The Old Dutch

Holambra – The Old Dutch

Robert Jager, cujo pai possuía uma distribuidora de laticínios e era conhecido como o “rei do creme de leite” em Voorburg, teve contato desde pequeno com restaurantes, confeitarias e hotéis. Quando seus pais se mudaram para a Irlanda, em 1976, Jager teve que se virar sozinho para terminar a escola enquanto trabalhava em restaurantes. Depois de se formar, fez cursos na área da gastronomia, mas aprendeu a maior parte do que sabe com a prática nas cozinhas.

Depois de se casar com uma moça que tinha parentes no Brasil, Robert Jager veio conhecer o país em 1983, se mudando definitivamente para cá no ano seguinte. Após morar por cinco anos em Paracatu, Minas Gerais, o casal resolveu se mudar para Holambra, onde seu trabalho teria mais aceitação e as chances de progredir seriam maiores. Em 1989 foi inaugurado o The Old Dutch, um nome comum que é usado por vários restaurantes e hotéis pelo mundo. Há até marcas de cerveja, salgadinhos e materiais de limpeza com esse nome, que significa “velho ou antigo holandês”.


Ambiente ★★★★

Criação de animais
Criação de animais

O restaurante fica um pouco afastado do centro da cidade, em um ambiente mais tranquilo e rural que é evidenciado ainda mais pelas árvores frutíferas e os animais presentes na propriedade. Confesso que o cheirinho natural, algumas vezes, é mais interessante na teoria do que na prática. A proximidade da criação de galinhas, pato e coelhos combinado com o vento leva um odor desagradável para quem vai se alimentar. Como eu estava sentado próximo à janela, isso me incomodou em determinado momento, mas foi antes da comida chegar. Lá fora também tem um pequeno parquinho onde as crianças podem brincar.

Parte interna
Parte interna

A parte interna do restaurante é bem ampla, com diferentes salões interligados. A decoração é feita com muitos objetos que o chef carregava consigo desde a infância na Holanda. Outros foram trazidos em suas viagens para lá e para outros lugares. Como está em uma área verde, há redes em todas as janelas e portas para evitar a entrada de insetos. Aliás, pelo que eu percebi é tudo bem limpinho.


Serviço ★★★★★

Chegamos bem cedo ao restaurante, imaginando ficaria muito cheio por ser final de semana. Como resultado, acredito que fomos os primeiros clientes do dia. Percebi que havia algumas mesas reservadas, mas, mesmo quando já estávamos indo embora, o restaurante não estava cheio. Isso não quer dizer que haviam poucos clientes, é que o local é realmente bem grande.

Com isso, o atendimento foi bem eficiente. Quer dizer, os pratos não chegaram assim tão rápido, mas nada que chegasse a matar uma pessoa de fome. Não sei como seria com o restaurante lotado, mas, pela quantidade de funcionários, acho que não haveria problema de qualquer maneira.


Preço ★★★☆☆

Cardápio
Cardápio

Os pratos do The Old Dutch não são baratos. É verdade que eles são muito bem servidos – nós pedimos o prato de uma pessoa para dois, já que não estávamos com fome e havíamos pedido entrada. Se você vai dividir o prato fica com um preço bom. Mas se cada pessoa optar por comer um prato ou se não perguntarem se é bem servido e possível dividir, acaba ficando muito caro.

Dessa vez não pedimos sobremesa, já que planejávamos ir à Confeitaria Zoet en Zout. De qualquer maneira, nenhuma opção chamou muito a atenção já que todas eram sorvete de creme com alguma outra coisa – um sorvete que, imagino, não é de produção artesanal ou se destaque de alguma outra maneira. O cardápio está disponível na página oficial.


Comida ★★★★

O cardápio preparado pelo chef Robert Jager representa o que os holandeses comem no dia-a-dia. A base é sempre batata – cozida, salteada, frita ou em purê – com algum legume e carne ou peixe para acompanhar. São servidos pratos tradicionais holandeses – alguns “tropicalizados” e outros do jeito que eram feitos no seu país de origem.

Segundo o chef, a ideia é não ter pobreza: todos os pratos são bem servidos. Além disso, o cardápio não é muito extenso porque a intenção é servir produtos de muita qualidade, em vez de focar na quantidade. O menu foi bem planejado, tinha várias opções que eu gostaria de experimentar. A exceção é mesmo a sobremesa, que não me chamou muito a atenção.

Eigengebakken Brood
Eigengebakken Brood

Para entrada, pedimos o Eigengebakken Brood, um pão feito no próprio restaurante, servido quentinho e acompanhado de pasta de alho caseira. Tanto o pão quanto o patê estavam bem gostosos, mas nada que te faça sonhar no dia seguinte e desejar ter comido mais. Talvez não tenha se destacado tanto por não ser diferente do que comemos no Brasil. Assim como as outras opções do restaurante, a entrada é bem servida e poderia ser compartilhada por mais pessoas.

Jachtschotel
Jachtschotel

De prato principal escolhemos dividir um Jachschotel que, teoricamente, seria para uma pessoa. Ainda bem que perguntamos se era bem servido porque vem bastante – imagino a quantidade de comida que eles trazem quando pede-se para duas pessoas. A tradução de jacht é caça e de schotel é prato, ou seja, essa é a opção que o caçador podia fazer no campo com os ingredientes que encontrava na plantação, como batata, cebola, cenoura, maçã e a carne que tinha caçado, podendo ser um coelho, pato, faisão e outros animais. No caso do The Old Dutch, são oferecidas opções com filé mignon, pato e coelho.

Jachtschotel
Jachtschotel

A escolha foi por cubos de filé mignon em molho com cebola, maçã, cerveja e temperos típicos, acompanhados de purê de batatas típico, purê de maçã caseiro e arroz típico. Essa é a opção mais típica holandesa do cardápio do restaurante. Nesse caso, os temperos não decepcionaram e foi realmente um prato bem diferente do que estamos acostumados a comer no Brasil. A carne vem com essas tiras de maçã (não são batatas), o purê e o arroz vem acompanhados de legumes e com um tempero que lembra a comida indiana, acredito que seja açafrão. Já o purê de maçã é docinho e com canela, fazendo uma combinação exótica e gostosa com os demais acompanhamentos.

Bebidas
Bebidas

De bebidas optamos por sucos naturais feitos na hora. Uma das preocupações do chef é em oferecer cervejas importadas diversas com uma variação constante das opções. Aproveitamos para levar um licor de amora que, apesar de gostoso, achamos que estava muito leve no teor alcoólico.


Resumo ★★★★

Não é em qualquer lugar que se pode apreciar a gastronomia holandesa, principalmente idealizada por um chef que nasceu e viveu no país e se preocupa com a qualidade do que é oferecido. O prato principal estava bem gostoso. O restaurante só perdeu uns pontinhos comigo por detalhes como a falta de opção de uma sobremesa que realmente chamasse a atenção e o preço, mas eu certamente voltaria lá para experimentar outros pratos.

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