Entrada trocada por um quilo de alimento

Belo Horizonte – Festa Peruana

Há pouco tempo eu fiz uma postagem aqui no blog sobre a Festa Francesa realizada em Belo Horizonte. Pois no dia 30 de julho de 2016 fizeram a Festa Peruana, coincidindo com as comemorações de independência do país do domínio espanhol em 28 de julho de 1821. Mais uma vez, a intenção era celebrar a cultura do país com comidas típicas e músicas regionais.

O ingresso para entrar no espaço reservado para a festa, dessa vez na Rua Tomé de Souza (entre Rio Grande do Norte e Avenida Getúlio Vargas), era um quilo de qualquer alimento e podia ser retirado com antecedência ou na hora. Como eu passei muita raiva na francesa – cheguei poucas horas depois de ser iniciado o evento e vários produtos já estavam esgotados, sendo que ainda tinham o dia inteiro de festa pela frente – dessa vez eu fui mais esperto e cheguei cedo. Resultado: as filas estavam tranquilas e, embora as mesas tenham sido rapidamente ocupadas, consegui um lugar para sentar devido à rotatividade de pessoas. Para mim, nesse sentido, foi uma experiência melhor do que no evento anterior, mas o mesmo não pode ser dito por quem chegou um pouco mais tarde.

Público lota a Festa Peruana
Público lota a Festa Peruana

Na página do evento, os responsáveis pela organização informaram que os ingressos haviam esgotado às 14h e que seria liberada a entrada de mais pessoas à medida que os que chegaram mais cedo fossem saindo – a festa estava prevista para ir até as 21h. Ouvi reclamações de algumas pessoas de que a fila lá fora estava muito demorada e novas entradas só eram permitidas de 30 em 30 minutos. Bem, entendo a frustração de quem teve que esperar muito para conseguir entrar, mas é um mal necessário para manter o controle do número de pessoas lá dentro. Mas não entendi como haviam moradores de rua pedindo dinheiro dentro de um evento fechado. Será que eles levaram um quilo de comida para entrar lá e pedir dinheiro para comprar comida…? Não fez muito sentido para mim.

Fichas da Festa Peruana
Fichas da Festa Peruana

Mesmo com a entrada limitada, muitos ficaram insatisfeitos com a demora para comprar fichas, necessárias para trocar pelos alimentos e bebidas em qualquer uma das barracas. O sistema de fichas geralmente é adotado nesse tipo de evento, mas dificulta o atendimento por concentrar todas as vendas em poucos caixas. Além disso, os clientes precisam calcular quanto comprar de ficha – você não pede pelos produtos, você pede por um valor: “20 reais de fichas”, “50 reais de fichas”, “100 reais de fichas”, etc. Eu não gosto muito do sistema de fichas porque você pode desistir de comer determinada coisa, daí tem que achar algo no mesmo valor e cada barraca tem um preço diferente dependendo do produto… Além disso, você as pessoas que atendem na barraca acabam tendo que dar troco em fichas, então é como se estivessem lidando com dinheiro de qualquer maneira. Seria mais fácil se cada barraca vendesse seus próprios produtos, as filas para compra ficariam mais diluídas e nós não teríamos que fazer cálculos ou nos sentir obrigados a gastar as fichas compradas mesmo depois de desistir de comer algo. Enfim… há de se pensar.

Filas para os caixas
Filas para os caixas

Mas por quê alguém desistiria de comer algo? Bem, quando deu 14h e a lotação estava no máximo, por exemplo, as filas para pegar comida em algumas das barracas estava bem longa e demorada. Ou talvez a pessoa tivesse ouvido de algum amigo que determinado produto não era tão gostoso quanto imaginava. Ou justamente aquilo que você planejava comprar se esgotou – isso aconteceu com vários produtos na Festa Francesa, não sei se houve o mesmo na peruana, já que eu cheguei e fui embora mais cedo.

