra e outros centros universitários europeus, o que ocasionou uma grande influência europeia na região. Em 1836, Alcântara recebeu o título de cidade e foi reconhecida como o celeiro do Maranhão.

Palácio Preto
Palácio Preto

O declínio socioeconômico de Alcântara veio com o desenvolvimento de outros povoados da região, a evolução das técnicas agrícolas, o fim da exportação de algodão para o mercado europeu e a abolição da escravatura, no final do século XIX. A partir de então, a cidade entrou em um processo de abandono e muito de sua história foi perdido pelo descaso e falta de investimentos. Na época da crise, os ricos abandonaram a região para tentar se estabelecer em outras cidades. Para os pobres, a maioria ex-escravos, restou ficar em Alcântara e tentar desenvolver trabalhos para se sustentar.

A religiosidade é muito presente na cidade
A religiosidade é muito presente na cidade

De qualquer forma, ainda hoje ainda há um acervo arquitetônico de valor incontestável. Em 1948, a cidade, no seu aniversário de 300 anos, foi tombada como Cidade Histórica e Monumento Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Em 1980, deu-se início à instalação do Centro de Lançamento de Alcântara. A escolha se deu pela sua posição geográfica privilegiada, bem próxima à linha do Equador, o que proporciona condições que possibilitam a redução dos custos nos lançamentos de foguetes. Além disso, é uma região com clima regular e ventos dentro dos limites aceitáveis.

Centro de Cultura Aeroespacial
Centro de Cultura Aeroespacial

Atualmente, as principais atividades econômicas da cidade são a pesca e o turismo. A herança dos índios e negros ainda se faz bastante presente nos costumes e na cultura local. Vários quilombos e comunidades ainda fazem questão de manter as tradições desses povos. A maioria dos visitantes que chega à cidade busca conhecer o conjunto arquitetônico, com muitos casarões com fachadas revestidas de azulejos portugueses pintados à mão. Outro grande atrativo da cidade são as festas religiosas, em especial a Festa do Divino Espírito Santo, uma tradição trazida de Portugal, mas que recebeu influências locais. Quem fica mais tempo na cidade, pode fazer, ainda, passeios de barco para visitar igarapés amazônicos e ilhas próximas, como a do Livramento. Nesse tour, é possível testemunhar a revoada dos guarás, aves de plumagem vermelha que habitam a região.

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