Agnus dei

Agnus dei ★★★★☆

Título original: Les innocentes
Ano: 2016
Direção: Anne Fontaine
Elenco: Lou de Laâge, Agata Zulesza, Agata Buzek, Vincent Macaigne.

A invasão à Polônia, em 1° de setembro de 1939, empreendida pela Alemanha, União Soviética e um pequeno contingente de eslovacos, deu início à Segunda Guerra Mundial dois dias depois, quando a França e o Reino Unido, seguidos dos componentes da Commonwealth (Comunidade das Nações) e outros países, declararam guerra. No mês seguinte, a Polônia foi dividida e suas terras anexadas aos países invasores. A guerra chegaria ao fim seis anos depois.

Hospital da Cruz Vermelha em Varsóvia
Hospital da Cruz Vermelha em Varsóvia

O argumento do filme é de Phillippe Maynial, que se inspirou nas experiências vividas por sua tia Madeleine Pauliac, uma médica da Cruz Vermelha francesa que trabalhou na Polônia após a Segunda Guerra Mundial. A organização humanitária tinha como objetivo resgatar e tratar os soldados feridos, com permissão de tratar apenas os franceses. Não são mostradas cenas da guerra, com a qual temos contato apenas nos breves momentos em que é retratado o cotidiano do hospital, a dificuldade com a falta de medicamentos e estrutura para a realização de atendimentos e cirurgias, bem como pela presença de crianças órfãs pedindo dinheiro na rua e outros fatos que podem ser observados no segundo plano pelo espectador mais atento.

A médica atende uma das noviças
A médica atende uma das noviças

O foco do filme são os acontecimentos do convento. A Irmã Maria deixa secretamente o local em busca de ajuda para uma das freiras, que está grávida, e acaba por encontrar a médica Mathilde Beaulieu. O assunto é um tabu entre as freiras, que buscam esconder e ignorar a gravidez e seus riscos por vergonha de ter sido violado o voto de castidade, pelo medo do julgamento das outras pessoas, por não saber o que fazer com a criança, por temor a Deus e várias outras nuances da religião.

A vida rigorosa levada por essas mulheres faz com que não se permitam ser tocadas ou vistas nuas, mesmo que seja por outra mulher fazendo um exame de saúde, encarando o sofrimento como uma forma de penitência. As personagens são retratadas de maneira complexa, sem uma separação clara entre o bem e o mal.

As freiras e noviças do convento
As freiras e noviças do convento

A força do filme está justamente na sensibilidade com que é tratado o assunto. Ao mesmo tempo em que as freiras questionam sua fé e a vontade divina, que permitiu que várias mulheres fossem estupradas por soldados e acabassem grávidas e doentes, a médica revê seus próprios conceitos ao vivenciar as dificuldades enfrentadas por aquelas pessoas, conseguindo enxergar nelas o poder de enfrentar a situação a seu modo e a necessidade de viver em uma comunidade fechada para se proteger dos perigos.

O público deve gostar muito de filmes de guerra, pois todos os anos saem algumas grandes produções com o tema. É mais raro, entretanto, ver um filme do pós-guerra e suas consequências, com foco em personagens femininas. O resultado é um filme belo, emocionante, com ótimas atuações e uma linda fotografia, que deixa a guerra como segundo plano para as motivações humanas, seus medos e anseios, entre acertos e erros.

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