Daí vem outra reclamação que ouvi por lá: foi uma festa sem graça. Depois que eu comi, não vi nenhum sentido em continuar no local. Fora a parte de alimentação, sobre a qual falarei daqui a pouco, não vi nada de interessante que destacasse a cultura do país, como mais barraquinhas com artesanatos e apresentações, danças, shows, etc. Como essas atrações estavam previstas na programação, até acredito que elas tenham acontecido, mas realmente não vi. Mesmo porque não tinha um palco propriamente dito. Vai saber!

Cardápio
Cardápio

Uma prévia do cardápio foi divulgada com antecedência na página do evento no Facebook, o que é ótimo para quem pretende ir ao local já ter uma ideia do que pretende comer. Mas, se divulgaram o cardápio, podiam ter facilitado e já disponibilizado também os preços, aos quais só se tinha acesso dentro do local do evento. Assim como na festa francesa, era preciso chegar perto do caixa onde se compra as fichas para ter acesso ao menu completo, impresso em letras pequenas para quem não está perto. Só então a pessoa podia calcular quanto iria comprar, o que acabava retardando o atendimento. Precisam achar uma forma de disponibilizar isso de maneira mais eficiente – distribuir cardápios, imprimir maiores para serem afixados nos caixas, etc.

Ceviche
Ceviche

O primeiro prato que eu comi lá foi esse Ceviche Limeño do Chef Moronari. O gosto de limão estava tão forte que parecia não ter nenhum tempero além da fruta. Poderiam também ter caprichado um pouco mais no prato (era só peixe – sem camarão ou lula) ou nos acompanhamentos (era só cebola roxa e uma rodela de batata doce). O resultado é que estava bom, mas nada fantástico.

Ají de Gallina
Ají de Gallina

Eu comi Aji de Gallina em diferentes ocasiões e lugares, tanto no Chile quanto no Peru, e posso dizer que esse servido pelo Sabores Peruanos deixou a desejar. Não é que estivesse ruim, mas… cadê aquele aji amarelinho e saboroso? Parecia um frango desfiado qualquer com batata cozida que a gente faz em casa. Bem sem graça. Também sem tempero estava a Barriga de Porco Assada do Chef Beto Haddad. Parece que tinha zero sal.

Lomo Saltado
Lomo Saltado

O que estava mais gostoso era o Lomo Saltado servido no Cals Gourmet. A carne estava macia e bem temperada, a batata frita crocante e o arroz gostoso e soltinho. Apesar de ter ficado satisfeito com esse prato, confesso que não me lembrou nada do que eu comi no Peru em termos de tempero e sabor (estive lá pela segunda vez há poucos meses).

Cocktail de Algarrobina e Chicha Morada
Cocktail de Algarrobina e Chicha Morada

Aliás, senti o mesmo com a Chicha Morada do D’Ely. Essa bebida, feita de um milho escuro peruano, é meio que um refresco que eu experimentei em várias cidades diferentes do país. O daqui eu achei um pouco aguado. Já o drink Algarrobina eu não tenho parâmetro de comparação, já que foi a primeira vez que experimentei e, talvez por isso mesmo, achei gostoso.

No geral, as refeições servidas na Festa Peruana pareciam adaptadas demais à realidade brasileira, ou seja, não representavam muito bem o país homenageado.

Barracas vazias no começo da festa
Barracas vazias no começo da festa

Em resumo, mais uma festa com potencial, mas que ainda precisa melhorar. As manifestações culturais foram pobres, principalmente se considerando um país com um artesanato, história, músicas e danças tão ricos. Dessa vez eu consegui comprar as fichas e escolher o que eu queria comer, já que cheguei bem cedo, quando tinha menos gente e os produtos não estavam esgotados. Mas as comidas não estavam tão gostosas, bem aquém do que experimentei nas duas vezes em que visitei o país, e quem chegou mais tarde teve que enfrentar muito tempo de filas (para entrar, para comprar ficha e para ser atendido nas barracas). Então fica a dica: sempre chegar cedo nesses eventos, se quiser mesmo ir.

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