Detalhe do rosto da Mona Lisa

Paris – Sorriso (Maroto) da Mona Lisa

Mona Lisa… o que dizer dessa garota que ninguém conheceu, mas consideram tanto? E quando eu digo isso eu estou me referindo a ela ser considerada a obra de arte que mais se conhece e visita, sobre a que mais se escreve e canta e, claro, a que mais se parodia no mundo. Mona, a senhora é destruidora mesmo! A pintura em óleo sobre tela, possivelmente o retrato de Lisa del Giocondo, foi provavelmente criada entre 1503 e 1506, mas talvez Leonardo da Vinci tenha continuado a trabalhar nela até 1517, quiçá até 1519. Reparem que na frase acima tem “possivelmente” e “provavelmente” e “talvez” e “quiçá”, ou seja, muita margem para teorias de conspiração.

O título mais conhecido da obra, Mona Lisa, vem de uma descrição feita pelo historiador da arte renascentista Giorgio Vasari em uma biografia sobre o artista publicada em 1550, 31 anos após a morte de Da Vinci, que diz “Leonardo fez a pintura para Francesco del Giocondo, o retrato de Mona Lisa, sua esposa”. Outra referência é que o assistente do pintor, chamado Salaì, na ocasião de sua morte em 1525, estava em posse de um retrato deixado por Leonardo Da Vinci chamado La Gioconda. Além disso, uma anotação escrita por Agostino Vespucci em 1503 declara que Da Vinci estava trabalhando em uma pintura de Lisa del Giocondo, esposa de um rico mercador de seda chamado Francesco del Giocondo. Aparentemente, a pintura havia sido encomendada para sua nova moradia e para celebrar o nascimento de seu segundo filho. O nome italiano do quadro, La Gioconda, significa “feliz” ou “jovial”, além de ser um trocadilho com o sobrenome da família “Giocondo”. Antes dessas descobertas, estudiosos traçaram diversas teorias de quem seria a pessoa representada na obra: Isabella de Aragon, Cecilia Gallerani, Constaza d’Avalos, Duchess of Francavilla, Isabella d’Este, Pacifica Brandano ou Brandino, Isabela Gualanda, Caternisa Sforza ou até mesmo Salaì ou Leonardo da Vinci posando travestidos. Mas o consenso é que se trata mesmo de Lisa del Giocondo.

Resolvido isso, vamos resumir os fatos (ou a versão atualmente aceita deles). Leonardo da Vinci foi contratado para fazer a obra, na qual trabalhou por alguns anos a partir de 1503, mas acabou abandonando. Em 1516, após ser convidado pelo rei François I para trabalhar na cidade de Amboise, na França, Da Vinci teria levado a Mona Lisa consigo e retomado o trabalho na obra. Depois de sua morte, suas pinturas e outros trabalhos foram para o seu pupilo e assistente, Salaì. Comprada por Francis I, a obra foi mantida no Château de Fontainebleau até ser levada para o Château de Versailles por Louis XIV. Após a Revolução Francesa, foi para o Musée du Louvre e passou um pequeno período no quarto de Napoleão no Palais des Tuileries. Durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-71), foi levada do Louvre para o Arsenal de Brest. Na Segunda Guerra Mundial, foi novamente tirada do Louvre e passou pelo Château d’Amboise, Abbaye de Loc-Dieu, Château de Chambord e Musée Ingres.

Mona Lisa exposta em museu italiano
Mona Lisa exposta em museu italiano

Em 21 de agosto de 1911, nossa já rodada amiga, que estava novamente exposta no Louvre, foi roubada. O pintor Louis Béroud foi quem descobriu sua ausência no dia seguinte e contatou o chefe da guarda, que pensou que a pintura havia sido removida para ser fotografada. Algumas horas depois, Béroud entrou novamente em contato com o museu, que confirmou que a Mona Lisa não estava com os fotógrafos. O museu ficou fechado por uma semana inteira durante as investigações. Guillaume Apollinaire era um dos suspeitos e chegou a ser preso, envolvendo o amigo Pablo Picasso, que também foi levado a depor. Que situação, que situação! Mas os dois foram liberados e o ladrão verdadeiro só foi descoberto dois anos depois: um empregado do Louvre, chamado Vincenzo Peruggia, tirou o quadro do local de exposição e o escondeu em um armário de vassouras, depois saiu com ele escondido sob o casaco quando o museu fechou. Peruggia era um patriota e acreditava que a pintura deveria ser exposta em um museu italiano. Ou teria sido motivado por um amigo que fazia cópias da obra, que ficariam mais valorizadas com o sumiço da original. Ou tudo partiu de Eduardo de Valfierno, que contratou o falsificador Yves Chaudron para fazer seis cópias da Mona Lisa para vender nos Estados Unidos enquanto a localização do original fosse desconhecida. Enfim, mais teorias. O que importa é que a obra nunca saiu da Europa. Vincenzo Peruggia a manteve em seu apartamento por dois anos, quando foi descoberto ao tentar vender o quadro para os diretores da Gallerla degli Uffizi, em Florença, onde chegou a ficar exposta por duas semanas. Na foto acima, o diretor do museu, Giovanni Poggi, inspeciona a obra na Uffizi, em 1913.

