Vale no deserto do Atacama

Mal da montanha

Hipobaropatia. Soroche. Doença das alturas. Mal de altitude. Mal da montanha. Esses são alguns dos nomes dados para uma condição patológica (sempre lembro daquela bruxa que fica tentando roubar a moeda n°. 1 do Tio Patinhas quando vem essa palavra) relacionada aos efeitos da altitude nos humanos. Para quem está acostumado com o ar em cidades mais próximas ao nível do mar – inconscientemente, já que ninguém fica pensando nisso – e viaja para algum lugar nas montanhas, a diferença pode causar sintomas variados parecidos com uma gripe ou ressaca. Para nós, brasileiros, é comum. Aliás, volta e meia ouvimos falar desses problemas quando a seleção brasileira de futebol vai jogar em alguma cidade muito alta, como La Paz, na Bolívia, e pensamos com desdém: isso é desculpa dos jogadores que estão jogando sem garra. Não é.


Causas

Primeiro é preciso entender quais são as causas do mal de montanha. No Peru, eles usam a palavra soroche (minério) para a doença porque, antigamente, acreditavam que o mal-estar estava relacionado com as emanações tóxicas de minérios nas montanhas dos Andes. Hoje sabemos que se trata da diminuição do oxigênio na atmosfera a grandes altitudes, principalmente a partir dos 2.400 metros acima do nível do mar.

Também contribui para o aparecimento dos sintomas a desidratação causada pela maior taxa de vapor de água perdida pelos pulmões. A taxa de subida, ou seja, quanto mais rápido você é transportado de uma altitude baixa para uma elevada, também agrava os problemas. Além disso, a altitude atingida, a quantidade de atividade física realizada e a susceptibilidade individual contribuem para o aparecimento e severidade da doença.


Sintomas

Os sintomas incluem cansaço, fraqueza, dor de cabeça, dor de barriga e diarréia, tontura, vertigem, dificuldade para dormir, diminuição do apetite, náuseas e vômitos, falta de ar ao fazer esforço físico, hemorragia nasal, pulso rápido persistente, sonolência e inchaço nas extremidades do corpo e no rosto. Em casos mais graves e que chegam a indicar risco à vida, pode acontecer um edema pulmonar ou cerebral. No caso de líquido nos pulmões, os sintomas são semelhantes aos da bronquite, com tosse seca persistente, febre e falta de ar mesmo quando em repouso. Já o inchaço do cérebro apresenta dor de cabeça que não responde a analgésicos, marcha instável, perda gradual da consciência, aumento de náusea e hemorragia retiniana.

Alguns passageiros chegam a sentir sintomas da doença em voos longos, mesmo que a pressão atmosférica dentro dos aviões seja mantida a 2.400 metros ou mais baixas. Mas o usual é que a doença das alturas ocorra quando há uma subida rápida, sem um tempo de adaptação adequado quando, por exemplo, você vai fazer um passeio nas montanhas logo no primeiro dia ao chegar no local. De qualquer maneira, os sintomas são, geralmente, temporários e diminuem com a adaptação.

A sensibilidade varia muito de pessoa para pessoa. Mesmo sendo um indivíduo saudável, que está acostumado a fazer atividades físicas, você pode sentir alguns sintomas a partir dos 2.000 metros de altura do nível do mar. Mas não é uma coisa automática, do tipo: vou descer do avião e desmaiar porque estou sem ar. Os sintomas costumam se manifestar depois de seis a dez horas da subida e, geralmente, desaparecem em um ou dois dias. Ocasionalmente, podem se desenvolver condições mais graves.


Prevenção

A melhor maneira de prevenir o mal da montanha é a subida lenta e dar ao corpo um período de adaptação de 24 horas às novas condições do ar. Para isso, é importante evitar atividades físicas pesadas. Além disso, é recomendado evitar o consumo de álcool, já que isso tende a causar desidratação.


Tratamento

Em alguns países da América do Sul, como Chile, Bolívia e Peru, são utilizadas as folhas de coca para diminuir os sintomas. Elas podem ser mastigadas, utilizadas para fazer chá ou outras formas de consumo. Como elas tem efeito estimulante (dorgas), é bom não fazer uso a noite se não quiser ficar ligadão. A acetazolamida pode ajudar na aclimatação, mas não é um tratamento confiável para casos já estabelecidos da doença. No caso de enjôos, tem outros chás que ajudam na digestão, como o de muña.

Também é importante tomar bastante água para se manter hidratado e evitar comidas pesadas e o consumo de bebida alcoólica. Além disso, é possível utilizar remédios variados para aliviar dor de cabeça, enjôos, etc.

Em alguns estabelecimentos ou passeios, é possível utilizar oxigênio para tratar os sintomas leves a moderados da doença, com resultado entre 12 e 36 horas. Se os problemas persistirem ou se os sintomas forem graves, corrão para da montanha. Isso mesmo, tem que descer para ser tratado em condições mais adequadas.

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