Le mime

Le mime

Meu maior contato com a pantomima foi com o jogo imagem e ação e filmes mudos, que assisti bastante por ter feito graduação em Cinema. Em uma época em que os diálogos se limitavam a poucos textos escritos, a narrativa dependia diretamente da capacidade dos atores de narrar com o corpo. Um dos grandes exemplos dessa arte é o americano Charlie Chaplin. Mas a técnica surgiu antes, muito antes.

A pantomima antiga surgiu junto à dramaturgia, na Grécia Antiga. Ou talvez seja até mais antiga, já que há indícios de seu uso em rituais religiosos sumérios, hindus e egípcios, há mais de cinco mil anos, o que podemos chamar de pantomima sagrada. O fato é que no século IV a.C., os festivais dionisíacos já traziam tragédias com essa expressão teatral, que também podem ser encontradas em pinturas nos vasos jônicos que retratam artistas mimicando governantes locais e tipos engraçados. Já a pantomima clássica se tornou muito popular no Império Romano, quando a técnica atingiu o seu apogeu, fazendo a ponte entre a expressão grega e a latina. Durante a Inquisição, iniciou-se um período da Idade Média em que se proibia a livre manifestação artística. O ressurgimento aconteceu na França. Jean-Gaspard Debureau criou o personagem Baptiste e levou a uma efervescência da pantomima romântica nos aos posteriores. Por toda a Europa, artistas aprimoraram o estilo, se apresentando em teatros, casas de shows, bulevares e circos. O personagem Baptiste apareceu no filme Les Enfants du Paradis, em 1945.

Jean-Gaspard Debureau
Jean-Gaspard Debureau

No início século XX, as artes sofreram mudanças devido às rupturas dos conceitos tradicionais e surgimento de novas tendências estéticas. A pantomima neoclássica se desenvolveu a partir da codificação de uma gramática corporal elaborada por Etiênne Decroux. O maior representante dessa nova técnica foi o também francês Marcel Marceau e seu personagem Bip, mas suas influências puderam ser observadas no trabalho de diversos artistas, como o já citado Charles Chaplin, os passos de dança imortalizados por Michael Jackson, a performance de mágicos ilusionistas como David Coperfield, as apresentações cômicas de Mr. Bean e tantos outros.

Marcel Marceau
Marcel Marceau

Na apresentação de um mime ou mímico, o visual é o aspecto mais importante. A efetiva escolha do figurino é imprescindível para passar uma mensagem clara e não causar dúvidas no público, devendo ser algo que o espectador reconheça imediatamente quando o personagem está sendo apresentado. A maquiagem também é usada para diferenciar os papéis, sendo capaz de transmitir muitas informações. Como se trata de uma arte de certa forma abstrata, a maquiagem não tem como objetivo representação do real, podendo retratar sentimentos. O grande trunfo está, entretanto, na expressão facial e na expressão corporal. É importante destacar que uma pessoa feliz não está necessariamente sorrindo, enquanto um sorriso pode transmitir emoções bem diferentes de um sentimento de alegria. Assim, o trabalho do ator é muito mais complexo. O sorriso não está somente no movimento da boca, mas também no brilho dos olhos, na curvatura das sobrancelhas, no esticar do nariz, no levantar das sobrancelhas e na postura do corpo. O mesmo vale para as outras emoções e varia com cada personagem representado.

Cadernos "Le mime"

Inspirada na figura clássica do mímico francês, foi criada a arte Le mime, que pode ser adquirida em formatos diversos de cadernos na Loja Viajento como parte da Coleção França.

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18 comments

  1. Ual que post bacana, não conhecia a pantomime, conhecia o trabalho, mas não o nome, adorei conhecer mais detalhes de uma forma tão linda de transmitir mensagem. Amei também essa imagem Le mime, vou na loja on line.

    Beijos

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  2. Muito interessante a pantomime, essa técnica é muito importante pois são filmes mudos, narrar com o corpo é um trabalho bonito. Achei muito legal o post falando dessa técnica ainda não tinha visto post dese gênero, é bom porque a gente fica sabendo, abraços.

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    1. Pois é… o problema de muitos filmes falados é que os personagens ficam dizendo coisas óbvias, pensando alto, como se o espectador não fosse capaz de entender o que ele está fazendo só de observar seus movimentos.

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  3. Demais a publicação. Original, informativa, cultural, dinâmica. Parabéns! Hoje em dia, bom se mais gente se expressasse falando menos bobagens por aí. 🙂

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  4. Pantomima… que coisa, não sabia que esse tipo de narrativa tinha um nome. Muito legal o post e a arte Le Mime realmente é bem bonita. Vou dar um pulo na loja online 😉

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  5. Dá próxima vez que eu jorgar imagem e ação vou dizer que estou apenas estudando pantomima…
    kkkk’
    Parabéns, achei o texto realmente interessante

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  6. Olá
    Adoro a figura do mímico, ela tem um mistério e uma magia toda especial, mas nunca tinha me aprofundado na história dos mimicos, então gostei muito de saber um pouco mais por aqui.

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