Museu de Arte da Pampulha

Belo Horizonte – Museu de Arte da Pampulha

Esse edifício foi projetado para ser o Cassino, principal atração do Conjunto Moderno da Pampulha pelo grande número de pessoas que atraía. Também possui destaque por ter sido implantado em terreno mais elevado, proporcionando uma ótima vista da região com seus panos envidraçados, que permitem grande integração visual entre interior e exterior. Dentre as construções de Oscar Niemeyer para a Pampulha, essa é a que possui mais clara filiação aos princípios da arquitetura moderna formulados pelo arquiteto Le Corbusier.

Paisagismo de Roberto Burle Marx e escultura Pampulha, de José Pedrosa
Paisagismo de Roberto Burle Marx e escultura Pampulha, de José Pedrosa

Os jardins que circundam o prédio foram criados pelo paisagista Roberto Burle Marx, também responsável pelos projetos da Igrejinha da Pampulha e da Casa do Baile. A principal característica de sua composição são as formas sinuosas e os grandes blocos ou manchas de cores formadas com espécies da flora brasileira. Na parte externa, também se destacam as esculturas de Ceschiatti, Zamoyski e José Pedrosa, esse último com a obra intitulada Pampulha.

Nu, escultura de Conde August Zamoyski
Nu, escultura de Conde August Zamoyski

Na entrada principal do museu está a escultura de Conde August Zamoyski, polonês que passou a residir no Brasil em 1940, quando foi professor no Rio de Janeiro. Sua vinda ao país coincidiu com a construção do complexo arquitetônico da Pampulha. A obra Nu, de 1943, mostra uma jovem figura reclinada que contempla o vazio, seu olhar desviando-se do espectador.

O Abraço, escultura de Alfredo Ceschiatti
O Abraço, escultura de Alfredo Ceschiatti

Mas, dentre as esculturas que ornamentam os jardins, a mais polêmica é O Abraço, de Alfredo Ceschiatti. A obra, que mostra duas mulheres abraçadas, foi considerada imoral pela tradicional família mineira da época, tendo ficado guardada por muitos anos até ser finalmente exposta. Para ver a escultura, é preciso dar a volta pelo jardim do museu ou sair pela porta de trás do andar térreo.

Jardim do Museu de Arte da Pampulha
Jardim do Museu de Arte da Pampulha

Construído entre 1942 e 1943, o primeiro cassino da cidade logo passou a atrair jogadores de todo o Brasil, transformando a vida noturna de Belo Horizonte e da região da Pampulha, até então pouco frequentada. O responsável pela casa era Joaquim Rolla, o mesmo administrador dos cassinos da Urca, no Rio de Janeiro, e do Palácio Quintandinha, em Petrópolis, o que garantiu ao Cassino da Pampulha a vinda de várias atrações de shows musicais internacionais. Mas, em 30 de abril de 1946, durante o governo do General Gaspar Dutra, os jogos de azar foram proibidos em todo o território nacional, o que levou ao fechamento da casa por mais de dez anos.

Belo Horizonte, Museu de Arte da Pampulha museu

A partir de 1957, o local passou a funcionar como museu, quando era conhecido como Palácio de Cristal. As mostras, sempre temporárias, focam na Arte Contemporânea brasileira com variadas tendências artísticas. Atualmente, o acervo conta com mais de 1500 obras de artistas como Guignard, Oswaldo Goeldi, Fayga Ostrower e Anna Letycia; dos modernistas Di Cavalcanti, Livio Abramo, Bruno Giorgi e Ceschiatti; e dos contemporâneos Antonio Dias, Frans Krajcberg, Ado Malagoli, Iberê Camargo, Tomi Ohtake, Ivan Serpa, Milton Dacosta, Alfredo Volpi, Franz Weissmann e outros.

Pilotis do Museu de Arte da Pampulha
Pilotis do Museu de Arte da Pampulha

As exposições acontecem no grande salão de pé direito duplo. O pilotis apresenta-se como uma caixa de vidro, ligada ao antigo salão de jogos e à boate por rampas. As paredes são revestidas de ônix e as colunas de aço inoxidável, uma inovação para a época.

Rampas de acesso para o segundo andar
Rampas de acesso para o segundo andar

Além das exposições, vale a pena visitar o museu pela arquitetura em si. Os espelhos de cristal belga dão um efeito moderno ao ambiente e dão uma ideia do clima de ostentação que devia rolar durante os poucos anos em que funcionou como cassino para a alta sociedade.

Palco do Museu de Arte da Pampulha
Palco do Museu de Arte da Pampulha

O local projetado para funcionar como boate do cassino acabou se tornando palco para shows. Com forma circular, no segundo andar e com as paredes todas em vidro, possui ótima vista para a Lagoa da Pampulha. Os destaques são o chão de vidro e a escada que parece flutuar e dá acesso ao ambiente.

Segundo andar do Museu de Arte da Pampulha
Segundo andar do Museu de Arte da Pampulha

Desde sua inauguração, o edifício não passou por nenhuma grande reestruturação, mesmo depois de apresentar problemas de infiltração que remetem ao rompimento da represa da Pampulha em 1955. As maiores mudanças aconteceram nos anos 2000, quando foi instalada no local uma biblioteca, café e loja de conveniências. Em 2016, a Fundação Municipal de Cultura anunciou que o museu será fechado para uma grande reforma em todo o prédio.

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