Mapa antigo da América

La Paz – Senta que lá vem história

Alonso de Mendoza, nascido entre 1480 e 1490, saiu da Espanha atraído pelas notícias de riquezas em terras ainda pouco exploradas. Algumas fontes indicam que teria lutado como parte do exército Espanhol na Alemanha e na Itália, além de passar por Cuba e México, de onde foi exilado por seu comportamento rebelde. Dali ele foi para o Peru, onde lutou em batalhas diversas e foi nomeado capitão. Pedro de la Gasca, que trabalhava na pacificação de conflitos entre os conquistadores, o governo monárquico e os donos de terras, deu a Alonso de Mendoza a missão de fundar uma nova cidade.

Mendoza decidiu pelo altiplano boliviano. Naquele tempo, a região já era frequentada por funcionários do Virreinato del Perú, soldados, sacerdotes e comerciantes, que pernoitavam no profundo vale que protegia os viajantes dos ventos frios e por onde passava o Rio Choqueyapu. A fundação de Nuestra Señora de La Paz, que recebeu esse nome em comemoração à pacificação das guerras civis peruanas, se deu em 20 de outubro de 1548, em um local ocupado por uma comunidade Inca. Apenas três dias depois, a cidade foi transferida para a localização atual, a cerca 36 km dali.

La Paz era uma parada obrigatória na rota comercial entre Lima, cidade à beira do Oceano Pacífico e capital do Virreinato del Perú, e Potosí, localidade boliviana onde se encontrava a mina de prata mais rica do mundo. Também era um ponto estratégico para o transporte do ouro de Tipuani e as produções agrícolas de Los Yungas.

Cerco a La Paz | Florentino Olivares
Cerco a La Paz | Florentino Olivares

À época, La Paz era controlada pelo Virreinato del Río de la Plata (territórios que hoje fazem parte do Peru, Bolívia, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai) e governada à ferro e fogo pela Espanha, cujo rei tinha a última palavra em todos os assuntos políticos. Por isso, foi palco de numerosas revoltas a favor de sua independência. Uma das mais importantes aconteceu em 1781, quando foi cercada em duas ocasiões por cerca de 40 mil homens, a maioria indígena, liderados por Túpac Katari. O cerco, que impedia a passagem de pessoas e mercadorias, acabou devido às manobras políticas e militares dos espanhóis, além de alianças com líderes indígenas contrários a Túpac. No final, os comandantes da rebelião foram capturados e executados.

Pedro Domingo Murillo | Joaquin Pinto (1894)
Pedro Domingo Murillo | Joaquin Pinto (1894)

Pedro Domingo Murillo nasceu na cidade em 1757. De família rica, cursou direito na Universidad San Francisco Xavier de La Plata, mas não chegou a concluir os estudos. Depois da morte de seu pai, recebeu, junto com a irmã, quase toda a fortuna deixada na herança. Mas sua tia Catalina Felipa entrou na justiça pela briga dos bens. Apesar de ter vencido facilmente na primeira instância, mais tarde perdeu tudo ao ser acusado de falsificar seu título de advogado e foi declarado como rebelde, passando a ser perseguido pelas autoridades. Depois de se dedicar à mineração, começou a organizar uma revolução pela independência. Em 16 de julho de 1809, encabeçados por Pedro Domingo Murillo e outros líderes locais, a revolução contra o império espanhol instaurou o primeiro Gobierno Libre de Hispanoamérica. Pouco depois eles foram dominados e, em 29 de janeiro de 1810, Murillo foi enforcado na Plaza de los Españoles. Antes de morrer, pronunciou sua frase mais famosa: “Compatriotas, eu morro, mas a chama que deixo acendida, ninguém poderá apagar. Viva a liberdade!”.

Plaza Murillo
Plaza Murillo

A independência seria declarada em 6 de agosto de 1825, com o novo país ganhando o nome em homenagem ao libertador Simón Bolívar. O nome de Pedro Domingo Murillo foi lembrado na praça principal da cidade de La Paz, onde foi enforcado. La Paz passou a ser a sede do governo em 1899, embora os conservadores apoiassem a cidade de Sucre. A treta voltou à tona em 2007, quando os departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, governados por opositores ao presidente Evo Morales, pedia a transferência para Sucre. Em 22 de julho do mesmo ano, cerca de dois milhões de habitantes da região votaram pela permanência de La Paz como sede do governo em um evento que ficou conhecido como El Gran Cabildo. Sucre continua a ser a capital constitucional do país.

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