Eu fiquei hospedado no ibis Palmas Avenida JK e no Hotel Araguaia durante minha passagem pela capital tocantinense, ambos os hotéis relativamente próximos dessa que é uma das maiores praças do mundo. O local é considerado o centro do poder do estado e da cidade, representação de sua história e espaço de lazer da população local. Ali foi lançada a pedra fundamental da construção de Palmas, com a inauguração do complexo arquitetônico acontecendo anos depois, em 2000.

A Praça dos Girassóis está situada no marco central da mais nova capital brasileira, construída com o desmembramento do norte de Goiás e a criação do estado do Tocantins. Embora não pareçam existir evidências científicas que comprovem a localização, o local conta com um monumento que marca o Centro Geodésico do Brasil. A imagem da rosa dos ventos é formada no piso de pedra portuguesa com grafismos indígenas das etnias que habitam a região. Posteriormente, foi erguido o monumento à bíblia no centro da obra, reforçando uma pretensa superioridade religiosa que lembra o processo de catequização dos povos originários.

Ali fica o Palácio Araguaia, que serve como sede do governo estadual. A partir dele foram projetadas as ruas e avenidas do plano diretor da capital. A praça também conta com o Palácio João d’Abreu, sede do poder legislativo; o Palácio Rio Tocantins, sede do poder judiciário; e outros diversos prédios públicos.

Na fachada sul do palácio encontra-se o Brasão do Estado, desenhado no chão com faixas de diversas cores. As azuis, direcionadas para cima, representam os dois principais rios do estado: Rio Tocantins e Rio Araguaia. A branca, no centro, é acompanhada de um sol nascente e passa a ideia de um futuro melhor. Já a amarela, na parte de baixo, faz referência às riquezas minerais. Ramos crescendo em ambos os lados representam a natureza. Por fim, há uma frase escrita em tupi guarani acima do brasão, co ivy ore retama, que pode ser traduzida como “a terra é nossa”.

Em frente ao palácio, encontra-se uma fonte com cascata em homenagem aos rios, cachoeiras e plantas nativas. Ali também vi uma iguana de tamanho considerável tomando sol. Falando nisso, eu fui dar uma volta na praça durante a tarde. Estava um calor de matar e poucas pessoas circulavam a pé pelas rua, mas nessa área vi uns e outros aproveitando a sombra das árvores.

Apesar do nome dado à praça, não encontrei por lá absolutamente nenhum girassol. Um dos motoristas que eu peguei durante a minha estadia disse que até costumam plantar, mas não são mantidos por um motivo ou outro. O que vi foram jardins que misturavam cactos com outras plantas diversas. Algumas áreas tinham árvores, enquanto outras funcionam como extensos pátios de pedra sem nenhuma sombra. Um exemplo é a Praça Krahô, cujo formato circular mostra como se organiza a vila desse povo indígena, com casas distribuídas em volta do ponto central.

Durante o passeio, também encontrei alguns monumentos interessantes. Um dos que mais chamam a atenção é a Súplica dos Pioneiros, obra de Maurício Bentes que faz referência às pessoas que lutaram pela criação do estado. A família representa os primeiros moradores a chegarem à capital, ajudando na sua construção e desenvolvimento. Bem ao lado fica o Cruzeiro, usado na missa que marcou o início das obras da cidade, juntamente com uma pedra fundamental, em 20 de maio de 1989.

Outro conjunto de estruturas que se destaca é do 18 do Forte, uma homenagem ao ocorrido no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Na ocasião, integrantes do exército se revoltaram contra o resultado das eleições de 1922 e deram início a uma revolta. O monumento conta com dezenove esculturas de dois metros de altura, homenageando os heróis do levante. À frente do grupo, carregando a bandeira do país, está a figura do tenente Siqueira Campos.

Em termos de arquitetura, a estrutura que mais se destaca é o Memorial Coluna Prestes, projetado por Oscar Niemayer. Eu não sei dizer qual é a situação atual de uso da construção. Mas, quando passei por lá, as portas estavam fechadas e não me pareceu haver nenhuma exposição. A única coisa que pude ver foi uma estátua de Luis Carlos Preste na área externa. O militar e político comunista ganhou fama ao liderar um movimento esquerdista, o que o levou a ser perseguido e preso durante a ditadura do Estado Novo.

Outro ponto interessante da praça é o Relógio do Sol. Eu sempre acho legal ver como uma estrutura simples, que conta com uma haste projetando sua sombra sobre o chão de pedras portuguesas, pode ser usada para determinar as horas e os meses. Durante a noite, ele possibilita ver a movimentação do Cruzeiro do Sul, constelação que gasta cerca de uma hora para girar em torno do eixo.

Falando em noite, eu voltei à praça mais tarde outro dia para ver a movimentação e conferir as opções de um tipo de praça de alimentação a céu aberto. O local costuma ser frequentado por famílias e conta com quiosques, um pequeno parque de diversões e banheiros públicos. Tudo bem simples, não chegando a ser um atrativo turístico. Também fica por ali uma fonte luminosa que projeta luzes em formato de girassol e jatos d’água que alcançam quinze metros de altura.
De um modo geral, achei o passeio pela Praça dos Girassóis agradável, apesar do calor intenso característico da cidade. Vale a pena para quem reservar uma hospedagem ali por perto, mas não diria que é um atrativo imperdível se estiver distante.
Outra opção é contratar um tour por Palmas, passando pelos principais pontos turísticos da cidade com todo o conforto. Agora, se a ideia é ter mais liberdade para definir a programação, o ideal é mesmo alugar um carro e fazer tudo por conta própria.