Jornal noticia recuperação da Mona Lisa
Jornal noticia recuperação da Mona Lisa

A Mona Lisa voltou para o Museu do Louvre em 4 de janeiro de 1914. Peruggia ficou preso por seis meses pelo crime, mas foi saudado na Itália por seu patriotismo. Na verdade, à época, a Mona Lisa nem era muito conhecida no mundo. A partir dos anos 1860, alguns poucos críticos franceses começaram a aclamar o quadro como uma obra-prima renascentista, mas depois do roubo e toda a sua repercussão é que ela ficou realmente famosa. E o drama nem tinha acabado. Em 1956, parte da pintura foi danificada quando um vândalo jogou ácido nela. No mesmo ano, alguém atirou uma pedra na coitada. Depois desses ataques, a obra foi restaurada e passou a ser exposta com a proteção de um vidro à prova de balas. Em abril de 1974, uma mulher puta revolts com o tratamento dado aos deficientes físicos em um museu de Tokyo, onde a obra estava sendo temporariamente exposta, borrifou spray de tinta vermelha contra a pintura. Já em 2009, uma russa, que teve a cidadania francesa negada, atirou nela uma caneca de cerâmica comprada no Louvre. Em ambos os casos, nenhum dano foi causado e a Mona Lisa apenas sorriu com o cantinho da boca. Pois é, tem doido para tudo.

Mona Lisa exposta no Louvre
Mona Lisa exposta no Louvre

A obra está exposta no Museu do Louvre e é sua maior atração. Em francês é chamada La Joconde, enquanto em italiano é conhecida como Monna Lisa. Se sua prioridade na visita ao museu é ver a obra, sua tarefa será fácil: ela está marcada no mapa e também há várias placas indicando o caminho. Como o Louvre é muito grande, eu recomendo que você aproveite o trajeto para ver as outras obras que te interessam, sempre de olho no mapa para não se perder. Eu, particularmente, acho bobagem pagar o ingresso da visita para ver apenas uma obra, tirar um selfie e ir embora, principalmente em um lugar que tem tanta coisa interessante. Mas cada um sabe de si, nem vou te julgar. Só que, antes que você faça isso, já vai sabendo que muitas pessoas ficam decepcionadas quando finalmente encontram Momo ❤, principalmente por causa do tamanho da obra que todos imaginam ser bem maior – são 77 cm x 53 cm. Além disso, você não tem a oportunidade de realmente parar na frente do quadro para apreciar suas características devido à grande quantidade de pessoas que passam pelo local, querem tirar fotos para registrar esse momento, etc. Na verdade ela não recebe um tratamento de obra de arte, mas sim de ponto turístico super concorrido.

Mona Lisa, de Leonardo da Vinci
Mona Lisa, de Leonardo da Vinci

Você vai ter mais sucesso em observar os detalhes da pintura vendo a foto acima do que pessoalmente no Louvre. A mulher, seja ela quem for, é retratada como a Virgem Maria, vista como um ideal da época – bela, recatada e do lar. Ela aparece sentada e com o rosto um pouco para o lado. A postura ereta na cadeira e os braços cruzados revelam sua personalidade reservada. O que mais chama a atenção é o seu olhar voltado para quem observa a obra, estabelecendo uma comunicação direta, o que é reforçado pelo rosto iluminado em um ambiente de tonalidades mais escuras. Em vez de linhas bem definidas, Leonardo utiliza um método que combina os elementos próximos chamado sfumato, o que cria um humor ambíguo principalmente nos cantos da boca e dos olhos. A pintura foi uma das primeiras a mostrar uma paisagem fictícia atrás da pessoa retratada e mostra um fundo com montanhas nevadas,  caminhos tortuosos e uma ponte distante, indicando a presença humana. A enigmática mulher é retratada no que parece ser uma varanda aberta, entre dois pilares escuros. Ela não parece ter sobrancelhas e cílios – na época, era comum as mulheres arrancarem esses pêlos, considerados desagradáveis à vista. Em 2007, o engenheiro francês Pascal Cotte anunciou que, usando scans digitais de alta resolução, foi possível identificar que a pintura original possuía esses pêlos, que podem ter desaparecido com o desgaste do tempo ou em limpezas excessivas. Além disso, é possível afirmar que foram feitas várias readequações na pintura, principalmente no tamanho da face e direção do olhar. Além disso, uma camada inferior revela que haviam grampos no cabelo e um adereço com pérolas. Outra coisa que mudou, dessa vez depois da obra estar finalizada, foi a moldura. Em determinados momentos de sua vida bandida, a Mona Lisa recebeu diferentes molduras, de acordo com o gosto da época. Além disso, o painel traseiro sofreu alterações devido à humidade e acabou se rompendo. Em meados do século VXIII e início do XIX, duas cintas foram inseridas na parte de trás para segurar uma fenda, mas uma delas caiu – possivelmente na ocasião do roubo da obra. Em 1909 foi instalada a moldura atual, consistente com o estilo renascentista do período de criação do quadro. Em 1951 foi adicionada uma estrutura de madeira flexível e, em 1970, cintas transversais para ajudar a proteger o painel de mais deformações. Atualmente, a pintura é mantida atrás de um vidro à prova de balas e com temperatura e humidade controladas, a fim de evitar deteriorações e ataques. No mais, fica aí esse vídeo:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s