Carlos Dreyer

Puno – Museo Carlos Dreyer

Carlos Dreyer foi um alemão nascido em Hamburgo em 1895. Pertencia a uma família de joelheiros e relojoeiros, uma carreira que lhe foi imposta pelo pai, apesar de seu interesse e talento para a arte. Nessa área tinha o apoio da mãe. No início dos anos 1920, Carlos Dreyer viajou para Valdivia, no Chile, onde trabalhou por dois anos na produção de relógios. Acabado o contrato, usou o dinheiro que juntou para uma peregrinação pela América do Sul, passando por diversos países e produzindo desenhos e pinturas de temas andinos. Essa experiência reforçou a sua vocação e, depois de ficar poucos meses na Alemanha, retornou ao nosso continente.

Em 1924, Carlos Dreyer passou a morar em Lima, onde trabalhava como escritor e ilustrador na revista West Coast Leader. O contrato o permitia viajar pela variada geografia do Peru e da Bolívia, produzindo obras que ilustrariam as capas e artigos da publicação. Ele também tirava fotos, como os cerca de 90 registros feitos na então pouco explorada selva peruana na região do rio Ucayali. Posteriormente, passou também pela Amazônia boliviana.

Carlos Dreyer em foto com indígenas
Carlos Dreyer em foto com indígenas

O artista fazia parte de um movimento indígena, liderado por José Sabogal, que tinha como principal objetivo retratar os personagens e cenários andinos. O Lago Titicaca era um dos seus lugares favoritos, com grande fonte de inspiração vinda da natureza e da cultura nativa. Passava bastante tempo em Puno, a principal cidade portuária da região. Ali ele conheceu Maria Costa Rodrigues, com quem se casou em 1929, o que o levou a adotar a cidade como morada.

Nos 50 anos em que viveu no Peru, desenvolveu o gosto pela fotografia, antropologia e coleções de objetos pré-colombianos, coloniais e etnográficos. Após sua morte, os objetos foram doados pelos seus filhos para a cidade de Puno e, em 1977, foi fundado o Museo Carlos Dreyer.

Museo Carlos Dreyer
Museo Carlos Dreyer

O museu fica bem perto da Plaza de Armas, na Calle Jr. Conde de Lemos, 289, ao lado da Catedral de Puno. Apesar de simples, vale à pena pela sua relevante coleção dividida em salas temáticas: Salon Pinacoteca, com pinturas de artistas puñenos contemporâneos de Carlos Dreyer; Salon Colonial, que exibe objetos de prata feitos pelos colonos espanhóis; Salon Religioso, voltado para o cristianismo trazido pelos conquistadores; Sala Inca, com cerâmicas, tecidos, armas e outros objetos; Sala Litica, onde estão esculturas em pedra da cultura Pucara, que habitou a região nos 400 anos antes de Cristo; Sala Arqueológica Regional, repleta de cerâmicas e outros objetos de várias culturas que viveram na região; Salon Sillustani, considerada a mais importante do museu pelas suas peças de ouro usadas como jóias e vestimentas; Salon Dreyer, em que estão objetos pessoais do artista.

Múmia e objetos arqueológicos
Múmia e objetos arqueológicos

O museu provavelmente passa despercebido por uma parte considerável dos turistas que passam pela cidade, principalmente aqueles com tempo limitado, já que o foco principal fica nos passeios pelo Lago Titicaca. Mas, para quem tem interesse em conhecer a história local, esse museu tem uma coleção bem relevante de objetos e pinturas e vale à pena ser visitado.

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